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10 de novembro de 2009
Teoria da Irmã Tribufú
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O Cara e Mortal construíram em apenas um ano e meio, desde quando o primeiro foi contratado pelo jornal em que o segundo já escrevia há pelo menos seis meses, uma sólida amizade, sustentada pelos pilares da lealdade. Uma amizade tão verdadeira quanto suas diferenças. O ditado "os opostos se atraem", que se mostra falho em tantos relacionamentos, na amizade desses dois repórteres faz todo o sentido.
Na redação, um é especialista na editoria de política e o outro, em economia. Enquanto Mortal estuda jornalismo multimídia e está cada vez mais conectado, O Cara cogita se "orkuticidar" enquanto aguarda pela esperada formatura em mais um curso de graduação. Um é expert em cálculos complexos e escreve o necessário para garantir seu sustento, o outro também escreve para viver, mas nas horas de folga tem por hobby expressar suas ideias no papel, ou melhor, no blog.
Além da esfera profissional, as diferenças são mais acentuadas. O "amigo multimídia" é membro da Igreja Metodista e segue a fé de seus pais e avós. O "amigo economista" frequentou a catequese e hoje, ateu, diz não crer em "fábulas". Na política, o blogueiro prevê a eleição de José Serra para presidente, enquanto o economista aposta que Dilma Rousseff conquistará a maioria do eleitorado graças à popularidade de Lula; embora ambos simpatizem mais com Marina Silva. Na Liga da Justiça, O Cara prefere o Batman e Mortal, o Superman; mas os dois comentam sobre como seria interessante ter – ao menos por um dia – os poderes do Superman e as namoradas do Batman. Por fim, um é Corinthians e o outro, óbvio, Palmeiras.
O fato de discordarem em (quase) tudo, no caso deles, serve de combustível para a amizade. O que só é possível graças ao dom da tolerância – dom que não consta das cartas de Paulo aos Coríntios, mas que é de suma importância quando se anseia por um mundo de paz e sem preconceitos.
Mortal é filho primogênito e tem dois irmãos, homens. O Cara também é o mais velho entre três, mas tem duas irmãs. O corintiano foi apresentado ao irmão do meio de Mortal numa festa junina de rua. O palmeirense conheceu a irmã caçula de O Cara, em um jantar sem cerimônia na casa dele. Ocasião que inspirou o cronista da dupla a bolar a "Teoria da Irmã Tribufú" – uma teoria que, em sua essência, já era antiga no tempo de seus avós.
No jantar, o repórter multimídia levou um vinho, Gato Negro Malbec, que trouxera da Argentina nas férias. O repórter de economia pôs em prática seus dotes culinários para preparar um yakissoba. Caprichou tanto que, mesmo querendo errar no arroz (para deixá-lo empapado), o cozido ficou soltinho. Um jazz na "vitrola", pratos e talheres postos à mesa, Mortal e O Cara falavam de tudo um pouco, menos de trabalho, quando foram interrompidos:
– Mano, o jantar vai demorar muito? Senão acho que vou dormir – disse Maria, a irmã mais nova de O Cara. – Está quase pronto mana, aguenta um pouco – respondeu, para em seguida falar ao bem impressionado Mortal – tadinha, estava com fome.
Uma "tadinha" acima da média. Jovem, morena, cabelos longos e lisos, magra e alta (estatura deve estar na genética da família), surgiu na cozinha de pijama, do tipo sem-Mickey-na-estampa. Bem pelo contrário, era um pijaminha tamanho P, desses que os roteiristas de novela pensam para trajar as belas atrizes, com a intenção de elevar a audiência no horário nobre. "Bah", com alguns pontos de exclamação, foi o que Mortal quis dizer, mas não disse. Ficou sem reação, não apenas pela exuberância da moça, mas, também, por se tratar da irmã de um de seus melhores amigos.
Com uma capacidade intelectual invejável, O Cara pode muito bem ter herdado grande parte do Q.I. da família, conforme mencionou Maria durante o jantar. Contudo, certamente foi ela quem ficou com a maior porção da beleza. O conjunto da obra, a plástica facial, as curvas... tornam tal sentença tão incontestável quanto a habilidade do economista com os cálculos e com o tempero do yakissoba.
A situação para Mortal era inédita. O Cara se tornara seu primeiro grande amigo com uma irmã fora de série. O Cara, por sua vez, talvez não percebesse a situação por ainda ver Maria com os olhos de quem a viu crescer. Logo, em função do forte laço de amizade entre os dois, Maria precisava ser vista com uma pitada de divindade, como "freira" ou como "noiva". "Com irmã de melhor amigo não se brinca", lembrou-se Mortal da pertinente frase que ouvira, certa vez, do sábio colega de redação Barack Pandeiro.
"Ficar" sem compromisso está na moda, com algumas ressalvas. Uma delas é justamente a "bela irmã do amigo do peito". E namoro com essas belas divindades é algo complicado, por causa da expectativa que tende a ser gerada pelo amigo-irmão em – na possibilidade de tudo der certo – se tornarem brothers-in-law. Nos tempos do vovô, em que casamentos duravam para sempre, namorar com a irmã mais nova do grande amigo era uma ótima ideia.
O Cara talvez gostasse de ver sua irmã namorando um de seus grandes amigos, talvez não. Independentemente da resposta, Mortal estava certo de que a vida seria mais prática se os amigos do peito não tivessem irmãs deusas. Na "Teoria da Irmã Tribufú", que coloca a amizade sempre em primeiro plano, as caçulas dos melhores amigos seriam sempre horrorosas ou já casadas ou, ainda, jovens demais. Mas como essa teoria é uma besteira sem tamanho, desconsidere.
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O Cara e Mortal construíram em apenas um ano e meio, desde quando o primeiro foi contratado pelo jornal em que o segundo já escrevia há pelo menos seis meses, uma sólida amizade, sustentada pelos pilares da lealdade. Uma amizade tão verdadeira quanto suas diferenças. O ditado "os opostos se atraem", que se mostra falho em tantos relacionamentos, na amizade desses dois repórteres faz todo o sentido.
Na redação, um é especialista na editoria de política e o outro, em economia. Enquanto Mortal estuda jornalismo multimídia e está cada vez mais conectado, O Cara cogita se "orkuticidar" enquanto aguarda pela esperada formatura em mais um curso de graduação. Um é expert em cálculos complexos e escreve o necessário para garantir seu sustento, o outro também escreve para viver, mas nas horas de folga tem por hobby expressar suas ideias no papel, ou melhor, no blog.
Além da esfera profissional, as diferenças são mais acentuadas. O "amigo multimídia" é membro da Igreja Metodista e segue a fé de seus pais e avós. O "amigo economista" frequentou a catequese e hoje, ateu, diz não crer em "fábulas". Na política, o blogueiro prevê a eleição de José Serra para presidente, enquanto o economista aposta que Dilma Rousseff conquistará a maioria do eleitorado graças à popularidade de Lula; embora ambos simpatizem mais com Marina Silva. Na Liga da Justiça, O Cara prefere o Batman e Mortal, o Superman; mas os dois comentam sobre como seria interessante ter – ao menos por um dia – os poderes do Superman e as namoradas do Batman. Por fim, um é Corinthians e o outro, óbvio, Palmeiras.
O fato de discordarem em (quase) tudo, no caso deles, serve de combustível para a amizade. O que só é possível graças ao dom da tolerância – dom que não consta das cartas de Paulo aos Coríntios, mas que é de suma importância quando se anseia por um mundo de paz e sem preconceitos.
Mortal é filho primogênito e tem dois irmãos, homens. O Cara também é o mais velho entre três, mas tem duas irmãs. O corintiano foi apresentado ao irmão do meio de Mortal numa festa junina de rua. O palmeirense conheceu a irmã caçula de O Cara, em um jantar sem cerimônia na casa dele. Ocasião que inspirou o cronista da dupla a bolar a "Teoria da Irmã Tribufú" – uma teoria que, em sua essência, já era antiga no tempo de seus avós.
No jantar, o repórter multimídia levou um vinho, Gato Negro Malbec, que trouxera da Argentina nas férias. O repórter de economia pôs em prática seus dotes culinários para preparar um yakissoba. Caprichou tanto que, mesmo querendo errar no arroz (para deixá-lo empapado), o cozido ficou soltinho. Um jazz na "vitrola", pratos e talheres postos à mesa, Mortal e O Cara falavam de tudo um pouco, menos de trabalho, quando foram interrompidos:
– Mano, o jantar vai demorar muito? Senão acho que vou dormir – disse Maria, a irmã mais nova de O Cara. – Está quase pronto mana, aguenta um pouco – respondeu, para em seguida falar ao bem impressionado Mortal – tadinha, estava com fome.
Uma "tadinha" acima da média. Jovem, morena, cabelos longos e lisos, magra e alta (estatura deve estar na genética da família), surgiu na cozinha de pijama, do tipo sem-Mickey-na-estampa. Bem pelo contrário, era um pijaminha tamanho P, desses que os roteiristas de novela pensam para trajar as belas atrizes, com a intenção de elevar a audiência no horário nobre. "Bah", com alguns pontos de exclamação, foi o que Mortal quis dizer, mas não disse. Ficou sem reação, não apenas pela exuberância da moça, mas, também, por se tratar da irmã de um de seus melhores amigos.
Com uma capacidade intelectual invejável, O Cara pode muito bem ter herdado grande parte do Q.I. da família, conforme mencionou Maria durante o jantar. Contudo, certamente foi ela quem ficou com a maior porção da beleza. O conjunto da obra, a plástica facial, as curvas... tornam tal sentença tão incontestável quanto a habilidade do economista com os cálculos e com o tempero do yakissoba.
A situação para Mortal era inédita. O Cara se tornara seu primeiro grande amigo com uma irmã fora de série. O Cara, por sua vez, talvez não percebesse a situação por ainda ver Maria com os olhos de quem a viu crescer. Logo, em função do forte laço de amizade entre os dois, Maria precisava ser vista com uma pitada de divindade, como "freira" ou como "noiva". "Com irmã de melhor amigo não se brinca", lembrou-se Mortal da pertinente frase que ouvira, certa vez, do sábio colega de redação Barack Pandeiro.
"Ficar" sem compromisso está na moda, com algumas ressalvas. Uma delas é justamente a "bela irmã do amigo do peito". E namoro com essas belas divindades é algo complicado, por causa da expectativa que tende a ser gerada pelo amigo-irmão em – na possibilidade de tudo der certo – se tornarem brothers-in-law. Nos tempos do vovô, em que casamentos duravam para sempre, namorar com a irmã mais nova do grande amigo era uma ótima ideia.
O Cara talvez gostasse de ver sua irmã namorando um de seus grandes amigos, talvez não. Independentemente da resposta, Mortal estava certo de que a vida seria mais prática se os amigos do peito não tivessem irmãs deusas. Na "Teoria da Irmã Tribufú", que coloca a amizade sempre em primeiro plano, as caçulas dos melhores amigos seriam sempre horrorosas ou já casadas ou, ainda, jovens demais. Mas como essa teoria é uma besteira sem tamanho, desconsidere.
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7 de julho de 2009
A turma da 6ª Série
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Desde seu nascimento, em março de 1981, nunca antes Mortal envelhecera tão rápido como entre junho e julho de 2009: cinco anos em 30 dias. O ganho de idade não é biológico, evidente, mas sim metabólico. Aos 28 anos, o metabolismo de Mortal estava trabalhando como o de alguém de 37 – contra 32 do mês anterior –, ou seja, era capaz de engordar se bebesse muita água. Com algum exagero na expressão, sentia-se um idoso.
Taxa metabólica que é calculada por uma balança portátil, de chão, companheira inseparável da nutricionista que faz o acompanhamento dos funcionários do jornal – lógico, apenas de quem permite ser examinado, já que há aqueles (aquelas, geralmente) que têm fobia de balança e, no dia da avaliação, fogem da avaliação como o diabo foge da cruz.
A nutricionista digita a idade e a altura e o dono das medidas, sem calçado e sem meias, sobe na balança. Em alguns segundos, sabe-se peso, índice de massa corporal (IMC), percentual de gordura e muito mais que isso. "Posso ver aqui que você está bebendo pouco água", disse a nutricionista a Mortal, um dos primeiros dos colegas de redação a se submeter à avaliação naquele dia.
A profissional prosseguiu: "tua idade metabólica aumentou, o que houve, parou de praticar esportes?" Não apenas Mortal ficou pasmo com aquele equipamento, mas também alguns de seus colegas de redação. É certo que Mãe Diná não tem uma balança como aquela, do contrário não estaria errando tanto em suas previsões.
Mercúrio, o editor de Cultura do jornal, ficara indignado já da primeira vez que se passou por tal avaliação, meses antes. "Essa balança é mágica por acaso, como pode saber tudo isso?" Incrédulo, prosseguiu: "só acredito mesmo no resultado da minha pressão, que foi medida com aquele aparelhinho antigo".
Quem gostou do que viu foi Graciosa. A jovem repórter, que volta e meia surge na redação vestida de rosa – e que faz jus a seu nome –, submeteu-se à avaliação logo após Mortal. "Seu peso está bom... seu percentual de gordura está ótimo... tua massa magra, melhor ainda... você pratica esportes?", perguntou a nutricionista. Resumindo, Graciosa está boa demais, graças a seus metabolismo de 12 anos.
Ao retornar à redação, ela descobriu outros dois colegas com a mesma "idade": O Cara e Dzã-dzã-dzã. Todos os três são capazes de comer bacon com ovos no café da manhã, feijoada no almoço, uma caixa de bombons no jantar e, mesmo assim, por "culpa" do metabolismo acelerado de alguém na pré-adolescência, não engordar. "Nós três estamos na 6ª série", brincou O Cara. "Logo estraremos na puberdade", emendou Dzã-dzã-dzã. Graciosa apenas riu, enquanto redigia uma matéria.
O metabolismo acelerado parece ser o segredo de uma aparência jovial. O trio aparenta ter bem menos idade do que a certidão de nascimento relata. Dzã-dzã-dzã e Graciosa se aproximam dos 25, mas aparentam algo entre 18 e 20 anos. O Cara, que está em contagem regressiva para entrar na casa dos 30, parece ter 25. O mesmo pode-se dizer de OFFíssima, 27 anos, a repórter campeã em “levantamento de garfo”, que mesmo com a calórica dieta consegue manter um abdômen “0% de gordura” – no caso dela, culpa dos 16 anos metabólicos.
Exemplo maior de que metabolismo acelerado combate o envelhecimento precoce e evita rugas está na panificadora preferida de O Cara e de Mortal. Por lá, a atendente ruiva deixa qualquer um boquiaberto quando revela a idade: 36 anos, para corpinho e pele de, no máximo, 25. De três uma: ou toma banho no formol; ou dorme em uma câmara de gás, como fazia Michael Jackson; ou tem um metabolismo de locomotiva. A resposta parece óbvia, tanto que, desde a avaliação com a nutricionista e até a conclusão desta crônica, a turma da 6ª Série parece ainda mais jovem.
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Desde seu nascimento, em março de 1981, nunca antes Mortal envelhecera tão rápido como entre junho e julho de 2009: cinco anos em 30 dias. O ganho de idade não é biológico, evidente, mas sim metabólico. Aos 28 anos, o metabolismo de Mortal estava trabalhando como o de alguém de 37 – contra 32 do mês anterior –, ou seja, era capaz de engordar se bebesse muita água. Com algum exagero na expressão, sentia-se um idoso.
Taxa metabólica que é calculada por uma balança portátil, de chão, companheira inseparável da nutricionista que faz o acompanhamento dos funcionários do jornal – lógico, apenas de quem permite ser examinado, já que há aqueles (aquelas, geralmente) que têm fobia de balança e, no dia da avaliação, fogem da avaliação como o diabo foge da cruz.
A nutricionista digita a idade e a altura e o dono das medidas, sem calçado e sem meias, sobe na balança. Em alguns segundos, sabe-se peso, índice de massa corporal (IMC), percentual de gordura e muito mais que isso. "Posso ver aqui que você está bebendo pouco água", disse a nutricionista a Mortal, um dos primeiros dos colegas de redação a se submeter à avaliação naquele dia.
A profissional prosseguiu: "tua idade metabólica aumentou, o que houve, parou de praticar esportes?" Não apenas Mortal ficou pasmo com aquele equipamento, mas também alguns de seus colegas de redação. É certo que Mãe Diná não tem uma balança como aquela, do contrário não estaria errando tanto em suas previsões.
Mercúrio, o editor de Cultura do jornal, ficara indignado já da primeira vez que se passou por tal avaliação, meses antes. "Essa balança é mágica por acaso, como pode saber tudo isso?" Incrédulo, prosseguiu: "só acredito mesmo no resultado da minha pressão, que foi medida com aquele aparelhinho antigo".
Quem gostou do que viu foi Graciosa. A jovem repórter, que volta e meia surge na redação vestida de rosa – e que faz jus a seu nome –, submeteu-se à avaliação logo após Mortal. "Seu peso está bom... seu percentual de gordura está ótimo... tua massa magra, melhor ainda... você pratica esportes?", perguntou a nutricionista. Resumindo, Graciosa está boa demais, graças a seus metabolismo de 12 anos.
Ao retornar à redação, ela descobriu outros dois colegas com a mesma "idade": O Cara e Dzã-dzã-dzã. Todos os três são capazes de comer bacon com ovos no café da manhã, feijoada no almoço, uma caixa de bombons no jantar e, mesmo assim, por "culpa" do metabolismo acelerado de alguém na pré-adolescência, não engordar. "Nós três estamos na 6ª série", brincou O Cara. "Logo estraremos na puberdade", emendou Dzã-dzã-dzã. Graciosa apenas riu, enquanto redigia uma matéria.
O metabolismo acelerado parece ser o segredo de uma aparência jovial. O trio aparenta ter bem menos idade do que a certidão de nascimento relata. Dzã-dzã-dzã e Graciosa se aproximam dos 25, mas aparentam algo entre 18 e 20 anos. O Cara, que está em contagem regressiva para entrar na casa dos 30, parece ter 25. O mesmo pode-se dizer de OFFíssima, 27 anos, a repórter campeã em “levantamento de garfo”, que mesmo com a calórica dieta consegue manter um abdômen “0% de gordura” – no caso dela, culpa dos 16 anos metabólicos.
Exemplo maior de que metabolismo acelerado combate o envelhecimento precoce e evita rugas está na panificadora preferida de O Cara e de Mortal. Por lá, a atendente ruiva deixa qualquer um boquiaberto quando revela a idade: 36 anos, para corpinho e pele de, no máximo, 25. De três uma: ou toma banho no formol; ou dorme em uma câmara de gás, como fazia Michael Jackson; ou tem um metabolismo de locomotiva. A resposta parece óbvia, tanto que, desde a avaliação com a nutricionista e até a conclusão desta crônica, a turma da 6ª Série parece ainda mais jovem.
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9 de junho de 2009
A lucidez de Barack Pandeiro
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Poucas vezes houve um happy hour tão divertido quanto naquela noite de quinta-feira, de céu estrelado e temperatura namorando a casa dos 5°C, em que um grupo de amigos do jornal da cidade escolheu para comemorar o aniversário de Mary Jane. Depois de um árduo dia de trabalho, nada melhor do que estar entre amigos - e rir da vida - para relaxar.
Fora Galletto Paulista, que de costume pede uma caninha para aquecer a garganta, todos brindaram a noite apenas com cerveja. "Beber sem brindar, dez anos sem tran...", lembrou um dos viventes, como se aquilo fosse necessário para garantir que a primeira rodada trouxesse sorte, na vida amorosa, a cada um ali presente. O riso foi inevitável, até porque um da turma bebeu antes do brinde.
O garçom trouxe minipastéis – de carne, de queijo, de vento –, e porções fritas de mandioca, batata e asinhas de frango. À medida que novos colegas davam o ar da graça, no boteco com nome de Escritório (mas com cara de boteco, é claro), o tinir do sino anunciava que, lá da cozinha, algum tipo de fritura estava a caminho. "Vê mais uma, bem gelada", era a frase mais ouvida pelos garçons, especialmente quando algum atrasado amigo surgia para reforçar o time.
Eis aí a grande diferença entre dois tipos de loiras que encantam os brasileiros. Para ser boa, uma precisa ser bem gelada, a outra tem de ser quente. Piegas a comparação? Ninguém naquela mesa, naquela noite, concordaria. Pelo contrário, piadinhas desse gênero surgiram aos montes.
Galletto, Pelicano e Dójão Augustowski foram os primeiros a chegar. Dójão, vale ressaltar, chegou inquieto: havia sido cantado por uma "funcionária" de um fervinho enquanto passava de carro, possivelmente a 15 quilômetros por hora, em frente à casa de luzes avermelhadas. Tão logo o jornal da manhã seguinte foi para as rotativas, rumaram para o boteco Sensação, Mortal, Ipanema - a menina nova no jornal - e a aniversariante, Mary Jane, que busca por um homem-aranha para chamar de seu.
Depois do primeiro tintim, chegaram ao recinto O Cara, Sanzico e Sãozico – nomes parecidos para indivíduos que, por vontade de suas mães, nasceram para homenagear um craque do Mengão. Só que, por obra do acaso, ou por pura revolta dos tempos de adolescência, um escolheu torcer para o Santos e o outro, para o São Paulo. E ambos lidam diariamente com bits, bytes, giga, url e elementos do tipo para pagar suas contas.
Quando pessoas de bem se reúnem, quando não há desavenças entre integrantes do grupo, quando estão juntos para falar de tudo, menos de trabalho, a alegria passa a ser protagonista do enredo. Sem medo de exagerar, assim foi naquela noite, especialmente após a chegada de Pandeiro, o homem dos esportes do jornal, um dos sujeitos mais de bem com a vida em Maringá.
Conhecido frequentador dos bares da Vila Operária, chegou e foi ovacionado pelos amigos, como se fosse um toureiro em dia que o touro levou a pior. No jornal, é um cidadão um tanto quieto, embora sempre bem humorado. Às vezes, cantarola alguma música antiga; às vezes, sai com alguma piada rápida para descontrair os colegas de redação. A melhor versão dele, no entanto, desabrocha no happy hour com os amigos de boteco.
"O Barack Pandeiro chegou", exclamou alguém ao colega, um moreno de cinquenta-e-poucos-anos que não aparenta a idade, mesmo com os cabelos grisalhos cacheados. "Que Barack nada", respondeu Pandeiro, em tom de piada. "Como é que pode me comparar com aquele negrinho que não tem ideia do que seja uma roda de samba, que não gosta de futebol e que nunca bebeu uma cachacinha". Enquanto a maioria ainda recuperava o fôlego, Sensação emendou: "vai virar crônica no blog!" Boa profecia: a crônica é esta, lida neste momento.
Certa altura, início da madrugada, os casados começaram a tirar uma onda com os solteiros. A proximidade dos Dia dos Namorados talvez justifique a brincadeira. Mortal pagou seus pecados nas mãos de Pandeiro, que queria entender o porquê dele estar sozinho se existe uma linda paquera na mesa ao lado, no jornal. O sábio Pandeiro de muitas rodinhas de samba, do bom torresminho e do chope gelado, bradou: "se você ainda não encontrou a mulher certa, meu jovem, divirta-se com a errada!"
Pandeiro chegou atrasado porque passou visitando alguns barzinhos no caminho, como de costume. A maioria ali, pelo alto nível das piadas, das brincadeiras, questionava-se sobre Pandeiro: "que marca de cerveja deram para ele beber, antes de chegar aqui?" Mesmo com muito sangue na cerveja, a lucidez de Pandeiro impressionou, engasgou (em decorrência dos risos) e animou a cada um dos presentes. Foi, de longe, a celebridade da noite. O presidente Obama teria dito: "this is the man!"
A pedido de colegas, o autor alterou um dos codinomes originais: de "Autustóvis" para "Dójão Augustowski".
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Poucas vezes houve um happy hour tão divertido quanto naquela noite de quinta-feira, de céu estrelado e temperatura namorando a casa dos 5°C, em que um grupo de amigos do jornal da cidade escolheu para comemorar o aniversário de Mary Jane. Depois de um árduo dia de trabalho, nada melhor do que estar entre amigos - e rir da vida - para relaxar.
Fora Galletto Paulista, que de costume pede uma caninha para aquecer a garganta, todos brindaram a noite apenas com cerveja. "Beber sem brindar, dez anos sem tran...", lembrou um dos viventes, como se aquilo fosse necessário para garantir que a primeira rodada trouxesse sorte, na vida amorosa, a cada um ali presente. O riso foi inevitável, até porque um da turma bebeu antes do brinde.
O garçom trouxe minipastéis – de carne, de queijo, de vento –, e porções fritas de mandioca, batata e asinhas de frango. À medida que novos colegas davam o ar da graça, no boteco com nome de Escritório (mas com cara de boteco, é claro), o tinir do sino anunciava que, lá da cozinha, algum tipo de fritura estava a caminho. "Vê mais uma, bem gelada", era a frase mais ouvida pelos garçons, especialmente quando algum atrasado amigo surgia para reforçar o time.
Eis aí a grande diferença entre dois tipos de loiras que encantam os brasileiros. Para ser boa, uma precisa ser bem gelada, a outra tem de ser quente. Piegas a comparação? Ninguém naquela mesa, naquela noite, concordaria. Pelo contrário, piadinhas desse gênero surgiram aos montes.
Galletto, Pelicano e Dójão Augustowski foram os primeiros a chegar. Dójão, vale ressaltar, chegou inquieto: havia sido cantado por uma "funcionária" de um fervinho enquanto passava de carro, possivelmente a 15 quilômetros por hora, em frente à casa de luzes avermelhadas. Tão logo o jornal da manhã seguinte foi para as rotativas, rumaram para o boteco Sensação, Mortal, Ipanema - a menina nova no jornal - e a aniversariante, Mary Jane, que busca por um homem-aranha para chamar de seu.
Depois do primeiro tintim, chegaram ao recinto O Cara, Sanzico e Sãozico – nomes parecidos para indivíduos que, por vontade de suas mães, nasceram para homenagear um craque do Mengão. Só que, por obra do acaso, ou por pura revolta dos tempos de adolescência, um escolheu torcer para o Santos e o outro, para o São Paulo. E ambos lidam diariamente com bits, bytes, giga, url e elementos do tipo para pagar suas contas.
Quando pessoas de bem se reúnem, quando não há desavenças entre integrantes do grupo, quando estão juntos para falar de tudo, menos de trabalho, a alegria passa a ser protagonista do enredo. Sem medo de exagerar, assim foi naquela noite, especialmente após a chegada de Pandeiro, o homem dos esportes do jornal, um dos sujeitos mais de bem com a vida em Maringá.
Conhecido frequentador dos bares da Vila Operária, chegou e foi ovacionado pelos amigos, como se fosse um toureiro em dia que o touro levou a pior. No jornal, é um cidadão um tanto quieto, embora sempre bem humorado. Às vezes, cantarola alguma música antiga; às vezes, sai com alguma piada rápida para descontrair os colegas de redação. A melhor versão dele, no entanto, desabrocha no happy hour com os amigos de boteco.
"O Barack Pandeiro chegou", exclamou alguém ao colega, um moreno de cinquenta-e-poucos-anos que não aparenta a idade, mesmo com os cabelos grisalhos cacheados. "Que Barack nada", respondeu Pandeiro, em tom de piada. "Como é que pode me comparar com aquele negrinho que não tem ideia do que seja uma roda de samba, que não gosta de futebol e que nunca bebeu uma cachacinha". Enquanto a maioria ainda recuperava o fôlego, Sensação emendou: "vai virar crônica no blog!" Boa profecia: a crônica é esta, lida neste momento.
Certa altura, início da madrugada, os casados começaram a tirar uma onda com os solteiros. A proximidade dos Dia dos Namorados talvez justifique a brincadeira. Mortal pagou seus pecados nas mãos de Pandeiro, que queria entender o porquê dele estar sozinho se existe uma linda paquera na mesa ao lado, no jornal. O sábio Pandeiro de muitas rodinhas de samba, do bom torresminho e do chope gelado, bradou: "se você ainda não encontrou a mulher certa, meu jovem, divirta-se com a errada!"
Pandeiro chegou atrasado porque passou visitando alguns barzinhos no caminho, como de costume. A maioria ali, pelo alto nível das piadas, das brincadeiras, questionava-se sobre Pandeiro: "que marca de cerveja deram para ele beber, antes de chegar aqui?" Mesmo com muito sangue na cerveja, a lucidez de Pandeiro impressionou, engasgou (em decorrência dos risos) e animou a cada um dos presentes. Foi, de longe, a celebridade da noite. O presidente Obama teria dito: "this is the man!"
A pedido de colegas, o autor alterou um dos codinomes originais: de "Autustóvis" para "Dójão Augustowski".
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19 de maio de 2009
Canáááááááários!
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Há quem diga que jornalista só anda junto. Não é verdade, mas quando andam em grupo, fora da rotina de trabalho, costumam aproveitar com intensidade cada momento. Isso, sim, é verdade. Foi o que aconteceu no domingo, último dia da Expoingá 2009.
“Vou levar minha sobrinha nos brinquedos do parque, vamos juntos?” A ideia foi da repórter setorista de saúde, Lois Lane, que recebeu a demonstração de interesse de um bom número de colegas. Contudo, na hora de enfrentar o desafio apenas O Cara, Dzã-dzã-dzã, Mortal e Sensação – além de Lois e a pequena sobrinha – marcaram presença no ponto de encontro: o próprio jornal.
Já no Parque de Exposições de Maringá, por volta das 18 horas, o jeito foi encarar longas filas em cada um dos brinquedos. O primeiro deles foi eleito por unanimidade: o bate-bate ou tromba-tromba – que lá em Pato Branco se chama carrinho de choque. Um clássico dos parques de diversão, capaz de fazer qualquer marmanjo se sentir dez anos mais jovem, no mínimo.
A julgar pelo trânsito da cidade, Mortal questionou os colegas se não seria ali o local onde os maringaenses aprendem a dirigir. Na “autoescola”, ou melhor, no bate-bate a maioria dos “clientes” geralmente são crianças, mas chegada a vez dos jornalistas, por coincidência ou não, a maior parte dos “motoristas” eram adultos. Dzã-dzã-dzã, que tirou em Maringá a habilitação para dirigir, parecia o mais familiarizado com os carros de um único pedal, movidos à eletricidade. O Cara, o mais alto da turma, teve certa dificuldade para acomodar as pernas dentro do cockpit.

Na literatura, fala-se muito da fonte da juventude. Essa é, quem sabe, a melhor analogia para definir um brinquedo feito para crianças, mas que segue encantando pessoas de todas as idades. Dali, os rejuvenescidos amigos partiram para os brinquedos mais radicais. O mais impressionante deles era também o mais caro. O ingresso do extreme custava R$ 5, dos demais brinquedos R$ 3.
Trata-se de um pêndulo com quatro bancos, cada qual com quatro assentos. Atinge altura maior que o barco viking e velocidade superior ao kamikaze. Para piorar, além do movimento pêndulo, o aparelho gira os assentos no sentido horário, proporcionando mais: emoção, frio no estômago, náuseas, falta de fôlego, medo, tontura, entre outros efeitos colaterais. Na fila, o jeito era não fitar os olhos no brinquedo, para não correr o risco de uma desistência súbita.
Chegada a hora de encarar o extreme, Lois sugeriu o seguinte grito de guerra: “canáááááááários”, com um 'A' acentuado para cada integrante da galera – reforçada com a chegada de OFFíssima e de seu noivo argentino. E foi o que mais se ouviu do grupo, tão logo o botão “on” do aparelho foi acionado. Quanto mais altitude e velocidade tomava o pêndulo, mais canários eram ouvidos. É em horas como aquela que surgem três inevitáveis e pertinentes perguntas: “que diabos estou fazendo aqui? Será que vou aguentar sem vomitar? Quando é que essa M. vai parar? Para quem vê de fora é questão de segundos; para quem resolve encarar, a “bagaça” leva uma eternidade.
Todos sobreviveram, lógico que com doses de pânico e adrenalina distintos. Não satisfeito com a liquidificante experiência, O Cara bradou: “vamos na montanha-russa agora?” Para o estômago de OFFíssima e seu noivo, o extreme foi o suficiente, mas os demais toparam a ideia de O Cara. Como diz a nova máxima: brasileiro não desiste nunca!
Por mais que os engenheiros se dediquem a projetar novos brinquedos, a montanha russa segue com o status de “Pelé” dos parques de diversão, veste sempre a "camisa 10" e se destaca fácil entre os demais brinquedos. Parte da adrenalina que ela proporciona, vale ressaltar, vem do som dos carrinhos sobre os trilhos e do deslocamento de ar dos bólidos em alta velocidade. Provavelmente são projetadas por sujeitos dementes que, nos tempos de faculdade de Engenharia, passavam horas projetando instrumentos de tortura para testar nos calouros.
Na montanha-russa composta por uma grande descida inicial, um looping e várias curvas fechadas, a sensação de medo foi maior que no extreme. Mortal e Lois, que em oportunidades anteriores já haviam encarado as cruéis montantas-russas invertidas, que o digam. Sensação ficou pálida, a pressão arterial de Mortal desceu para amarrar seus cadarços e O Cara, após segundos de gritos sem tomar ar, ficou em silêncio – sabe lá quais efeitos colaterais acometeram o pobre homem. Enquanto isso, Lois, sua sobrinha e Dzã-dzã-dzã já pensavam na próxima aventura.
Os três incansáveis (loucos, por que não) foram numa “roda gigante velocista”, mais rápida que todos os demais brinquedos. O "trem" girava sem piedade e sem preguiça, a princípio na horizontal, inclinando para a vertical aos poucos. Sensação tirava fotos, O Cara reparava na aparência dos três – Lois de olhos fechados, sua sobrinha de olhos arregalados e Dzã-dzã-dzã vermelho como um pimentão –, enquanto Mortal contava o número de voltas rápidas, capazes de fazer Rubens Barrichello voltar a vencer uma corrida.
Alguém ainda ousou, e desta vez não foi O Cara, comentar: "não vamos no kamikaze?" A infeliz ideia foi seguida de um uníssono "nããããão!" Pudera, naquela altura do campeonato ninguém queria encarar um "piloto suicida japonês", todos queriam mesmo era um pastel banhento com Coca-Cola, para ajudar a descer. Extreme, montanha-russa e similares... deixa para o próximo ano.
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Há quem diga que jornalista só anda junto. Não é verdade, mas quando andam em grupo, fora da rotina de trabalho, costumam aproveitar com intensidade cada momento. Isso, sim, é verdade. Foi o que aconteceu no domingo, último dia da Expoingá 2009.
“Vou levar minha sobrinha nos brinquedos do parque, vamos juntos?” A ideia foi da repórter setorista de saúde, Lois Lane, que recebeu a demonstração de interesse de um bom número de colegas. Contudo, na hora de enfrentar o desafio apenas O Cara, Dzã-dzã-dzã, Mortal e Sensação – além de Lois e a pequena sobrinha – marcaram presença no ponto de encontro: o próprio jornal.
Já no Parque de Exposições de Maringá, por volta das 18 horas, o jeito foi encarar longas filas em cada um dos brinquedos. O primeiro deles foi eleito por unanimidade: o bate-bate ou tromba-tromba – que lá em Pato Branco se chama carrinho de choque. Um clássico dos parques de diversão, capaz de fazer qualquer marmanjo se sentir dez anos mais jovem, no mínimo.
A julgar pelo trânsito da cidade, Mortal questionou os colegas se não seria ali o local onde os maringaenses aprendem a dirigir. Na “autoescola”, ou melhor, no bate-bate a maioria dos “clientes” geralmente são crianças, mas chegada a vez dos jornalistas, por coincidência ou não, a maior parte dos “motoristas” eram adultos. Dzã-dzã-dzã, que tirou em Maringá a habilitação para dirigir, parecia o mais familiarizado com os carros de um único pedal, movidos à eletricidade. O Cara, o mais alto da turma, teve certa dificuldade para acomodar as pernas dentro do cockpit.

Na literatura, fala-se muito da fonte da juventude. Essa é, quem sabe, a melhor analogia para definir um brinquedo feito para crianças, mas que segue encantando pessoas de todas as idades. Dali, os rejuvenescidos amigos partiram para os brinquedos mais radicais. O mais impressionante deles era também o mais caro. O ingresso do extreme custava R$ 5, dos demais brinquedos R$ 3.
Trata-se de um pêndulo com quatro bancos, cada qual com quatro assentos. Atinge altura maior que o barco viking e velocidade superior ao kamikaze. Para piorar, além do movimento pêndulo, o aparelho gira os assentos no sentido horário, proporcionando mais: emoção, frio no estômago, náuseas, falta de fôlego, medo, tontura, entre outros efeitos colaterais. Na fila, o jeito era não fitar os olhos no brinquedo, para não correr o risco de uma desistência súbita.
Chegada a hora de encarar o extreme, Lois sugeriu o seguinte grito de guerra: “canáááááááários”, com um 'A' acentuado para cada integrante da galera – reforçada com a chegada de OFFíssima e de seu noivo argentino. E foi o que mais se ouviu do grupo, tão logo o botão “on” do aparelho foi acionado. Quanto mais altitude e velocidade tomava o pêndulo, mais canários eram ouvidos. É em horas como aquela que surgem três inevitáveis e pertinentes perguntas: “que diabos estou fazendo aqui? Será que vou aguentar sem vomitar? Quando é que essa M. vai parar? Para quem vê de fora é questão de segundos; para quem resolve encarar, a “bagaça” leva uma eternidade.
Todos sobreviveram, lógico que com doses de pânico e adrenalina distintos. Não satisfeito com a liquidificante experiência, O Cara bradou: “vamos na montanha-russa agora?” Para o estômago de OFFíssima e seu noivo, o extreme foi o suficiente, mas os demais toparam a ideia de O Cara. Como diz a nova máxima: brasileiro não desiste nunca!
Por mais que os engenheiros se dediquem a projetar novos brinquedos, a montanha russa segue com o status de “Pelé” dos parques de diversão, veste sempre a "camisa 10" e se destaca fácil entre os demais brinquedos. Parte da adrenalina que ela proporciona, vale ressaltar, vem do som dos carrinhos sobre os trilhos e do deslocamento de ar dos bólidos em alta velocidade. Provavelmente são projetadas por sujeitos dementes que, nos tempos de faculdade de Engenharia, passavam horas projetando instrumentos de tortura para testar nos calouros.
Na montanha-russa composta por uma grande descida inicial, um looping e várias curvas fechadas, a sensação de medo foi maior que no extreme. Mortal e Lois, que em oportunidades anteriores já haviam encarado as cruéis montantas-russas invertidas, que o digam. Sensação ficou pálida, a pressão arterial de Mortal desceu para amarrar seus cadarços e O Cara, após segundos de gritos sem tomar ar, ficou em silêncio – sabe lá quais efeitos colaterais acometeram o pobre homem. Enquanto isso, Lois, sua sobrinha e Dzã-dzã-dzã já pensavam na próxima aventura.
Os três incansáveis (loucos, por que não) foram numa “roda gigante velocista”, mais rápida que todos os demais brinquedos. O "trem" girava sem piedade e sem preguiça, a princípio na horizontal, inclinando para a vertical aos poucos. Sensação tirava fotos, O Cara reparava na aparência dos três – Lois de olhos fechados, sua sobrinha de olhos arregalados e Dzã-dzã-dzã vermelho como um pimentão –, enquanto Mortal contava o número de voltas rápidas, capazes de fazer Rubens Barrichello voltar a vencer uma corrida.
Alguém ainda ousou, e desta vez não foi O Cara, comentar: "não vamos no kamikaze?" A infeliz ideia foi seguida de um uníssono "nããããão!" Pudera, naquela altura do campeonato ninguém queria encarar um "piloto suicida japonês", todos queriam mesmo era um pastel banhento com Coca-Cola, para ajudar a descer. Extreme, montanha-russa e similares... deixa para o próximo ano.
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21 de abril de 2009
Sensação na calada da noite
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O que Sensação faz quando está acompanhada, entre quatro paredes, ninguém fica sabendo - a não ser que a companhia seja de uma turma de amigos. Na véspera do feriado, certa altura da madrugada, o porteiro bateu à porta para avisar que alguns vizinhos estavam reclamando dos decibéis acima da conta. A sexta-feira, todos ali sabiam, era santa, mas ninguém disse que precisava ser silenciosa.
A protagonista da vez é uma mulher bem resolvida. Pouco mais de 30 anos, morena de pele clara, alta e magra, Sensação tem um bom emprego, carro e apartamento próprio, enfim, paga suas contas. Não é casada e, dizem os amigos, melhor que seja assim - do contrário, temem perder uma grande companhia. Enquanto ela não engata um namoro firme, aproveita a vida de solteira para receber em sua ultra-bem-ajeitada residência os amigos e amigas mais "vips" (como ela bem diz).
A primeira a chegar foi Diliça, a autoestima em pessoa, que surgiu acompanhada de Fanta Uva e Mortal. Ele trouxe vinho e Fanta Uva, uma fome de leão. Platini e sua noiva Rafaella também não demoraram a chegar, com um engradado de cerveja e dois pacotinhos de amendoim. "Convidei o Zidane, será que ligo para ele", questionou Sensação, pouco antes da meia-noite, toda preocupada com uma possível ausência do "craque francês". Diliça e Mortal se olharam, numa fração telepática de segundo, como se tivessem em mente a mesma sentença: "quanto interesse no Zidane, aí tem coisa hein".
Zidane surgiu, mais careca do que nunca, porém, com a mesma boa forma dos tempos de Copa do Mundo. Certamente, ganhou alguns pontinhos com a anfitriã da noite. Sensação é uma mulher doce, de lida fácil, mas tende a sofrer alterações bruscas de humor quando seus amigos aceitam o convite e, depois, não comparecem. Foi o caso de OFFíssima, O Cara e Lois Lane. Esta, do alto de sua aguçada esperteza, enviou uma suculenta torta salgada para compensar a ausência e, assim, garantir mais alguns anos de vida. OFFíssima e O Cara agendaram outros compromissos e, infelizmente, a uma altura dessas já devem ter perdido o pescoço.
No calar da noite, o apartamento de Sensação era um alto-falante. Diliça dizia que precisava encontrar o botão do volume de Mortal e Platini, mas era ela quem tagarelava mais alto. Bebendo vinho ou cerveja, comendo amendoim ou torta, todos riam, todos falavam, todos contavam um causo engraçado, todos choravam (claro, de tanto rir).
Já pelas tantas da madrugada, Platini, o exagero-man em pessoa, relatava algumas de suas mirabolantes histórias, quase todas desmentidas ou diminuídas por Rafaella. Verdade ou mentira, ele garantia à galera gargalhadas de fazer faltar fôlego. Platini não é o cara, mas, quatro garrafas de vinho depois, todos o achavam o mais divertido, todos precisavam respirar fundo ao fim de cada "piada".
O ápice do show amador de humor ainda estava por vir. Não se sabe por que, Sensação resolveu mostrar ao pessoal um presente indiscreto que havia ganhado dias antes: uma caixa de bombons proveniente de um sex shop. O único chocolate que sobrara na caixa foi, num piscar de olhos, arrebatado por Platini. De repente, estava ele com o pinto de chocolate na mão, todo faceiro, apontando o "trubisco" para Zidane. Aí sim, faltou fôlego.
Sem sucesso, Rafaella insistia: "larga esse negócio aí". Platini segurava o "negócio" como ser fosse uma pistola, bem mirada contra Zidane, que por sua vez disfarçava o sorriso - não queria que percebessem que estava gostando da cena. Mortal procurava, urgentemente, uma máquina fotográfica para registrar o momento. Diliça foi flagrada pelas lentes de tal modo que seu pensamento parecia legendado: "esse eu pegava!". Sensação e Fanta Uva se esforçavam, em vão, para conter a barulheira generalizada.
Já era passado das 4 horas quando, com alguma insistência, Platini se decidiu pelo desarmamento. E só o fez porque a pistola começara a se derreter na mão dele. Isso tudo, e muito mais, ficou documentado em fotos, para a posteridade, para que os netos de cada um possam ver - muito lá no futuro - o quanto bacanas eram seus avós. Pena que as imagens, que dizem valer por mil palavras, não consigam guardar o som daquelas boas e intermináveis risadas. Todos se divertiram muito, exceto os vizinhos.
O que Sensação faz quando está acompanhada, entre quatro paredes, ninguém fica sabendo - a não ser que a companhia seja de uma turma de amigos. Na véspera do feriado, certa altura da madrugada, o porteiro bateu à porta para avisar que alguns vizinhos estavam reclamando dos decibéis acima da conta. A sexta-feira, todos ali sabiam, era santa, mas ninguém disse que precisava ser silenciosa.
A protagonista da vez é uma mulher bem resolvida. Pouco mais de 30 anos, morena de pele clara, alta e magra, Sensação tem um bom emprego, carro e apartamento próprio, enfim, paga suas contas. Não é casada e, dizem os amigos, melhor que seja assim - do contrário, temem perder uma grande companhia. Enquanto ela não engata um namoro firme, aproveita a vida de solteira para receber em sua ultra-bem-ajeitada residência os amigos e amigas mais "vips" (como ela bem diz).
A primeira a chegar foi Diliça, a autoestima em pessoa, que surgiu acompanhada de Fanta Uva e Mortal. Ele trouxe vinho e Fanta Uva, uma fome de leão. Platini e sua noiva Rafaella também não demoraram a chegar, com um engradado de cerveja e dois pacotinhos de amendoim. "Convidei o Zidane, será que ligo para ele", questionou Sensação, pouco antes da meia-noite, toda preocupada com uma possível ausência do "craque francês". Diliça e Mortal se olharam, numa fração telepática de segundo, como se tivessem em mente a mesma sentença: "quanto interesse no Zidane, aí tem coisa hein".
Zidane surgiu, mais careca do que nunca, porém, com a mesma boa forma dos tempos de Copa do Mundo. Certamente, ganhou alguns pontinhos com a anfitriã da noite. Sensação é uma mulher doce, de lida fácil, mas tende a sofrer alterações bruscas de humor quando seus amigos aceitam o convite e, depois, não comparecem. Foi o caso de OFFíssima, O Cara e Lois Lane. Esta, do alto de sua aguçada esperteza, enviou uma suculenta torta salgada para compensar a ausência e, assim, garantir mais alguns anos de vida. OFFíssima e O Cara agendaram outros compromissos e, infelizmente, a uma altura dessas já devem ter perdido o pescoço.
No calar da noite, o apartamento de Sensação era um alto-falante. Diliça dizia que precisava encontrar o botão do volume de Mortal e Platini, mas era ela quem tagarelava mais alto. Bebendo vinho ou cerveja, comendo amendoim ou torta, todos riam, todos falavam, todos contavam um causo engraçado, todos choravam (claro, de tanto rir).
Já pelas tantas da madrugada, Platini, o exagero-man em pessoa, relatava algumas de suas mirabolantes histórias, quase todas desmentidas ou diminuídas por Rafaella. Verdade ou mentira, ele garantia à galera gargalhadas de fazer faltar fôlego. Platini não é o cara, mas, quatro garrafas de vinho depois, todos o achavam o mais divertido, todos precisavam respirar fundo ao fim de cada "piada".
O ápice do show amador de humor ainda estava por vir. Não se sabe por que, Sensação resolveu mostrar ao pessoal um presente indiscreto que havia ganhado dias antes: uma caixa de bombons proveniente de um sex shop. O único chocolate que sobrara na caixa foi, num piscar de olhos, arrebatado por Platini. De repente, estava ele com o pinto de chocolate na mão, todo faceiro, apontando o "trubisco" para Zidane. Aí sim, faltou fôlego.
Sem sucesso, Rafaella insistia: "larga esse negócio aí". Platini segurava o "negócio" como ser fosse uma pistola, bem mirada contra Zidane, que por sua vez disfarçava o sorriso - não queria que percebessem que estava gostando da cena. Mortal procurava, urgentemente, uma máquina fotográfica para registrar o momento. Diliça foi flagrada pelas lentes de tal modo que seu pensamento parecia legendado: "esse eu pegava!". Sensação e Fanta Uva se esforçavam, em vão, para conter a barulheira generalizada.
Já era passado das 4 horas quando, com alguma insistência, Platini se decidiu pelo desarmamento. E só o fez porque a pistola começara a se derreter na mão dele. Isso tudo, e muito mais, ficou documentado em fotos, para a posteridade, para que os netos de cada um possam ver - muito lá no futuro - o quanto bacanas eram seus avós. Pena que as imagens, que dizem valer por mil palavras, não consigam guardar o som daquelas boas e intermináveis risadas. Todos se divertiram muito, exceto os vizinhos.
26 de janeiro de 2009
Uma "diliça" de madrugada
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Estou disposto encerrar 2009 e, no balanço de fim de ano, exclamar: "puxa, foi o melhor ano da minha vida". Na escola, quando se tira uma nota muito baixa, é necessário mandar bem no teste seguinte (ou preparar uma cola bem discreta) para compensar. Com a vida é a mesma coisa, se um ano foi ruim, o seguinte precisa ser melhor.
O final de semana mostrou que o melhor está por vir. No domingo trabalhei, no sábado não teria nada para fazer. Nada, até surgirem "do além" dois amigos. Algo a ressaltar: não é necessário muito mais do que a companhia de bons amigos para ser feliz.
Na sexta-feira do happy hour, o que tive foi um tired hour. Saí do jornal já era passado das 22 horas, cansado, com fome, mas completamente sem sono. Queria escrever, mas não estava disposto a atualizar meu blog. A solução foi entrar no MSN, a cocaína da internet (poucas coisas viciam tanto na grande rede).
Com as melhores do Neil Diamond tocando na caixinha de som do computador, como massagem para meus ouvidos, encontrei online no MSN uma estudante de Direito que conheci em 2008, durante uma reportagem na Câmara Municipal. Linda, simpática, inteligente, pop, encantadora - mas, infelizmente, sempre tão distante. Com Neil Diamond cantando "Sweet Caroline", a vontade era convidá-la para dar uma volta, para ter a companhia de alguém que realmente vale a pena.
Como costuma acontecer com os mortais, mal tive tempo de concluir o raciocínio ouço o barulhinho chato de nova mensagem no MSN. Era ela, por volta da meia-noite e meia, dizendo que estava de pijama, mas que iria sair. "Minhas amigas vão passar aqui em alguns minutos", explicou. Ainda tive tempo de responder antes de mandar um beijo de despedida (que virtulamente não tem graça alguma): "comigo, se o telefone tocasse agora, seria trabalho na certa", disse, um tanto desanimado.
No Windows Media Player tocava "Girl, you'll be a woman soon", do Neil Diamond. Na minha mesa pouco organizada, o café já tinha acabado. No MSN, quase ninguém online (todos deviam estar festando). Pensei: "Neil Diamond, você e a Pituli (minha cadelinha) serão minha companhia nesta madrugada de insônia".
Felizmente, estava enganado. Pouco antes da 1 hora, eis que aparece online um amigo, repórter também (dos bons), questionando: "está a fim de beber um vinho". Não sei decor o que respondi, mas foi algo do tipo: "estou, mas só nós dois?" Seria melhor, com certeza, uma companhia feminina. "Vai mais alguém?", perguntei.
O Cara é dons bons, já tinha pensado em tudo. O colega repórter já tinha convidado uma amiga em comum, também jornalista, para uma rodada de vinho, música, risadas. Sem pressa, sem olhar para o relógio, para mostrar aos problemas de 2008 que a felicidade curte as pessoas de bem.
"Ela já passa aí te pegar", disse ele. "Tábom, preciso de dez minutos", respondi, desliguei o notebook e me aprontei, como se ainda fosse uma criança a instantes de uma festinha repleta de brigadeiros, beijinhos e muita Coca-Cola.
Três jornalistas - o Mortal (eu), o Cara e a Diliça (como ela mesmo gosta de citar, com toda a razão) - curtindo a madrugada adoidado. Um incenso para o ar, um vinho tinto seco para animar. A marca do primeiro não lembro, o segundo era um Conha y Toro - de excelente custo-benefício.
No apartamento do Cara, tudo muito no lugar (ele mesmo faz a faxina), conversamos sobre tudo, de sexo à religião; ouvimos as melhores músicas; assistimos no YouTube a alguns clipes - para tirar a dúvida de quem é melhor: Beyoncé ou Shakira (esta, é claro) -; e dançamos. O Mortal aqui fez algo que, algumas taças de vinho depois, poderia ser classificado como dança, com algum esforço.
Pouco acostumada com o cálice fermentado de uvas, Diliça caiu no sono lá pelas 5h45. Mortal e o Cara, ainda sem sono, tentavam compreender, com auxílio de um livro, como é que os signos do zodíaco podem explicar quem somos. A única conclusão que tiramos, lá pelas 6h30, é de que estávamos varados de fome.
Loucura. O dia já tinha amanhecido, mesmo assim não tínhamos esgotado o estoque de risadas. Como ser feliz faz bem. E se rir rejuvenesce, devo ter ficado uns cinco anos mais jovem (embora não tenha notado diferença alguma no dia seguinte). Depois do café na Panificadora Holandesa, o Cara foi dormir, Diliça foi finalizar uma matéria e, o Mortal aqui, ler o jornal do dia. E que dia, melhor, que madrugada.
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Estou disposto encerrar 2009 e, no balanço de fim de ano, exclamar: "puxa, foi o melhor ano da minha vida". Na escola, quando se tira uma nota muito baixa, é necessário mandar bem no teste seguinte (ou preparar uma cola bem discreta) para compensar. Com a vida é a mesma coisa, se um ano foi ruim, o seguinte precisa ser melhor.
O final de semana mostrou que o melhor está por vir. No domingo trabalhei, no sábado não teria nada para fazer. Nada, até surgirem "do além" dois amigos. Algo a ressaltar: não é necessário muito mais do que a companhia de bons amigos para ser feliz.
Na sexta-feira do happy hour, o que tive foi um tired hour. Saí do jornal já era passado das 22 horas, cansado, com fome, mas completamente sem sono. Queria escrever, mas não estava disposto a atualizar meu blog. A solução foi entrar no MSN, a cocaína da internet (poucas coisas viciam tanto na grande rede).
Com as melhores do Neil Diamond tocando na caixinha de som do computador, como massagem para meus ouvidos, encontrei online no MSN uma estudante de Direito que conheci em 2008, durante uma reportagem na Câmara Municipal. Linda, simpática, inteligente, pop, encantadora - mas, infelizmente, sempre tão distante. Com Neil Diamond cantando "Sweet Caroline", a vontade era convidá-la para dar uma volta, para ter a companhia de alguém que realmente vale a pena.
Como costuma acontecer com os mortais, mal tive tempo de concluir o raciocínio ouço o barulhinho chato de nova mensagem no MSN. Era ela, por volta da meia-noite e meia, dizendo que estava de pijama, mas que iria sair. "Minhas amigas vão passar aqui em alguns minutos", explicou. Ainda tive tempo de responder antes de mandar um beijo de despedida (que virtulamente não tem graça alguma): "comigo, se o telefone tocasse agora, seria trabalho na certa", disse, um tanto desanimado.
No Windows Media Player tocava "Girl, you'll be a woman soon", do Neil Diamond. Na minha mesa pouco organizada, o café já tinha acabado. No MSN, quase ninguém online (todos deviam estar festando). Pensei: "Neil Diamond, você e a Pituli (minha cadelinha) serão minha companhia nesta madrugada de insônia".
Felizmente, estava enganado. Pouco antes da 1 hora, eis que aparece online um amigo, repórter também (dos bons), questionando: "está a fim de beber um vinho". Não sei decor o que respondi, mas foi algo do tipo: "estou, mas só nós dois?" Seria melhor, com certeza, uma companhia feminina. "Vai mais alguém?", perguntei.
O Cara é dons bons, já tinha pensado em tudo. O colega repórter já tinha convidado uma amiga em comum, também jornalista, para uma rodada de vinho, música, risadas. Sem pressa, sem olhar para o relógio, para mostrar aos problemas de 2008 que a felicidade curte as pessoas de bem.
"Ela já passa aí te pegar", disse ele. "Tábom, preciso de dez minutos", respondi, desliguei o notebook e me aprontei, como se ainda fosse uma criança a instantes de uma festinha repleta de brigadeiros, beijinhos e muita Coca-Cola.
Três jornalistas - o Mortal (eu), o Cara e a Diliça (como ela mesmo gosta de citar, com toda a razão) - curtindo a madrugada adoidado. Um incenso para o ar, um vinho tinto seco para animar. A marca do primeiro não lembro, o segundo era um Conha y Toro - de excelente custo-benefício.
No apartamento do Cara, tudo muito no lugar (ele mesmo faz a faxina), conversamos sobre tudo, de sexo à religião; ouvimos as melhores músicas; assistimos no YouTube a alguns clipes - para tirar a dúvida de quem é melhor: Beyoncé ou Shakira (esta, é claro) -; e dançamos. O Mortal aqui fez algo que, algumas taças de vinho depois, poderia ser classificado como dança, com algum esforço.
Pouco acostumada com o cálice fermentado de uvas, Diliça caiu no sono lá pelas 5h45. Mortal e o Cara, ainda sem sono, tentavam compreender, com auxílio de um livro, como é que os signos do zodíaco podem explicar quem somos. A única conclusão que tiramos, lá pelas 6h30, é de que estávamos varados de fome.
Loucura. O dia já tinha amanhecido, mesmo assim não tínhamos esgotado o estoque de risadas. Como ser feliz faz bem. E se rir rejuvenesce, devo ter ficado uns cinco anos mais jovem (embora não tenha notado diferença alguma no dia seguinte). Depois do café na Panificadora Holandesa, o Cara foi dormir, Diliça foi finalizar uma matéria e, o Mortal aqui, ler o jornal do dia. E que dia, melhor, que madrugada.
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