15 de junho de 2012

L'automne

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Automne. Foi minha resposta na aula da francês à pergunta do professor sobre les saisons de l'année. Uma opção que gerou olhares duvidosos, como se os colegas pensassem: "sujeito metido; garanto que prefere o verão". Afirmar que gosta mais do outono do que das outras estações do ano é quase tão inusitado quanto dizer que prefere refrigerante de uva quando todos os demais do grupo terão respondido "coca" ou "guaraná".

O outono costuma ser associado ao cinza. E não há dúvida: qualquer outra cor é mais bela do que essa. E logo surgem os argumentos pró-verão: sol, corpos bronzeados, mulheres de biquíni, cerveja gelada, bermudão, churrasco à beira da piscina. E pró-primavera: flores, muitas cores, a vida que renasce, academias lotadas. E também pró-inverno: lareira, cobertor quentinho, a elegância das roupas de frio, a paisagem com geada, a neve.

Mas a desprezada estação, que no hemisfério sul vai de 20 de março a 20 ou 21 de junho, tem seus encantos. No Brasil, é época das festas juninas e do quentão com gemada – que os maringaenses odeiam, mas que não pode faltar lá em Pato Branco. Nos Estados do Sul, é tempo de pinhão, o fruto da araucária, símbolo do Paraná. Só de escrever a respeito deu água na boca.

Em regiões de clima subtropical, o frio do outono é suficiente para espantar os insetos, inclusive o infame mosquito da dengue, mas passa longe do ar gelado de trincar os ossos, do inverno. Não tem flores, mas também não tem pólen nem alergia nem espirros que custam a cessar. E o barulho das folhas a cair, no instante em que tocam o chão, tem um mágico poder anti-stress quando escutado sem pressa.

No hemisfério norte esse fenômeno é ainda mais deslumbrante. Por lá, as folhas passam por uma metamorfose de várias cores antes de despirem as árvores. O encanto é tamanho que o símbolo de uma folha  de bordo ilustra a bandeira canadense. E quando o céu não é de brigadeiro – de um belo azul como o dos olhos de minha namorada –, o dia pode amanhecer tomado por neblina. Um terror para quem tem voo programado. Um deleite para quem ama o clima de serra, do vinho a dois defronte a lareira, e não vê a hora de tirar férias para ir às montanhas outra vez.

Poucas coisas se comparam ao mar e outono não é a melhor época para ir à praia. Contudo, para quem vive em Maringá ou qualquer outra cidade distante seis horas ou mais de viagem da praia mais próxima, a magia do quebrar das ondas não serve de argumento para desqualificar o outono. Se um dia eu morar em Florianópolis, aí sim, talvez prefira o verão.
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