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8 de setembro de 2009

Um tweet de Ana Paula

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O dia em que O Diário superou a marca de mil seguidores no Twitter  uma sexta-feira que, embora chuvosa, clamava por um happy hour com os amigos  trouxe-me a recordação de um momento de êxtase no microblog que é febre mundial. ELA havia escrito para mim. Depois daquilo, tive a certeza: nenhuma rede social na internet se compara ao Twitter na capacidade de proporcionar um diálogo aberto entre pessoas normais e celebridades.

Em meu já não tão confortável sofá, estava só. Lia algum dos livros de Luis Fernando Verissimo  embora não me recorde ao certo qual  e o envolvente texto espantava para longe de mim o peso da solidão. Uma caneca de café e um cobertor, sobre as pernas, aqueciam o corpo. Numa dessas webradios, a voz de Laura Pausini me fazia companhia e aquecia o coração. O sono começava a cansar os olhos quando, por volta das 2h30, o inconfundível alerta de mensagem do MSN interrompeu a leitura.

Da tão distante Rio Branco, a amiga Aleta Dreves trazia boas novas. Há muito não teclava com a ex-colega da faculdade de Jornalismo que, hoje professora universitária, faz-me acreditar na existência do Acre. Logo na primeira mensagem, sem suspense, veio a surpresa:

 Eita, até a Ana Paula Arósio leu tua crônica, que chique  disse, referindo-se à então última postagem de meu blog, intitulada "Azar no jogo..."

 Leu nada!  respondi, no impulso, certo de que Aleta queria me pregar uma peça.
— Ela disse no Twitter, entendi que estava falando do teu blog  esclareceu a amiga.
— Sério mesmo?  questionei, agora, quase acreditando no que lera no MSN. Havia encontrado a atriz favorita, aquela que para mim é parâmetro de beleza feminina, no Twitter.

Na crônica sobre minha reprovação no teste de moto, escrevi sobre o delicioso sonho que tivera com Ana Paula Arósio. Com "reply" para ela, publiquei um tweet com link para aquela crônica. De qualquer forma, não esperava uma resposta da musa.

 @LF_jornalista obrigada pelo carinho Cardoso. Desejo-lhe sucesso, achei muito bom seu texto, lúcido e cativante. Um abraço!  escreveu @anapaula_arosio, em tweet testemunhado por alguns poucos. Ainda bem que há testemunhas, porque o citado perfil foi excluído do Twitter e o recado, por consequência, deletado.

Recado que acarretou uma séria de dúvidas. Teria ela lido minha crônica ou sido apenas gentil? Tratava-se mesmo da musa ou seria um fake (falso perfil) se passando por ela? Num primeiro momento, preferi crer que era a própria e que a crônica havia sido lida por ela, da primeira palavra ao ponto final.

 Se soubesse que Ana Paula Arósio escreveria para mim, nem teria lamentado a reprovação no teste para moto... um sonho isso!  tuitei, enquanto garantia a Aleta que não conseguiria dormir, não naquela noite.

 Seja sincera Aleta, tu achas mesmo que é ela  perguntei, pelo MSN.
Claro que é a gostosa da Ana Paula Arósio  respondeu a amiga jornalista, para sepultar de vez a possibilidade de ser visitado pelo sono naquela noite.
— Pronto LF, agora tu não dormes mais de emoção , brincou a jornalista.

Contei o que se passara a meus pais e irmãos. Também para alguns amigos, embora parte deles ainda desconhecesse o Twitter. Entre os colegas de trabalho, dois dos mais chegados acharam graça, certos de que eu teria me deixado enganar por um fake. O irmão caçula, João Paulo, teve a mesma impressão.

 @LF_jornalista não sei não se a AP Arósio é original. Mas seria bom se fosse. Eu mesmo tenho o Neymar me seguindo, mas é fake  tuitou @joaocoliveira, em "ótima" comparação. Quem é que queria saber de Neymar naquele momento.

A mais bela e talentosa atriz brasileira havia escrito para mim  assim preferia crer  e poucos além de Aleta e eu próprio pareciam acreditar. Ana Paula Arósio parou de tuitar; um fake não teria parado. Dias depois, os tweets de @anapaula_arosio cessaram e, meses depois, o perfil foi deletado do Twitter. Infelizmente, um forte indício de que poderia ser um farsante.

Independentemente daquela mensagem ter sido ou não escrita por ela, e de minha crônica ter agradado ou não, melhor seria conhecer a bela atriz pessoalmente. Precisarei escrever um best seller para que isso aconteça? Quem sabe. Se essa for a condição, eu escrevo.
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11 de maio de 2009

O vício não vale a pena

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Há vários séculos, um sábio respeitado por seu povo foi procurado por uma mãe. Preocupada com a saúde de seu filho, ela pediu para que ele aconselhasse a criança a não comer tanto doce. Por algum motivo, diabetes talvez, o pequeno passava mal com a ingestão de açúcar - mesmo assim não dava ouvidos à sua mãe. O sábio, a quem o menino admirava, respondeu: “voltem daqui um mês”.

Taís Araújo
O tempo passou e a mulher retornou, ansiosa para saber o que o sábio teria a dizer. Seriam palavras memoráveis, apostava ela. Para surpresa da mulher, foram apenas simples palavras. “Pare de comer doces”, aconselhou o homem, com a voz firme e pausada, fitando o adolescente nos olhos. Indignada, aquela mãe questionou: “se era apenas isso, por que o senhor não falou da outra vez que estivemos aqui?” O sábio respondeu: “porque há um mês eu ainda comia doces”.

Ao relembrar dessa estória, passei a lamentar uma experiência que tivera dias antes.

Sou aficionado por Fórmula 1 desde o tricampeonato de Nelson Piquet, em 1986. Meu entusiasmo pela principal categoria do automobilismo mundial não diminuiu mesmo com a morte de Ayrton Senna, o melhor de todos, há 15 anos. Pelo ocorrido no fim de semana, tive de reconhecer que sou mais que fanático, sou viciado em F-1. Fiquei chateado por isso.

Rubens Barrichello, o discípulo preferido de Senna e que, ao que tudo indica, gazeou muitas aulas de pilotagem, saiu em terceiro no GP da Catalunha, mas logo na largada assumiu a liderança. Bastou isso para me deixar empolgado e vidrado diante da tevê.

Não vi três coisas: o tempo passar, Barrichello ganhar – para não perder o costume, o brasileiro da Brawn GP chegou em segundo – e o tradicional desfile cívico-militar em comemoração ao aniversário de Maringá. Dada a bandeirada final da corrida, apressei-me para chegar ao Centro da cidade, porém, o desfile já havia terminado. A mim, só restava lamentar.

Na noite anterior, passei bons minutos conversando pelo MSN com uma das mais belas maringaenses, uma estudante de Direito que, na realidade, é natural de Santo André-SP. Ao me contar que desfilaria trajada de miss, perguntou se eu cobriria o evento. “Não trabalho este domingo, mas estarei lá para te ver”, respondi, já imaginando o quanto ela estaria linda. “A gente se vê então”, disse a futura advogada, uma negra mais linda que a atriz Taís Araújo.

Não estive lá e, assim, perdi mais do que um importante evento de Maringá. Desperdicei uma agradável manhã de outono, de um imenso céu azul sem nuvens. Deixei de ver gente, de comer aquele algodão-doce feito essencialmente de corante e açúcar, de encontrar conhecidos ao acaso, de viver um momento legal da cidade, de rever alguém de encantadora beleza. Enfim, não é justo que a televisão tenha relegado tudo isso a um segundo plano.

Recentemente, aconselhei um amigo e colega de redação a deixar de fumar, preocupado com a saúde dele. Fui tolo. Deveria antes largar meu “vício” – embora não faça mal algum à minha saúde – para depois me preocupar com o vício alheio, qualquer que seja. Que o diga o sábio homem, que deixou de comer doces para, só depois, julgar-se apto a servir de exemplo àquele menino.

O sábio de outrora, é certo, teria preferido ver a mulher mais linda ao carro mais veloz, o friozinho do outono e o cair sem pressa das folhas ao programa de tevê entre quatro paredes. Assim como o garotinho que não ouvia sua mãe, anseio por sábios conselhos. Desta vez, aprendi da pior maneira: com o erro e com o lamento. Se houver uma nova oportunidade, ainda que seja GP decisivo e com brasileiro disputando o título da F-1, não perderei a companhia da miss negra.
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11 de março de 2009

LF & Edu: praia nove anos depois

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1º DIA

Disse a mim mesmo que não entraria no MSN por esses dias, porém, não resisti e acessei minha conta após um dia de mais de 600 quilômetros rodados. Aí uma bela moça de Maringá, que apareceu online para dar os parabéns pelos 28 anos em cada joelho, perguntou-me: "onde você está agora?". A resposta veio com o bom sentimento de que a viagem planejada há algums meses está se concretizando, tal como pensada inicialmente.

"Estou no quarto de uma pensão, a exatos 50 metros da entrada do Beto Carrero World". Digo "exatos" porque pensões e hotéis sempre forçam a barra ao mencionar a proximidade de suas instalações em relação aos pontos turísticos. Desta vez não houve propaganda enganosa. Do quarto dá para ver o trinco da porta principal do castelo de entrada do maior parque temático da América Latina.

No Beto Carrero, período de aula é baixa temporada e, nessa época, o parque abre apenas de quinta-feira a domingo. Saímos de Pato Branco (PR) às 8 horas e chegamos a Penha (SC) por volta das 16 horas. No itinerário da viagem, a ideia era aproveitar o parque na quinta-feira (12), data do meu aniversário. Logo, não pagaria a entrada - que é grátis para quem está ficando mais velho no dia - e racharia o valor do ingresso de meu irmão. No entanto, para me presentear ele insistiu em pagar a dele sozinho.

Será um aniversário diferente, sem bolo, sem velas, sem aqueles zilhões de cumprimentos de parabéns (com abraços e tapinhas nas costas), mas terá muita adrenalina. Agora que podemos ver o parque da janela, não tem jeito, teremos de encarar a montanha-russa, o elevador e outros brinquedos radicais. E ficar de ponta-cabeça em vários deles, várias vezes, até cansar.

O melhor da quarta-feira, no entanto, não foi descobrir uma pensão tão bem localizada e com diária de R$ 30 por pessoa - para quarto duplo, com ar-condicionado e direito a café da manhã -, e sim a praia. Desde 2000, quando estive no Rio de Janeiro, não via o mar. No período, cruzei o oceano de avião, mas não provei da água salgada e não ouvi o incansável som das ondas.

Tímido, o sol estava encoberto por nuvens. Fazia calor e a água estava quente, convidativa para algumas braçadas. "Preciso dar um bicaço", disse para meu irmão. Ele não topou a ideia, assim, pulei sozinho bem mais de sete ondas. Tínhamos encontrado o mar a partir de uma vila de pescadores e, caminhando pela areia, chegamos à praia da Armação. Lá, quase sem ninguém à vista - além de um velhinhos jogando bocha de praia e de um pai e uma filha (bela a filha, horrível o pai) curtindo o mar -, tive meu reencontro com a água salgada (que fiz questão de provar, outra vez) depois de nove anos.

Por fim, com o chegar da noite, descansaríamos até a manhã seguinte. Era o que estava nos planos, até a mente brilhante de Eduardo cogitar um giro em Balneário Camboriú (SC), a pouco mais de meia hora de carro da pensão. Uma cidade com vida noturna intensa, calçadão beira-mar movimentado, inúmeras opções em bares e restaurantes... só isso já soava bem melhor do que uma cama de pensão. E assim terminou a quarta-feira. Para que a namorada de meu irmão (leitora assídua deste blog) durma sossegada, vale ressaltar que fomos comportadaos e retornamos cedo, bem cedo, para a pensão Duas Irmãs.
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Na foto superior, LF na praia da Armação. Na segunda foto, Edu próximo à pensão, com a entrada do Beto Carrero logo ao fundo.
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26 de janeiro de 2009

Uma "diliça" de madrugada

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Estou disposto encerrar 2009 e, no balanço de fim de ano, exclamar: "puxa, foi o melhor ano da minha vida". Na escola, quando se tira uma nota muito baixa, é necessário mandar bem no teste seguinte (ou preparar uma cola bem discreta) para compensar. Com a vida é a mesma coisa, se um ano foi ruim, o seguinte precisa ser melhor.

O final de semana mostrou que o melhor está por vir. No domingo trabalhei, no sábado não teria nada para fazer. Nada, até surgirem "do além" dois amigos. Algo a ressaltar: não é necessário muito mais do que a companhia de bons amigos para ser feliz.

Na sexta-feira do happy hour, o que tive foi um tired hour. Saí do jornal já era passado das 22 horas, cansado, com fome, mas completamente sem sono. Queria escrever, mas não estava disposto a atualizar meu blog. A solução foi entrar no MSN, a cocaína da internet (poucas coisas viciam tanto na grande rede).

Com as melhores do Neil Diamond tocando na caixinha de som do computador, como massagem para meus ouvidos, encontrei online no MSN uma estudante de Direito que conheci em 2008, durante uma reportagem na Câmara Municipal. Linda, simpática, inteligente, pop, encantadora - mas, infelizmente, sempre tão distante. Com Neil Diamond cantando "Sweet Caroline", a vontade era convidá-la para dar uma volta, para ter a companhia de alguém que realmente vale a pena.

Como costuma acontecer com os mortais, mal tive tempo de concluir o raciocínio ouço o barulhinho chato de nova mensagem no MSN. Era ela, por volta da meia-noite e meia, dizendo que estava de pijama, mas que iria sair. "Minhas amigas vão passar aqui em alguns minutos", explicou. Ainda tive tempo de responder antes de mandar um beijo de despedida (que virtulamente não tem graça alguma): "comigo, se o telefone tocasse agora, seria trabalho na certa", disse, um tanto desanimado.

No Windows Media Player tocava "Girl, you'll be a woman soon", do Neil Diamond. Na minha mesa pouco organizada, o café já tinha acabado. No MSN, quase ninguém online (todos deviam estar festando). Pensei: "Neil Diamond, você e a Pituli (minha cadelinha) serão minha companhia nesta madrugada de insônia".

Felizmente, estava enganado. Pouco antes da 1 hora, eis que aparece online um amigo, repórter também (dos bons), questionando: "está a fim de beber um vinho". Não sei decor o que respondi, mas foi algo do tipo: "estou, mas só nós dois?" Seria melhor, com certeza, uma companhia feminina. "Vai mais alguém?", perguntei.

O Cara é dons bons, já tinha pensado em tudo. O colega repórter já tinha convidado uma amiga em comum, também jornalista, para uma rodada de vinho, música, risadas. Sem pressa, sem olhar para o relógio, para mostrar aos problemas de 2008 que a felicidade curte as pessoas de bem.

"Ela já passa aí te pegar", disse ele. "Tábom, preciso de dez minutos", respondi, desliguei o notebook e me aprontei, como se ainda fosse uma criança a instantes de uma festinha repleta de brigadeiros, beijinhos e muita Coca-Cola.

Três jornalistas - o Mortal (eu), o Cara e a Diliça (como ela mesmo gosta de citar, com toda a razão) - curtindo a madrugada adoidado. Um incenso para o ar, um vinho tinto seco para animar. A marca do primeiro não lembro, o segundo era um Conha y Toro - de excelente custo-benefício.

No apartamento do Cara, tudo muito no lugar (ele mesmo faz a faxina), conversamos sobre tudo, de sexo à religião; ouvimos as melhores músicas; assistimos no YouTube a alguns clipes - para tirar a dúvida de quem é melhor: Beyoncé ou Shakira (esta, é claro) -; e dançamos. O Mortal aqui fez algo que, algumas taças de vinho depois, poderia ser classificado como dança, com algum esforço.

Pouco acostumada com o cálice fermentado de uvas, Diliça caiu no sono lá pelas 5h45. Mortal e o Cara, ainda sem sono, tentavam compreender, com auxílio de um livro, como é que os signos do zodíaco podem explicar quem somos. A única conclusão que tiramos, lá pelas 6h30, é de que estávamos varados de fome.

Loucura. O dia já tinha amanhecido, mesmo assim não tínhamos esgotado o estoque de risadas. Como ser feliz faz bem. E se rir rejuvenesce, devo ter ficado uns cinco anos mais jovem (embora não tenha notado diferença alguma no dia seguinte). Depois do café na Panificadora Holandesa, o Cara foi dormir, Diliça foi finalizar uma matéria e, o Mortal aqui, ler o jornal do dia. E que dia, melhor, que madrugada.
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