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9 de junho de 2009
A lucidez de Barack Pandeiro
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Poucas vezes houve um happy hour tão divertido quanto naquela noite de quinta-feira, de céu estrelado e temperatura namorando a casa dos 5°C, em que um grupo de amigos do jornal da cidade escolheu para comemorar o aniversário de Mary Jane. Depois de um árduo dia de trabalho, nada melhor do que estar entre amigos - e rir da vida - para relaxar.
Fora Galletto Paulista, que de costume pede uma caninha para aquecer a garganta, todos brindaram a noite apenas com cerveja. "Beber sem brindar, dez anos sem tran...", lembrou um dos viventes, como se aquilo fosse necessário para garantir que a primeira rodada trouxesse sorte, na vida amorosa, a cada um ali presente. O riso foi inevitável, até porque um da turma bebeu antes do brinde.
O garçom trouxe minipastéis – de carne, de queijo, de vento –, e porções fritas de mandioca, batata e asinhas de frango. À medida que novos colegas davam o ar da graça, no boteco com nome de Escritório (mas com cara de boteco, é claro), o tinir do sino anunciava que, lá da cozinha, algum tipo de fritura estava a caminho. "Vê mais uma, bem gelada", era a frase mais ouvida pelos garçons, especialmente quando algum atrasado amigo surgia para reforçar o time.
Eis aí a grande diferença entre dois tipos de loiras que encantam os brasileiros. Para ser boa, uma precisa ser bem gelada, a outra tem de ser quente. Piegas a comparação? Ninguém naquela mesa, naquela noite, concordaria. Pelo contrário, piadinhas desse gênero surgiram aos montes.
Galletto, Pelicano e Dójão Augustowski foram os primeiros a chegar. Dójão, vale ressaltar, chegou inquieto: havia sido cantado por uma "funcionária" de um fervinho enquanto passava de carro, possivelmente a 15 quilômetros por hora, em frente à casa de luzes avermelhadas. Tão logo o jornal da manhã seguinte foi para as rotativas, rumaram para o boteco Sensação, Mortal, Ipanema - a menina nova no jornal - e a aniversariante, Mary Jane, que busca por um homem-aranha para chamar de seu.
Depois do primeiro tintim, chegaram ao recinto O Cara, Sanzico e Sãozico – nomes parecidos para indivíduos que, por vontade de suas mães, nasceram para homenagear um craque do Mengão. Só que, por obra do acaso, ou por pura revolta dos tempos de adolescência, um escolheu torcer para o Santos e o outro, para o São Paulo. E ambos lidam diariamente com bits, bytes, giga, url e elementos do tipo para pagar suas contas.
Quando pessoas de bem se reúnem, quando não há desavenças entre integrantes do grupo, quando estão juntos para falar de tudo, menos de trabalho, a alegria passa a ser protagonista do enredo. Sem medo de exagerar, assim foi naquela noite, especialmente após a chegada de Pandeiro, o homem dos esportes do jornal, um dos sujeitos mais de bem com a vida em Maringá.
Conhecido frequentador dos bares da Vila Operária, chegou e foi ovacionado pelos amigos, como se fosse um toureiro em dia que o touro levou a pior. No jornal, é um cidadão um tanto quieto, embora sempre bem humorado. Às vezes, cantarola alguma música antiga; às vezes, sai com alguma piada rápida para descontrair os colegas de redação. A melhor versão dele, no entanto, desabrocha no happy hour com os amigos de boteco.
"O Barack Pandeiro chegou", exclamou alguém ao colega, um moreno de cinquenta-e-poucos-anos que não aparenta a idade, mesmo com os cabelos grisalhos cacheados. "Que Barack nada", respondeu Pandeiro, em tom de piada. "Como é que pode me comparar com aquele negrinho que não tem ideia do que seja uma roda de samba, que não gosta de futebol e que nunca bebeu uma cachacinha". Enquanto a maioria ainda recuperava o fôlego, Sensação emendou: "vai virar crônica no blog!" Boa profecia: a crônica é esta, lida neste momento.
Certa altura, início da madrugada, os casados começaram a tirar uma onda com os solteiros. A proximidade dos Dia dos Namorados talvez justifique a brincadeira. Mortal pagou seus pecados nas mãos de Pandeiro, que queria entender o porquê dele estar sozinho se existe uma linda paquera na mesa ao lado, no jornal. O sábio Pandeiro de muitas rodinhas de samba, do bom torresminho e do chope gelado, bradou: "se você ainda não encontrou a mulher certa, meu jovem, divirta-se com a errada!"
Pandeiro chegou atrasado porque passou visitando alguns barzinhos no caminho, como de costume. A maioria ali, pelo alto nível das piadas, das brincadeiras, questionava-se sobre Pandeiro: "que marca de cerveja deram para ele beber, antes de chegar aqui?" Mesmo com muito sangue na cerveja, a lucidez de Pandeiro impressionou, engasgou (em decorrência dos risos) e animou a cada um dos presentes. Foi, de longe, a celebridade da noite. O presidente Obama teria dito: "this is the man!"
A pedido de colegas, o autor alterou um dos codinomes originais: de "Autustóvis" para "Dójão Augustowski".
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Poucas vezes houve um happy hour tão divertido quanto naquela noite de quinta-feira, de céu estrelado e temperatura namorando a casa dos 5°C, em que um grupo de amigos do jornal da cidade escolheu para comemorar o aniversário de Mary Jane. Depois de um árduo dia de trabalho, nada melhor do que estar entre amigos - e rir da vida - para relaxar.
Fora Galletto Paulista, que de costume pede uma caninha para aquecer a garganta, todos brindaram a noite apenas com cerveja. "Beber sem brindar, dez anos sem tran...", lembrou um dos viventes, como se aquilo fosse necessário para garantir que a primeira rodada trouxesse sorte, na vida amorosa, a cada um ali presente. O riso foi inevitável, até porque um da turma bebeu antes do brinde.
O garçom trouxe minipastéis – de carne, de queijo, de vento –, e porções fritas de mandioca, batata e asinhas de frango. À medida que novos colegas davam o ar da graça, no boteco com nome de Escritório (mas com cara de boteco, é claro), o tinir do sino anunciava que, lá da cozinha, algum tipo de fritura estava a caminho. "Vê mais uma, bem gelada", era a frase mais ouvida pelos garçons, especialmente quando algum atrasado amigo surgia para reforçar o time.
Eis aí a grande diferença entre dois tipos de loiras que encantam os brasileiros. Para ser boa, uma precisa ser bem gelada, a outra tem de ser quente. Piegas a comparação? Ninguém naquela mesa, naquela noite, concordaria. Pelo contrário, piadinhas desse gênero surgiram aos montes.
Galletto, Pelicano e Dójão Augustowski foram os primeiros a chegar. Dójão, vale ressaltar, chegou inquieto: havia sido cantado por uma "funcionária" de um fervinho enquanto passava de carro, possivelmente a 15 quilômetros por hora, em frente à casa de luzes avermelhadas. Tão logo o jornal da manhã seguinte foi para as rotativas, rumaram para o boteco Sensação, Mortal, Ipanema - a menina nova no jornal - e a aniversariante, Mary Jane, que busca por um homem-aranha para chamar de seu.
Depois do primeiro tintim, chegaram ao recinto O Cara, Sanzico e Sãozico – nomes parecidos para indivíduos que, por vontade de suas mães, nasceram para homenagear um craque do Mengão. Só que, por obra do acaso, ou por pura revolta dos tempos de adolescência, um escolheu torcer para o Santos e o outro, para o São Paulo. E ambos lidam diariamente com bits, bytes, giga, url e elementos do tipo para pagar suas contas.
Quando pessoas de bem se reúnem, quando não há desavenças entre integrantes do grupo, quando estão juntos para falar de tudo, menos de trabalho, a alegria passa a ser protagonista do enredo. Sem medo de exagerar, assim foi naquela noite, especialmente após a chegada de Pandeiro, o homem dos esportes do jornal, um dos sujeitos mais de bem com a vida em Maringá.
Conhecido frequentador dos bares da Vila Operária, chegou e foi ovacionado pelos amigos, como se fosse um toureiro em dia que o touro levou a pior. No jornal, é um cidadão um tanto quieto, embora sempre bem humorado. Às vezes, cantarola alguma música antiga; às vezes, sai com alguma piada rápida para descontrair os colegas de redação. A melhor versão dele, no entanto, desabrocha no happy hour com os amigos de boteco.
"O Barack Pandeiro chegou", exclamou alguém ao colega, um moreno de cinquenta-e-poucos-anos que não aparenta a idade, mesmo com os cabelos grisalhos cacheados. "Que Barack nada", respondeu Pandeiro, em tom de piada. "Como é que pode me comparar com aquele negrinho que não tem ideia do que seja uma roda de samba, que não gosta de futebol e que nunca bebeu uma cachacinha". Enquanto a maioria ainda recuperava o fôlego, Sensação emendou: "vai virar crônica no blog!" Boa profecia: a crônica é esta, lida neste momento.
Certa altura, início da madrugada, os casados começaram a tirar uma onda com os solteiros. A proximidade dos Dia dos Namorados talvez justifique a brincadeira. Mortal pagou seus pecados nas mãos de Pandeiro, que queria entender o porquê dele estar sozinho se existe uma linda paquera na mesa ao lado, no jornal. O sábio Pandeiro de muitas rodinhas de samba, do bom torresminho e do chope gelado, bradou: "se você ainda não encontrou a mulher certa, meu jovem, divirta-se com a errada!"
Pandeiro chegou atrasado porque passou visitando alguns barzinhos no caminho, como de costume. A maioria ali, pelo alto nível das piadas, das brincadeiras, questionava-se sobre Pandeiro: "que marca de cerveja deram para ele beber, antes de chegar aqui?" Mesmo com muito sangue na cerveja, a lucidez de Pandeiro impressionou, engasgou (em decorrência dos risos) e animou a cada um dos presentes. Foi, de longe, a celebridade da noite. O presidente Obama teria dito: "this is the man!"
A pedido de colegas, o autor alterou um dos codinomes originais: de "Autustóvis" para "Dójão Augustowski".
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19 de maio de 2009
Canáááááááários!
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Há quem diga que jornalista só anda junto. Não é verdade, mas quando andam em grupo, fora da rotina de trabalho, costumam aproveitar com intensidade cada momento. Isso, sim, é verdade. Foi o que aconteceu no domingo, último dia da Expoingá 2009.
“Vou levar minha sobrinha nos brinquedos do parque, vamos juntos?” A ideia foi da repórter setorista de saúde, Lois Lane, que recebeu a demonstração de interesse de um bom número de colegas. Contudo, na hora de enfrentar o desafio apenas O Cara, Dzã-dzã-dzã, Mortal e Sensação – além de Lois e a pequena sobrinha – marcaram presença no ponto de encontro: o próprio jornal.
Já no Parque de Exposições de Maringá, por volta das 18 horas, o jeito foi encarar longas filas em cada um dos brinquedos. O primeiro deles foi eleito por unanimidade: o bate-bate ou tromba-tromba – que lá em Pato Branco se chama carrinho de choque. Um clássico dos parques de diversão, capaz de fazer qualquer marmanjo se sentir dez anos mais jovem, no mínimo.
A julgar pelo trânsito da cidade, Mortal questionou os colegas se não seria ali o local onde os maringaenses aprendem a dirigir. Na “autoescola”, ou melhor, no bate-bate a maioria dos “clientes” geralmente são crianças, mas chegada a vez dos jornalistas, por coincidência ou não, a maior parte dos “motoristas” eram adultos. Dzã-dzã-dzã, que tirou em Maringá a habilitação para dirigir, parecia o mais familiarizado com os carros de um único pedal, movidos à eletricidade. O Cara, o mais alto da turma, teve certa dificuldade para acomodar as pernas dentro do cockpit.

Na literatura, fala-se muito da fonte da juventude. Essa é, quem sabe, a melhor analogia para definir um brinquedo feito para crianças, mas que segue encantando pessoas de todas as idades. Dali, os rejuvenescidos amigos partiram para os brinquedos mais radicais. O mais impressionante deles era também o mais caro. O ingresso do extreme custava R$ 5, dos demais brinquedos R$ 3.
Trata-se de um pêndulo com quatro bancos, cada qual com quatro assentos. Atinge altura maior que o barco viking e velocidade superior ao kamikaze. Para piorar, além do movimento pêndulo, o aparelho gira os assentos no sentido horário, proporcionando mais: emoção, frio no estômago, náuseas, falta de fôlego, medo, tontura, entre outros efeitos colaterais. Na fila, o jeito era não fitar os olhos no brinquedo, para não correr o risco de uma desistência súbita.
Chegada a hora de encarar o extreme, Lois sugeriu o seguinte grito de guerra: “canáááááááários”, com um 'A' acentuado para cada integrante da galera – reforçada com a chegada de OFFíssima e de seu noivo argentino. E foi o que mais se ouviu do grupo, tão logo o botão “on” do aparelho foi acionado. Quanto mais altitude e velocidade tomava o pêndulo, mais canários eram ouvidos. É em horas como aquela que surgem três inevitáveis e pertinentes perguntas: “que diabos estou fazendo aqui? Será que vou aguentar sem vomitar? Quando é que essa M. vai parar? Para quem vê de fora é questão de segundos; para quem resolve encarar, a “bagaça” leva uma eternidade.
Todos sobreviveram, lógico que com doses de pânico e adrenalina distintos. Não satisfeito com a liquidificante experiência, O Cara bradou: “vamos na montanha-russa agora?” Para o estômago de OFFíssima e seu noivo, o extreme foi o suficiente, mas os demais toparam a ideia de O Cara. Como diz a nova máxima: brasileiro não desiste nunca!
Por mais que os engenheiros se dediquem a projetar novos brinquedos, a montanha russa segue com o status de “Pelé” dos parques de diversão, veste sempre a "camisa 10" e se destaca fácil entre os demais brinquedos. Parte da adrenalina que ela proporciona, vale ressaltar, vem do som dos carrinhos sobre os trilhos e do deslocamento de ar dos bólidos em alta velocidade. Provavelmente são projetadas por sujeitos dementes que, nos tempos de faculdade de Engenharia, passavam horas projetando instrumentos de tortura para testar nos calouros.
Na montanha-russa composta por uma grande descida inicial, um looping e várias curvas fechadas, a sensação de medo foi maior que no extreme. Mortal e Lois, que em oportunidades anteriores já haviam encarado as cruéis montantas-russas invertidas, que o digam. Sensação ficou pálida, a pressão arterial de Mortal desceu para amarrar seus cadarços e O Cara, após segundos de gritos sem tomar ar, ficou em silêncio – sabe lá quais efeitos colaterais acometeram o pobre homem. Enquanto isso, Lois, sua sobrinha e Dzã-dzã-dzã já pensavam na próxima aventura.
Os três incansáveis (loucos, por que não) foram numa “roda gigante velocista”, mais rápida que todos os demais brinquedos. O "trem" girava sem piedade e sem preguiça, a princípio na horizontal, inclinando para a vertical aos poucos. Sensação tirava fotos, O Cara reparava na aparência dos três – Lois de olhos fechados, sua sobrinha de olhos arregalados e Dzã-dzã-dzã vermelho como um pimentão –, enquanto Mortal contava o número de voltas rápidas, capazes de fazer Rubens Barrichello voltar a vencer uma corrida.
Alguém ainda ousou, e desta vez não foi O Cara, comentar: "não vamos no kamikaze?" A infeliz ideia foi seguida de um uníssono "nããããão!" Pudera, naquela altura do campeonato ninguém queria encarar um "piloto suicida japonês", todos queriam mesmo era um pastel banhento com Coca-Cola, para ajudar a descer. Extreme, montanha-russa e similares... deixa para o próximo ano.
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Há quem diga que jornalista só anda junto. Não é verdade, mas quando andam em grupo, fora da rotina de trabalho, costumam aproveitar com intensidade cada momento. Isso, sim, é verdade. Foi o que aconteceu no domingo, último dia da Expoingá 2009.
“Vou levar minha sobrinha nos brinquedos do parque, vamos juntos?” A ideia foi da repórter setorista de saúde, Lois Lane, que recebeu a demonstração de interesse de um bom número de colegas. Contudo, na hora de enfrentar o desafio apenas O Cara, Dzã-dzã-dzã, Mortal e Sensação – além de Lois e a pequena sobrinha – marcaram presença no ponto de encontro: o próprio jornal.
Já no Parque de Exposições de Maringá, por volta das 18 horas, o jeito foi encarar longas filas em cada um dos brinquedos. O primeiro deles foi eleito por unanimidade: o bate-bate ou tromba-tromba – que lá em Pato Branco se chama carrinho de choque. Um clássico dos parques de diversão, capaz de fazer qualquer marmanjo se sentir dez anos mais jovem, no mínimo.
A julgar pelo trânsito da cidade, Mortal questionou os colegas se não seria ali o local onde os maringaenses aprendem a dirigir. Na “autoescola”, ou melhor, no bate-bate a maioria dos “clientes” geralmente são crianças, mas chegada a vez dos jornalistas, por coincidência ou não, a maior parte dos “motoristas” eram adultos. Dzã-dzã-dzã, que tirou em Maringá a habilitação para dirigir, parecia o mais familiarizado com os carros de um único pedal, movidos à eletricidade. O Cara, o mais alto da turma, teve certa dificuldade para acomodar as pernas dentro do cockpit.

Na literatura, fala-se muito da fonte da juventude. Essa é, quem sabe, a melhor analogia para definir um brinquedo feito para crianças, mas que segue encantando pessoas de todas as idades. Dali, os rejuvenescidos amigos partiram para os brinquedos mais radicais. O mais impressionante deles era também o mais caro. O ingresso do extreme custava R$ 5, dos demais brinquedos R$ 3.
Trata-se de um pêndulo com quatro bancos, cada qual com quatro assentos. Atinge altura maior que o barco viking e velocidade superior ao kamikaze. Para piorar, além do movimento pêndulo, o aparelho gira os assentos no sentido horário, proporcionando mais: emoção, frio no estômago, náuseas, falta de fôlego, medo, tontura, entre outros efeitos colaterais. Na fila, o jeito era não fitar os olhos no brinquedo, para não correr o risco de uma desistência súbita.
Chegada a hora de encarar o extreme, Lois sugeriu o seguinte grito de guerra: “canáááááááários”, com um 'A' acentuado para cada integrante da galera – reforçada com a chegada de OFFíssima e de seu noivo argentino. E foi o que mais se ouviu do grupo, tão logo o botão “on” do aparelho foi acionado. Quanto mais altitude e velocidade tomava o pêndulo, mais canários eram ouvidos. É em horas como aquela que surgem três inevitáveis e pertinentes perguntas: “que diabos estou fazendo aqui? Será que vou aguentar sem vomitar? Quando é que essa M. vai parar? Para quem vê de fora é questão de segundos; para quem resolve encarar, a “bagaça” leva uma eternidade.
Todos sobreviveram, lógico que com doses de pânico e adrenalina distintos. Não satisfeito com a liquidificante experiência, O Cara bradou: “vamos na montanha-russa agora?” Para o estômago de OFFíssima e seu noivo, o extreme foi o suficiente, mas os demais toparam a ideia de O Cara. Como diz a nova máxima: brasileiro não desiste nunca!
Por mais que os engenheiros se dediquem a projetar novos brinquedos, a montanha russa segue com o status de “Pelé” dos parques de diversão, veste sempre a "camisa 10" e se destaca fácil entre os demais brinquedos. Parte da adrenalina que ela proporciona, vale ressaltar, vem do som dos carrinhos sobre os trilhos e do deslocamento de ar dos bólidos em alta velocidade. Provavelmente são projetadas por sujeitos dementes que, nos tempos de faculdade de Engenharia, passavam horas projetando instrumentos de tortura para testar nos calouros.
Na montanha-russa composta por uma grande descida inicial, um looping e várias curvas fechadas, a sensação de medo foi maior que no extreme. Mortal e Lois, que em oportunidades anteriores já haviam encarado as cruéis montantas-russas invertidas, que o digam. Sensação ficou pálida, a pressão arterial de Mortal desceu para amarrar seus cadarços e O Cara, após segundos de gritos sem tomar ar, ficou em silêncio – sabe lá quais efeitos colaterais acometeram o pobre homem. Enquanto isso, Lois, sua sobrinha e Dzã-dzã-dzã já pensavam na próxima aventura.
Os três incansáveis (loucos, por que não) foram numa “roda gigante velocista”, mais rápida que todos os demais brinquedos. O "trem" girava sem piedade e sem preguiça, a princípio na horizontal, inclinando para a vertical aos poucos. Sensação tirava fotos, O Cara reparava na aparência dos três – Lois de olhos fechados, sua sobrinha de olhos arregalados e Dzã-dzã-dzã vermelho como um pimentão –, enquanto Mortal contava o número de voltas rápidas, capazes de fazer Rubens Barrichello voltar a vencer uma corrida.
Alguém ainda ousou, e desta vez não foi O Cara, comentar: "não vamos no kamikaze?" A infeliz ideia foi seguida de um uníssono "nããããão!" Pudera, naquela altura do campeonato ninguém queria encarar um "piloto suicida japonês", todos queriam mesmo era um pastel banhento com Coca-Cola, para ajudar a descer. Extreme, montanha-russa e similares... deixa para o próximo ano.
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21 de abril de 2009
Sensação na calada da noite
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O que Sensação faz quando está acompanhada, entre quatro paredes, ninguém fica sabendo - a não ser que a companhia seja de uma turma de amigos. Na véspera do feriado, certa altura da madrugada, o porteiro bateu à porta para avisar que alguns vizinhos estavam reclamando dos decibéis acima da conta. A sexta-feira, todos ali sabiam, era santa, mas ninguém disse que precisava ser silenciosa.
A protagonista da vez é uma mulher bem resolvida. Pouco mais de 30 anos, morena de pele clara, alta e magra, Sensação tem um bom emprego, carro e apartamento próprio, enfim, paga suas contas. Não é casada e, dizem os amigos, melhor que seja assim - do contrário, temem perder uma grande companhia. Enquanto ela não engata um namoro firme, aproveita a vida de solteira para receber em sua ultra-bem-ajeitada residência os amigos e amigas mais "vips" (como ela bem diz).
A primeira a chegar foi Diliça, a autoestima em pessoa, que surgiu acompanhada de Fanta Uva e Mortal. Ele trouxe vinho e Fanta Uva, uma fome de leão. Platini e sua noiva Rafaella também não demoraram a chegar, com um engradado de cerveja e dois pacotinhos de amendoim. "Convidei o Zidane, será que ligo para ele", questionou Sensação, pouco antes da meia-noite, toda preocupada com uma possível ausência do "craque francês". Diliça e Mortal se olharam, numa fração telepática de segundo, como se tivessem em mente a mesma sentença: "quanto interesse no Zidane, aí tem coisa hein".
Zidane surgiu, mais careca do que nunca, porém, com a mesma boa forma dos tempos de Copa do Mundo. Certamente, ganhou alguns pontinhos com a anfitriã da noite. Sensação é uma mulher doce, de lida fácil, mas tende a sofrer alterações bruscas de humor quando seus amigos aceitam o convite e, depois, não comparecem. Foi o caso de OFFíssima, O Cara e Lois Lane. Esta, do alto de sua aguçada esperteza, enviou uma suculenta torta salgada para compensar a ausência e, assim, garantir mais alguns anos de vida. OFFíssima e O Cara agendaram outros compromissos e, infelizmente, a uma altura dessas já devem ter perdido o pescoço.
No calar da noite, o apartamento de Sensação era um alto-falante. Diliça dizia que precisava encontrar o botão do volume de Mortal e Platini, mas era ela quem tagarelava mais alto. Bebendo vinho ou cerveja, comendo amendoim ou torta, todos riam, todos falavam, todos contavam um causo engraçado, todos choravam (claro, de tanto rir).
Já pelas tantas da madrugada, Platini, o exagero-man em pessoa, relatava algumas de suas mirabolantes histórias, quase todas desmentidas ou diminuídas por Rafaella. Verdade ou mentira, ele garantia à galera gargalhadas de fazer faltar fôlego. Platini não é o cara, mas, quatro garrafas de vinho depois, todos o achavam o mais divertido, todos precisavam respirar fundo ao fim de cada "piada".
O ápice do show amador de humor ainda estava por vir. Não se sabe por que, Sensação resolveu mostrar ao pessoal um presente indiscreto que havia ganhado dias antes: uma caixa de bombons proveniente de um sex shop. O único chocolate que sobrara na caixa foi, num piscar de olhos, arrebatado por Platini. De repente, estava ele com o pinto de chocolate na mão, todo faceiro, apontando o "trubisco" para Zidane. Aí sim, faltou fôlego.
Sem sucesso, Rafaella insistia: "larga esse negócio aí". Platini segurava o "negócio" como ser fosse uma pistola, bem mirada contra Zidane, que por sua vez disfarçava o sorriso - não queria que percebessem que estava gostando da cena. Mortal procurava, urgentemente, uma máquina fotográfica para registrar o momento. Diliça foi flagrada pelas lentes de tal modo que seu pensamento parecia legendado: "esse eu pegava!". Sensação e Fanta Uva se esforçavam, em vão, para conter a barulheira generalizada.
Já era passado das 4 horas quando, com alguma insistência, Platini se decidiu pelo desarmamento. E só o fez porque a pistola começara a se derreter na mão dele. Isso tudo, e muito mais, ficou documentado em fotos, para a posteridade, para que os netos de cada um possam ver - muito lá no futuro - o quanto bacanas eram seus avós. Pena que as imagens, que dizem valer por mil palavras, não consigam guardar o som daquelas boas e intermináveis risadas. Todos se divertiram muito, exceto os vizinhos.
O que Sensação faz quando está acompanhada, entre quatro paredes, ninguém fica sabendo - a não ser que a companhia seja de uma turma de amigos. Na véspera do feriado, certa altura da madrugada, o porteiro bateu à porta para avisar que alguns vizinhos estavam reclamando dos decibéis acima da conta. A sexta-feira, todos ali sabiam, era santa, mas ninguém disse que precisava ser silenciosa.
A protagonista da vez é uma mulher bem resolvida. Pouco mais de 30 anos, morena de pele clara, alta e magra, Sensação tem um bom emprego, carro e apartamento próprio, enfim, paga suas contas. Não é casada e, dizem os amigos, melhor que seja assim - do contrário, temem perder uma grande companhia. Enquanto ela não engata um namoro firme, aproveita a vida de solteira para receber em sua ultra-bem-ajeitada residência os amigos e amigas mais "vips" (como ela bem diz).
A primeira a chegar foi Diliça, a autoestima em pessoa, que surgiu acompanhada de Fanta Uva e Mortal. Ele trouxe vinho e Fanta Uva, uma fome de leão. Platini e sua noiva Rafaella também não demoraram a chegar, com um engradado de cerveja e dois pacotinhos de amendoim. "Convidei o Zidane, será que ligo para ele", questionou Sensação, pouco antes da meia-noite, toda preocupada com uma possível ausência do "craque francês". Diliça e Mortal se olharam, numa fração telepática de segundo, como se tivessem em mente a mesma sentença: "quanto interesse no Zidane, aí tem coisa hein".
Zidane surgiu, mais careca do que nunca, porém, com a mesma boa forma dos tempos de Copa do Mundo. Certamente, ganhou alguns pontinhos com a anfitriã da noite. Sensação é uma mulher doce, de lida fácil, mas tende a sofrer alterações bruscas de humor quando seus amigos aceitam o convite e, depois, não comparecem. Foi o caso de OFFíssima, O Cara e Lois Lane. Esta, do alto de sua aguçada esperteza, enviou uma suculenta torta salgada para compensar a ausência e, assim, garantir mais alguns anos de vida. OFFíssima e O Cara agendaram outros compromissos e, infelizmente, a uma altura dessas já devem ter perdido o pescoço.
No calar da noite, o apartamento de Sensação era um alto-falante. Diliça dizia que precisava encontrar o botão do volume de Mortal e Platini, mas era ela quem tagarelava mais alto. Bebendo vinho ou cerveja, comendo amendoim ou torta, todos riam, todos falavam, todos contavam um causo engraçado, todos choravam (claro, de tanto rir).
Já pelas tantas da madrugada, Platini, o exagero-man em pessoa, relatava algumas de suas mirabolantes histórias, quase todas desmentidas ou diminuídas por Rafaella. Verdade ou mentira, ele garantia à galera gargalhadas de fazer faltar fôlego. Platini não é o cara, mas, quatro garrafas de vinho depois, todos o achavam o mais divertido, todos precisavam respirar fundo ao fim de cada "piada".
O ápice do show amador de humor ainda estava por vir. Não se sabe por que, Sensação resolveu mostrar ao pessoal um presente indiscreto que havia ganhado dias antes: uma caixa de bombons proveniente de um sex shop. O único chocolate que sobrara na caixa foi, num piscar de olhos, arrebatado por Platini. De repente, estava ele com o pinto de chocolate na mão, todo faceiro, apontando o "trubisco" para Zidane. Aí sim, faltou fôlego.
Sem sucesso, Rafaella insistia: "larga esse negócio aí". Platini segurava o "negócio" como ser fosse uma pistola, bem mirada contra Zidane, que por sua vez disfarçava o sorriso - não queria que percebessem que estava gostando da cena. Mortal procurava, urgentemente, uma máquina fotográfica para registrar o momento. Diliça foi flagrada pelas lentes de tal modo que seu pensamento parecia legendado: "esse eu pegava!". Sensação e Fanta Uva se esforçavam, em vão, para conter a barulheira generalizada.
Já era passado das 4 horas quando, com alguma insistência, Platini se decidiu pelo desarmamento. E só o fez porque a pistola começara a se derreter na mão dele. Isso tudo, e muito mais, ficou documentado em fotos, para a posteridade, para que os netos de cada um possam ver - muito lá no futuro - o quanto bacanas eram seus avós. Pena que as imagens, que dizem valer por mil palavras, não consigam guardar o som daquelas boas e intermináveis risadas. Todos se divertiram muito, exceto os vizinhos.
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