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11 de março de 2009

LF & Edu: pé na estrada

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Os amigos que vêm acompanhando o Blog do LF bem sabem do principal planejamento para minhas férias: uma viagem entre irmãos. Algo que desejava há tantos anos e que vai começar a se materializar nesta quarta-feira (11), ao amanhecer, quando LF e Eduardo pegarem a estrada.

Por sete ou oito dias vamos percorrer (de carro) primeiro o litoral catarinense - Bombinhas e praias vizinhas e também Florianópolis -, com direito a Beto Carrero. O destino seguinte será a serra gaúcha, com a possibilidade de uma rápida passagem pela "capital do mundo" - ou melhor, Porto Alegre - não sem antes visitar alguma vinícola em Bento Gonçalves (RS), além das convidativas Gramado e Canela.

Trata-se de uma viagem muito importante para mim - creio que para meu irmão do meio também. A diferença de um ano e meio na idade sempre nos fez ser muito próximos. Frequentávamos as mesmas escolas, participávamos juntos do grupo de juvenis da igreja (Metodista), jogávamos no mesmo time amador de futsal, sentávamos no meio-fio em frente de casa para ver as meninas bonitas do bairro passar... mas nunca fizemos uma viagem juntos, apenas os dois.

O momento tão esperado chegou. Talvez por isso tudo, na véspera da viagem estava tão ansioso quanto na ocasião do embarque à Alemanha, em setembro de 2006. Estava em demasia inquieto, agitação que só passou com um chá de alguma coisa que dona Clacy preparou para eu beber.

Uma prévia do que faríamos por estes dias demos na segunda-feira (9). Ele e nossa mãe viajariam a Dionísio Cerqueira (SC) para tirar o passaporte - Edu e dona Clacy querem conhecer Portugal - e me convidaram para ir junto e aproveitar a ocasião para fazer umas compras na Argentina. Fomos, compramos (eu, vinhos), conversamos (muito), rimos, voltamos. Trouxe de lá uma peculiar mostarda argentina, com mel e pimenta, para meu irmão mais novo (João Paulo) - que não pôde ir.

O JP é formando em Publicidade & Propaganda e, estagiário, está empenhado no emprego para ser contratado - o que deve ocorrer pelos próximos dias. Competente, vai atingir o objetivo. Por isso não pôde ir à Argentina, por isso não viajará junto ao litoral catarinense e à serra gaúcha. Felizmente, tive a companhia dele na viagem à casa de meus pais no alagado (lago, barragem) do Iguaçu, no primeiro fim de semana após o início de minhas férias, em 2 de março.

A verdade é que já deveria estar dormindo para, o mais descansado possível, iniciar com as baterias recarregadas essa viagem que considero tão importante. Contudo, não resisti a uma última postagem antes de pôr o pé na estrada. Terminei de aprontar as malas e corri escrever. A intenção é publicar um texto ao fim de cada dia dessa viagem, por isso registro aqui o convite para que os amigos leitores acessem o Blog do LF e comentem as postagens. E que Deus abençõe a todos.
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Na primeira foto mãe e filhos na fronteira entre Brasil e Argentina; na segunda foto LF esperando o sol nascer, no alagado do Iguaçu.
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22 de fevereiro de 2009

O apóstolo e os fugitivos

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O sentimento era de conquista e satisfação. Lembro-me como se fosse hoje da vez em que acertei as seis dezenas da Mega-Sena - não fui o único ganhador nem o prêmio estava acumulado. A quantia não era absurda, no entanto, mais de R$ 1 milhão não pode ser considerado pouco. Com a grana daria, certamente, para comprar um Porsche, um apartamento na Avenida XV de Novembro, próximo à Catedral de Maringá, e para fazer uma viagem à Groenlândia em mês de aurora boreal.

Por questões de discrição e segurança, contei a façanha apenas a meus pais, irmãos e aos amigos do peito. Era importante que o mínimo de pessoas soubessem, assim esperava ser possível levar uma vida "normal" dali em diante, mesmo com os bolsos abarrotados de dinheiro. Não queria que a mulher especial se interessasse por mim por causa do cheiro de gasolina do Porsche.

Fora minha mãe, nenhuma outra mulher ficou sabendo. As fêmeas, talvez por instinto, talvez pela oscilação hormonal, necessitam de confidentes. "Não conto para ninguém", vindo de uma mulher, significa: "não conto para ninguém, só para minha melhor amiga". E isso é tão perigoso quanto a caixinha de remédios ao alcance das crianças.

Um túmulo, digo, um amigo me perguntou: "donde foi que você tirou esses números? Sonhou com eles?" Sempre que vou à lotérica da atendente loira com cabelo de Barbie, para pagar as contas do mês, faço uma "fezinha". O que não faço é distinção entre os números, como se alguns fossem misses e outros fossem lenhadoras.

Respondi ao amigo: "joguei naqueles em que a caneta alcançou primeiro, com exceção feita ao 12". O doze sempre me pareceu um número legal, um apóstolo do bem, daqueles que faz caridade aos mais necessitados, que visita asilos sem ser candidato a cargo eletivo e que ajuda cegos a atravessar a rua. É um número que dá sorte e, bem por isso, poderia me ajudar a ficar rico da noite para o dia.

Meu amigo, que sempre tem uma palavra para tudo, ao bom estilo presidente Lula, comentou: "Ahhhhh boooooom! Está explicado o porquê você ganhou, foi porque jogou no 12". Depois da filosofia vã, suspeitei que não deveria ter contado a ele sobre o prêmio.

A primeira coisa que comprei foi um daqueles celulares que possuem rádio, máquina fotográfica, MP3, editor de textos e até despertador com toques a perder de vista. E foi o infeliz do despertador que me acordou, por volta das 8h30. O sonho tinha sido muito real, rico em detalhes. Custava a acreditar que não passava de um sonho e que toda aquela grana havia desaparecido no abrir dos olhos.

Fui ao banheiro e, enquanto esvaziava a bexiga, podia me lembrar claramente dos seis números que tinham me tornado milionário. Desconfio que programei o despertador sem querer, porque não precisava acordar antes das 9 horas naquela quarta-feira nublada. Voltei a dormir.

"Qual eram mesmo os números?" Foi a pergunta que me veio à mente assim que acordei, algumas horas depois de voltar para a cama. Só me lembrava do doze (que devia se chamar João; fosse Pedro teria me abandonado, fosse Judas teria me traído), dos outros cinco números não. "Malditos", exclamei. Os infelizes haviam arrumado as trouxas e fugido para bem longe, assim que peguei no sono.

No caminho para o jornal, passei na lotérica da Barbie, apanhei uma cartela da Mega-Sena, pintei com convicção o 12 e sem certeza alguma os outros cinco. Lamentava a estupidez de não ter anotado as seis dezenas premiadas, antes mesmo de ir ao banheiro.

No final da noite, conferi o resultado do concurso no site da Caixa Econômica. O 12 estava entre os sorteados, e só ele. Quis arrancar os poucos cabelos que me restam. Se o tivesse feito, não teria dinheiro para pagar o tratamento capilar, agora que me tornara pobre de novo. Mas uma coisa é certa: se pego aqueles cinco fujões por aí, capo eles.
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