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23 de fevereiro de 2009

Um orkut para Daibert

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"E aí Sudoeste", exclamou a colega repórter Juliana Daibert, com um abraço gostoso, depois de passar um mês longe da redação de O Diário, em férias - rodando esse Brasil de moto com o marido. Depois que ela descobriu que Pato Branco se autointitula a capital do Sudoeste do Paraná, é assim que ela me chama, sempre enfatizando o E para zoar do sotaque pato-branquense.

Daibert fez falta na redação de O Diário, não apenas pelo fato de ser a repórter setorista de saúde - e escrever com propriedade ímpar sobre o assunto -, mas pela paz de espírito que ela transmite. Trata-se de uma pessoa do bem, isenta de falsidade e leal a seus princípios. Sempre que preciso espairecer, ou desabafar sobre um entrevistado que me tirou do sério, corro na mesa dela trocar meia dúzia de palavras. E por lá, volta e meia, encontro torradinhas com mel.

Vou lhes contar quem é Daibert.

Passei maus bocados no final do primeiro semestre de 2008, na ocasião da minha separação. Sem condições psicológicas para o trabalho, desabafei com o ex-chefe de reportagem de O Diário, Rodrigo Parra, e dele recebi todo o apoio - como se fosse vindo de um irmão mais velho. Fiquei alguns dias sem ir ao jornal e sem falar com mais ninguém a respeito.

Estava em casa, reflexivo, solitário, quando recebi um telefonema de Daibert, que queria saber se eu estava bem e se precisava de alguma coisa. A demonstração de coleguismo foi importante naquele momento de dificuldade e, penso, talvez ela nem saiba disso. Depois de Parra, ela foi a primeira pessoa (fora a família) a quem contei meus problemas. Não tenho irmãs (e sim dois irmãos, mais novos), mas se tivesse gostaria que fosse da mesma "madeira" de Daibert.

Muitos a admiram e clamam a presença dela no orkut, rede de relacionamento que gosto de definir como "a perda de tempo mundial". Contudo, a jornalista que chegou a pegar os tempos da máquina de escrever nas redações, reluta contra o avanço das coisas virtuais. Certo é que Daibert terá de ceder, cedo ou tarde. E na campanha para que isso aconteça, criei a comunidade "Um orkut para Daibert". Não era dono de nenhuma comunidade, nem queria ser, mas para ter Daibert como amiga, também no orkut, tive de abrir uma exceção.
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Daibert em dois momentos na confraternização de fim de ano de O Diário: com o "Sudoeste" e com algumas das meninas da redação.
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21 de fevereiro de 2009

Vinte e tantos anos mais um

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É difícil ter sono antes das 2 horas, especialmente no mormaço de algumas noites, quando o vento parece fazer a curva quilômetros antes de chegar a Maringá. Em madrugadas assim, escrevo até encher os olhos de "areia" e, posso garantir, é daí que surgem os melhores textos - ou os piores (depende de quem lê).

Numa noite escaldante dessas, sem ânimo para as crônicas e os contos - e sem vinho em casa para criar ânimo -, gastei meia dúzia de horas na "perda de tempo mundial", o orkut. No final das contas, porém, foi produtivo.

Li e apaguei meu recados, bisbilhotei as fotos de meus cem amigos, quis saber quem seriam os dois novos loucos da internet (que se juntaram aos demais que se dizem meus fãs), postei duas ou três fotos e percebi que não tenho mais 100% de aproveitamento no campeonato. Agora, o orkut me diz que sou 90% confiável, 90% legal e 100% sexy. Sinal de que muita gente precisa se consultar com um oftalmologista urgentemente, e não sabe.

Só quando o sono deu as caras, notei que uma colega de trabalho estava de idade nova. Eis a grande serventia do orkut: lembrar os usuários da data de aniversário dos amigos. Quase precisando do auxílio de palitos para manter os olhos abertos, não deixei de desejar felicidades àquela que costumei chamar de OFFíssima. Escrevi cambaleando de sono, "pescando" em frente ao computador, mas marquei presença. Deu no que deu.

Foi uma minicrônica de feliz aniversário. A OFFíssima disse que gostou e, mais que isso, postou os parabéns no "quem sou eu" do orkut dela. De duas uma: ou ela também estava com muito sono quando fez isso ou tinha degustado algum fermentado de uva ou de cevada.

Eu escrevi e ela postou:

"Vanessa, talvez não se lembres, mas antes de você nascer Deus olhou para ti e disse: "desce lá e detona. Seja feliz e faça seus parentes e amigos igualmente felizes". Aí você respondeu: "ok, mas posso fazer isso tudo e, ainda, lutar capoeira?" O Todo Poderoso disse: "claro que sim, desde que você não se esqueça de enviar um cartão-postal para um colega chato de redação, que você vai conhecer lá pelos seus vinte e tantos anos, quando for ao Havaí".

Alegre e extrovertida, tu tens feito tudo o que combinou com o Altíssimo: fazes as pessoas ao teu redor mais felizes, sem se esquecer do dito postal da ilha de LOST. Por isso, no aniversário de teus vinte e tantos mais um, você merece os melhores parabéns".


Merece mesmo. Um Concha y Toro para brindar a saúde dela e de todos os meus amigos.
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