11 de maio de 2009

O vício não vale a pena

.
Há vários séculos, um sábio respeitado por seu povo foi procurado por uma mãe. Preocupada com a saúde de seu filho, ela pediu para que ele aconselhasse a criança a não comer tanto doce. Por algum motivo, diabetes talvez, o pequeno passava mal com a ingestão de açúcar - mesmo assim não dava ouvidos à sua mãe. O sábio, a quem o menino admirava, respondeu: “voltem daqui um mês”.

Taís Araújo
O tempo passou e a mulher retornou, ansiosa para saber o que o sábio teria a dizer. Seriam palavras memoráveis, apostava ela. Para surpresa da mulher, foram apenas simples palavras. “Pare de comer doces”, aconselhou o homem, com a voz firme e pausada, fitando o adolescente nos olhos. Indignada, aquela mãe questionou: “se era apenas isso, por que o senhor não falou da outra vez que estivemos aqui?” O sábio respondeu: “porque há um mês eu ainda comia doces”.

Ao relembrar dessa estória, passei a lamentar uma experiência que tivera dias antes.

Sou aficionado por Fórmula 1 desde o tricampeonato de Nelson Piquet, em 1986. Meu entusiasmo pela principal categoria do automobilismo mundial não diminuiu mesmo com a morte de Ayrton Senna, o melhor de todos, há 15 anos. Pelo ocorrido no fim de semana, tive de reconhecer que sou mais que fanático, sou viciado em F-1. Fiquei chateado por isso.

Rubens Barrichello, o discípulo preferido de Senna e que, ao que tudo indica, gazeou muitas aulas de pilotagem, saiu em terceiro no GP da Catalunha, mas logo na largada assumiu a liderança. Bastou isso para me deixar empolgado e vidrado diante da tevê.

Não vi três coisas: o tempo passar, Barrichello ganhar – para não perder o costume, o brasileiro da Brawn GP chegou em segundo – e o tradicional desfile cívico-militar em comemoração ao aniversário de Maringá. Dada a bandeirada final da corrida, apressei-me para chegar ao Centro da cidade, porém, o desfile já havia terminado. A mim, só restava lamentar.

Na noite anterior, passei bons minutos conversando pelo MSN com uma das mais belas maringaenses, uma estudante de Direito que, na realidade, é natural de Santo André-SP. Ao me contar que desfilaria trajada de miss, perguntou se eu cobriria o evento. “Não trabalho este domingo, mas estarei lá para te ver”, respondi, já imaginando o quanto ela estaria linda. “A gente se vê então”, disse a futura advogada, uma negra mais linda que a atriz Taís Araújo.

Não estive lá e, assim, perdi mais do que um importante evento de Maringá. Desperdicei uma agradável manhã de outono, de um imenso céu azul sem nuvens. Deixei de ver gente, de comer aquele algodão-doce feito essencialmente de corante e açúcar, de encontrar conhecidos ao acaso, de viver um momento legal da cidade, de rever alguém de encantadora beleza. Enfim, não é justo que a televisão tenha relegado tudo isso a um segundo plano.

Recentemente, aconselhei um amigo e colega de redação a deixar de fumar, preocupado com a saúde dele. Fui tolo. Deveria antes largar meu “vício” – embora não faça mal algum à minha saúde – para depois me preocupar com o vício alheio, qualquer que seja. Que o diga o sábio homem, que deixou de comer doces para, só depois, julgar-se apto a servir de exemplo àquele menino.

O sábio de outrora, é certo, teria preferido ver a mulher mais linda ao carro mais veloz, o friozinho do outono e o cair sem pressa das folhas ao programa de tevê entre quatro paredes. Assim como o garotinho que não ouvia sua mãe, anseio por sábios conselhos. Desta vez, aprendi da pior maneira: com o erro e com o lamento. Se houver uma nova oportunidade, ainda que seja GP decisivo e com brasileiro disputando o título da F-1, não perderei a companhia da miss negra.
.

5 comentários:

Octávio Rossi disse...

Não encare isso como um conselho tão pouco eu como um sábio. Mas se você tivesse um MP7, 10 ou sei lá, 34, conseguiria assistir a corrida pelo aparelho (tem aparelho com TV - a tecnologia é fantástica!) sem perder a chance de ver a miss "lei e ordem" desfilar.
Vou além, não precisaria de parafernália digital, apenas um radinho sintonizado na CBN. Não teria imagem dos carros, ok! Mas em compensação estaria vendo um "avião".
Boa sorte da próxima vez e não deixe de lado coisas boas e belas por causa de uma corrida.

ps. to afim de montar um grupo pra ir em Interlagos, tá afim?

Luana Caroline disse...

sem comentários, sr. LF...
Merece um xingão!
Além de ter perdido a chance de
tudo que você citou no texto (encontrar pessoas, comer algodão doce, ver a linda moça, etc) vc avacalhou com a menina, pois prometeu que iria.
Imagina a carinha dela quando souber que vc não foi por causa da Fórmula 1???

hehehehehehhehe desculpa se estou te deixando pior...
to só brincando!

De qualquer forma, te serviu de aprendizado sim!!!

Estamos vendo já a próxima oportunidade de irmos à bela Maringá, e também estou esperando aquele prometido texto do qual tanto comentávamos lá na nossa visita! (tudo era: "AHHH ISSO TEM QUE IR PRO BLOG!!!") hehehe

Saliento que a garçonete gente fina lá do Cézar já deve ter acessado seu blog várias vezes, na busca do texto!
hehehe

abraços

Paulo anibal Cardoso disse...

O Fernando, como foi disperdiçar uma oportunidade dessas?
F1 tem a cada 15 dias, e parada militar com miss só uma vez por ano e olhe lá.
Vc sabe que eu preferiria ver a miss.
de qualquer forma, parabens pelo texto. vc é o cara.
Mas vê se se apressa em pedir desculpas pra moça e tem que ser com flores e tudo o mais que uma linda mulher merece.
Um grande abrtaço

Anônimo disse...

Achei bem bacana o texto.

Só você pra perder tempo com o Burrinho Pedechinello. Aliás, eu também perdi meu tempo com a F1...

Eduardo Cardoso de Oliveira
via MSN

Anônimo disse...

Owww gato. não se penitencie tanto... o seu "vício" é saudável e tem mais a ver com prazer, do que vício mesmo!!! mesmo que acompanhado de um pouquinho de culpa. Encare com prazer e a culpa minimiza. Agora quanto a miss, haverá outras oportunidades.
beijos
Andréa Tragueta

Quem está na cola do LF