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12 de fevereiro de 2009

O universo hiper-realista de Gabriel T.

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Esta semana, uma amiga conhecida por alguns poucos como "OFFíssima" retornou ao trabalho, toda sorridente. Estava ela de férias, numa terra bem, bem distante: na ilha de LOST, aprendendo a surfar.

Não, a OFFíssima não estava no vôo 815 da Oceanic nem contracenou com Rodrigo Santoro, muito menos foi socorrida pelo doutor Jack Shephard. A colega repórter retornou, sim, de onde a famosa série foi gravada: Havaí (foto). Não sem antes, lá do meio do Oceano Pacífico, mais próximo do Japão do que dos Estados Unidos, enviar um cartão-postal endereçado ao amigo blogueiro (vai para a coleção).

O pessoal da redação é chique demais. Outra colega, a Traguetíssima - uma das maiores incentivadoras deste pobre blog - passou, sei lá, mais de uma semana em um cruzeiro pela costa brasileira. As férias de ambas me fizeram lembrar de um amigo que formou comigo a primeira dupla da Agência Experimental de Jornalismo da Faculdade de Pato Branco (Fadep), em 2002.

Loiro de cabelos cacheados, cerca de 1,80 metros de altura, Gabriel T. Comin - o 'T' é de um sobrenome polonês, daqueles com 20 consoantes para cada vogal - é um sonhador, culto e destemido, sujeito que no ditado popular: "mata a cobra e mostra o pau". Vou explicar.

Fui da primeira turma de Jornalismo da Fadep, o 20º acadêmico a receber o diploma da então nova instituição. Calouro da turma subsequente, Gabriel queria mais, queria ares mais cosmopolitas e menos provincianos. Dito e feito. Na metade final do curso, convenceu seus pais de que precisava se mudar para Curitiba, alegando que na capital do Estado teria mais oportunidades. Por lá, salvo engano, concluiu seus estudos em Jornalismo no final de 2005.

Gabriel se formou para, daí, aventurar-se em algo que eu gostaria de ter feito na época, e não fiz. O impulsivo estudante - que nos tempos de Fadep paquerou a belíssima filha do nobre diretor - guardou o canudo na estante para embarcar num cruzeiro, ou melhor, em vários.

Não foi a passeio. Sem grana como 99% dos estudantes recém-formados no Brasil, conseguiu descolar (por falar bem inglês e pela aparência a la Beckham) uma vaga de garçom em um grande navio. Enquanto os mais abastados desinchavam os bolsos no luxo do grande "barco", Gabriel ralava (a la operário chinês) não menos de dez horas por dia em um cruzeiro que, vejam só, tinha em seu itinerário os principais destinos turísticos do Mar Mediterrâneo. Dizem que ele chegou a enjoar do litoral da Espanha, da Itália, da França.

O rapaz natural de Coronel Vivida, uma pequena cidade do sudoeste do Paraná - onde os jovens mais "normais" parecem presos ao destino de se casar e passar a vida toda no mesmo emprego -, registrou a experiência em seu blog. No site, relembrou uma ocasião em que teve de pegar um avião até a ilha de Malta, de onde zarparia o navio. No voo, estraviaram a bagagem dele e, sem tempo de comprar o essencial, precisou de roupas emprestadas dos colegas garçons, inclusive de cuecas. Parece que a mala foi entregue alguns dias depois, só não sei se os amigos aceitaram as cuecas de volta.

Atualmente, Gabriel se define como "garçom de navio aposentado e jornalista nas horas vagas". Não sei por aonde ele anda, infelizmente, perdi contato. De qualquer forma, Gabriel deixou uma importante lição aos seus conhecidos e aos leitores de seu blog: os destemidos aproveitam melhor a vida do que os "normais" - e gastam menos dinheiro. Mesmo sem ter precisado de um boca-a-boca do dr. Shephard, OFFíssima (que já morou um ano nos Estados Unidos como intercambista) que o diga.

Errata!
O quinto parágrafo foi alterado onde mencionava que Gabriel se formou em Jornalismo na UFPR, enquanto na verdade ele se graduou na UnicenP (ver comentários). Agradeço a colega jornalista Aleta Dreves, professora universitária no Acre (e seguidora deste blog), pela correção.