14 de agosto de 2018

Quero Café! Crônicas de uma saudosa redação de jornal

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Num tempo não muito distante, antes de o principal jornal de Maringá perder excelentes profissionais devido a salários atrasados, a redação desse periódico diário era vibrante, repleta de repórteres de todo naipe: tagarelas, rabugentos, espirituosos, sensíveis, compenetrados; sempre insatisfeitos com as fontes, com as pautas, com os editores, com a ligação telefônica que nunca completava, com a quantidade de toques para a matéria, com o café frio (ou com excesso de açúcar), com o frio do ar-condicionado...

Havia sempre algum motivo de reclamação, e o campeão da lista era o incômodo dead line (prazo limite para o repórter entregar sua matéria ao editor). "Quero Café! Crônicas de uma saudosa redação de jornal" conta, claro, alguns desses dissabores no jornalismo, mas vai muito além ao proporcionar aos leitores inúmeras alegrias de quem ama escrever, e tem a sorte de viver do que escreve.

Jornalista com mais de 15 anos de experiência em jornal impresso, Luiz Fernando Cardoso extrapola as quatro paredes daquela saudosa redação. O autor relata os bastidores de coberturas “na rua”, como na ida a um badalado show sertanejo, na aventura por trás da primeira manchete ou em algumas votações polêmicas na Câmara Municipal de Maringá.

As crônicas de “Quero Café!” também levarão os leitores a conhecer o universo desses jornalistas fora da redação, sem o estresse causado pelo dead line. Sim, jornalista também tem vida social, e no caso do autor e de seus colegas de redação parte das crônicas se passa em suas casas, no parque de diversões e em cafeterias da cidade, com um bom expresso para celebrar a amizade.

9 de agosto de 2018

Homem de bem

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A hora do jantar, em família, é sagrada para José Borges, 45 anos, casado, pai de um filho pequeno. Na mesa, a apetitosa comida estava ainda mais saborosa desde a reconciliação com sua senhora. Ficaram brigados por algumas semanas, depois que a raiva dele resultou em hematomas nela. Foi um desentendimento "por amor", dizia ele.

Borges jantava seu prato favorito, frango frito com batata inglesa assada, temperada com pimenta do reino, salsinha e azeite de oliva; quando o telefone fixo tocou.

— Poxa vida, bem na hora do jantar. Atende lá mulher, que eu trabalhei o dia inteiro.

A esposa estava exausta após a faxina, os cuidados com o filho, as compras no supermercado, os preparos do jantar, as aulas do curso de graduação a distância. Ainda assim, levantou-se da mesa e atendeu a ligação, sem reclamar.

— É seu amigo Nico. Quer falar contigo.
— Tem de ser agora?
— Ele insiste que é urgente.

Ainda mastigando um bocado de frango frito, Borges apanhou o telefone.

— Fala brother.
— Zé, seu celular está desligado? Tentei te ligar e não atendeu.
— Parou de funcionar. Vou procurar aquele ambulante filho da mãe para reclamar.
— Já te disse para não comprar na rua. Pode ser aparelho roubado — advertiu Nico.
— Mas diga lá, o que há de tão urgente?
— Você não viu? Seu vídeo passou na tevê para o país inteiro!

Ah, quem diria! O vídeo despretensioso de Borges, gravado na horizontal conforme as recomendações dos jornalistas da emissora, havia sido selecionado para o quadro “O Brasil que eu Quero”. A estratégia de gravar em frente à igreja matriz, cartão-postal da pequena cidade, pelo visto fora acertada.

Nos minutos seguintes, mais ligações atendidas pela esposa e outras interrupções no frango com batatas. Eram outros amigos contando a boa nova. No aplicativo de mensagens, que ele não podia acessar sem seu smartphone, Borges podia imaginas as centenas de felicitações pelo feito.

Zé, para os mais chegados, era um sujeito conhecido, benquisto na sociedade local. Motivo que explica os telefonemas. Após um dia puxado, Borges se sentia merecedor daqueles segundos de fama. Parecia um jovem youtuber com o sorriso no rosto pelo primeiro vídeo com um milhão de acessos.

Antes de revelar o conteúdo do vídeo que ganhou as telinhas de todo o Brasil, vale a pena relembrar o atarefado dia desse distinto cidadão. Pela manhã, pulou da cama por volta das 7h30. Deu uma rápida zapeada nos incontáveis canais de sua “gratuita” skygato. Reclamou do café da manhã: “Omelete, de novo”. Saiu sem se despedir da mulher, que acordara uma hora e meia antes passar o café e preparar a papinha do bebê.

Na saída de casa teve o segundo incômodo do dia – o primeiro fora a omelete. Na caixinha das correspondências, uma do departamento de trânsito o informava sobre uma multa tomada dias antes por avanço de sinal vermelho. "O que tem de passar um pagador de impostos nesse país injusto", esbravejou Borges, em pensamento.

Um pouco atrasado por conta da leitura da correspondência, trafegou cinco metros na contramão para não precisar dar toda uma volta no quarteirão. Ao menos ali, a prefeitura não havia instalado câmeras de vigilância para flagrar infrações de trânsito. Para Borges, as lideranças municipais deveriam se preocupar mais com bandidos, ao invés de punir gente de bem com uma “indústria da multa”.

Menos de dez minutos depois, o apressado condutor já estava na Câmara Municipal. Cargo, assessor parlamentar; salário, R$ 5 mil. Não tinha jornada definida de trabalho. Na verdade, dava as caras no gabinete duas ou três vezes por semana, e devolvia 40% do rendimento mensal para o vereador. O repasse ajudava a compor o caixa dois da campanha seguinte. Trabalho duro, mesmo, só no período de eleições, sob risco de seu parlamentar perder o mandato e, ele, a boquinha generosa. No poder público, sempre há teta para mais um.

Quando dava as caras, a permanência na Casa de Leis costumava ser de meia hora, salvo duas exceções: em dia de sessão com projeto de lei polêmico envolvendo seu vereador e quando a assessora gostosa de outro parlamentar estava na área, dando sopa. Sempre rolava uma paquera, ao menos da parte dele, na cantina dos funcionários do Legislativo, onde não havia câmeras.

— Jordana não está por aí hoje? — perguntou Borges, sobre a cobiçada assessora parlamentar.
— Tome jeito, Zé — respondeu a secretária do vereador, um sujeito de extrema direita, pouco dado a minorias e “gente da senzala”, como o próprio edil costuma dizer.

O vereador tinha grande estima por Borges, “um dos seus”, apesar das passagens do assessor pela polícia por agressão doméstica e injúria racial. Contudo, o parlamentar, um moralista, desaprovava as cantadas do assessor casado à colega do Legislativo. O que diriam os eleitores se descobrissem. Entre seus apoiadores nas urnas estava fiéis da Galáxia do Reino de Deus, algo assim.

— Bom, já que a gatinha do gabinete vizinho não está, vou cair na estrada.
— Com esse tempo de chuva, Zé?
— Sim, as encomendas não param. Quer alguma coisa?
— Duas garrafas de gim. Não esquece.

Por conta de seu horário flexível na Câmara, Borges tinha tempo de sobra para suas idas e vindas do Paraguai. Com as muambas, conseguia triplicar as rendas do mês. Trazia de tudo, laptops, iPhones, pneus, televisores de tela plana, videogames, cigarros etc. Só não mexia com drogas ilícitas, porque homem de bem tem de dar bom exemplo.

Deu azar uma única vez. Foi pego na aduana, perdeu tudo o que estava acima da cota limite e aprendeu com aquela dura lição. Agora, Borges faturava ainda mais ao voltar do "Paragua" com sua caminhonete abarrotada de produtos. O esquema na fronteira era bom para ele e para os fiscais, que ganhavam uma gorjeta generosa por semana para fazer vista grossa. O próprio vereador, ambulante antes de ser eleito, foi quem lhe ensinou o caminho das pedras, ou melhor, da "fiscalização zero".

No retorno à cidade natal, para não perder o hábito, parou na estrada para tomar sua caninha. Na casa das primas, tinha a carícia certa lhe aguardando. Pagava bem para escolher, e escolhia a opção mais arrebitada. “Isso é coisa de homem”, já dizia seu avô. “Homem é assim mesmo”, dizia sua avó, conformada. Àquela altura, a esposa já havia posto a mesa do jantar.

Pegar estrada esburacada não é tarefa fácil. Quando chovia forte, como era o caso naquele dia, Borges reduzia a velocidade e bebia apenas uma cachacinha, sem a saideira. Varado de fome, deixou as encomendas para entregar na manhã seguinte, já que não precisaria bater ponto na Câmara.

Aliás, meses antes, Alves, o parlamentar esquerdista FDP, tentara impor a obrigatoriedade de ponto biométrico na Casa de Leis, mas, felizmente, seu vereador havia conseguido o apoio da maioria para vetar a proposta. A "normalidade" de sempre seguia sendo a regra.

— Olá, Zé, como foi seu dia? — perguntou a esposa, no retorno do marido ao lar.
— Muito puxado, como sempre. O trânsito na fronteira e o vai e vem dos muambeiros nas lojas me estressam, você sabe. E com a chuva, pior ainda.
— E na Câmara, tudo certo?
— Não tinha nada para fazer lá. O dia de receber os pobres pedintes no gabinete é só na semana que vem.

A pergunta da esposa sobre a Câmara não era por suspeita da paquera indevida, mas por preocupação. Ela tinha ouvido na rádio, enquanto limpava a casa, que o promotor estava investigando denúncia de funcionários fantasmas.

— O quê? Que promotor desocupado. Não tem bandido para prender não?
— Isso te preocupa?
— Claro que não, porque o trabalho de um bom assessor é na rua, falando com o povo.
— Quem você acha que fez essa denúncia?
— O FDP do Alves, com certeza. 

Como a mesa já estava posta, Borges desandou a comer. Foi quando o telefone tocou. O assessor chegou a pensar que seria seu vereador, mas era o amigo Nico, trazendo a boa nova. O que os amigos viram na telinha foi um Zé boa pinta, gel no cabelo, camisa branca bem passada, pedindo no horário nobre por “um país com melhores estradas, com menos impostos e sem corrupção”. Um belo discurso, digno de um cidadão de bem, apesar da hipocrisia.


7 de agosto de 2018

Como ler um e-book

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Muitos amigos, mais habituados aos livros tradicionais (como quase todo mundo), me perguntam: "Como faço para ler um e-book?" Vou confessar que até alguns anos eu também não tinha a menor ideia.

O bom é que não há segredo. Posso garantir que é mais fácil do que acertar uma cesta de três no basquete ou correr 3 km no entorno do bosque. Na verdade, para quem testa e se adapta aos livros digitais, eles logo se tornam muito mais práticos do que os livros impressos.

Assim como "Orfeu e Violeta: E outras histórias lá de Pato Branco", meu segundo livro, "Quero Café! Crônicas de uma saudosa redação de jornal", é um e-book em formato Kindle. Ou seja, é multimídia. Dá para ler também no seu smartphone, tablet, laptop (notebook) e PC.

Na minha opinião, o Kindle proporciona a melhor experiência. Leve e silencioso, o aparelho da Amazon tem uma tela que simula a leitura no papel (por não emitir luz), é capaz de suportar biblioteca com mais de 5 mil títulos e sua bateria pode durar semanas. E está cada vez mais em conta, com modelos a partir de R$ 219.

Para adquirir os e-books "Quero Café!" e "Orfeu e Violeta" é preciso se cadastrar na Amazon (mesmo procedimento para comprar qualquer coisa na loja). Se você tem um Kindle, em alguns segundos o livro aparecerá no seu dispositivo.

Mas se você não tem um Kindle, basta baixar no seu smartphone o aplicativo de mesmo nome, fazendo login com o e-mail cadastrado na Amazon. O e-book comprado aparecerá no aplicativo, seja no tablet ou celular.

Por fim, para quem prefere ler no PC/laptop, o acesso se dá pela nuvem. Conectado à internet, acesse o Kindle Cloud Reader com seu login da Amazon. Pronto, o livro comprado estará lá, prontinho para ser lido. O bom é que é tudo sincronizado, como mostra a imagem desta postagem!

Aí, é só preparar um bom café e mandar ver na leitura. Não disse que era mais fácil que dar a volta no bosque correndo? Para quem sabe ler e tem boa vontade de aprender, o céu é o limite.


10 de julho de 2018

Sonhei com o Corinthians

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Noite fresca de outono, digna de um bom vinho tinto e de um prato saudável que me lancei a preparar para a família. No menu do dia, sopa de frango com caldo de abóbora cabotiá, com toque final de manjericão fresco da muda que eu ganhara semanas antes da amiga jornalista Juliana Daibert. A esposa aprovou, e repetiu, mas o gato Timbu deu apenas um golinho no caldo. Nessas horas, a família serve de cobaia em minhas incursões na cozinha.

O vinho e o jantar de quarta-feira, normalmente, acompanham a rodada do futebol. Na tevê, Corinthians e São Paulo pela semifinal do Paulistão 2018. No sofá, este jornalista, palmeirense, deliciava-se com a tensão alheia para conhecer o adversário do alviverde imponente na final. Em tese, todo palmeirense torce contra o Corinthians, mas naquele caso pouca diferença faria se o vitorioso fosse bambi ou gambá.

No segundo tempo, o zero a zero no placar despertou a irresistível vontade de zapear. Para quem cresceu em tempos analógicos, em que controle remoto não existia, trocar sucessivamente de canais sem levantar do sofá proporciona um prazer difícil de descrever. Quando percebi, estava envolvido com o Alienígenas do Passado, programa do History Channel que defende a tese de que seres de outros planetas tiveram importante papel no desenvolvimento de civilizações antigas.

Enfim, as histórias dos teóricos dos antigos astronautas me fizeram esquecer completamente do jogo e, quando lembrei de retornar ao canal de origem, o Corinthians tinha acabado de abrir o placar, nos acréscimos, levando a partida para os pênaltis. No momento decisivo, provavelmente sob bênção de São Jorge, o goleiro Cássio pegou duas e o Timão avançou à final. Ainda no sofá, peguei no sono minutos depois. E o sonho (pesadelo, talvez) que viria foi surreal.

Estávamos eu e os ex-colegas de redação Luiz de Carvalho e Welington Vainer saindo do estádio, onde tínhamos assistido àquele mesmo derby paulista. Nos tempos do jornal O Diário, Carvalho e Vainer eram parceiros do cafezinho da tarde em uma cafeteria na Avenida Brasil, de duas irmãs chamadas Val. Talvez pela influência subliminar desse convívio profissional diário eles tenham sido incluídos no sonho.

De repente, já estávamos em outro ambiente. Não sei dizer se era um pub ou uma cafeteria. Comentávamos sobre a ineficiência bambi – ao tomar o gol nos acréscimos – quando surgiu, todo ofegante, com a voz ligeiramente trêmula, um jogador do Corinthians. Ao menos no sonho, parecia muito se tratar de Romero, o atacante paraguaio.

— Eles foram embora sem mim — dizia, repetidas vezes, o jogador.
— Calma rapaz. Eles quem? — perguntou Carvalho.
— Meu time, o Corinthians. Esqueceram de mim — respondeu.
— Como é que um time esquece do jogador. Você não deve ser um cara importante, então — comentei.
— Que absurdo isso. Cadê o assessor do time numa hora dessas — reclamou Vainer, o único corintiano no recinto, além do jogador.

Discorríamos sobre o inusitado episódio quando Romero começou a chorar. De tão transtornado que estava, o corintiano custava a ouviu nosso convite para se acalmar. Nada como alguns goles de café, sem pensar nos problemas, para acalmar a alma.

— Rapaz, para que tanto desespero. Por que você não pega um táxi ou um uber? — questionou Carvalho.
— Não sei pra onde o time foi.
— Então, vai pra sua casa — sugeriu Vainer.
— Não lembro onde eu moro — respondeu o jogador, enxugando as lágrimas.
— Caramba. Depois dessa vou precisar mais de mais um café. Surreal — eu disse.

Parecia um pesadelo. Estávamos lá, entre goles de café, sem saber o que fazer com o corintiano. Ninguém queria se responsabilizar pelo cidadão, nem mesmo Vainer, que por ser do mesmo time tinha mais responsabilidades do que nós naquela situação. Se alguém tivesse de servir de babá, que fosse ele.

— Você que tem de levar o Romero embora — comentei, dando um tapinha nas costas do colega Vainer.
— É sim, é seu dever como corintiano — emendou Carvalho, aos risos.
— Não posso, vou pegar meu ônibus para Castelo em 15 minutos — retrucou Vainer, referindo-se à sua cidade, Presidente Castelo Branco, situada na região metropolitana de Maringá.

Ainda preocupado com o abandono, Romero disse estar sem dinheiro. Isso era ainda mais custoso de acreditar. Jogador de time grande sem grana? Devia ganhar por jogo, ainda que ficasse no banco, mais do que nós jornalistas num ano todo de trabalho.

O corintiano aceitou beber algo enquanto pensávamos no que fazer. Pediu achocolatado. Não tinha. Pediu fanta uva. Tinha. Vainer já havia vazado, como medo de ficar de babá. Éramos só Carvalho, eu e o jogador abandonado pelo Timão.

— Ele deve estar há muito tempo sem fazer gols, para ser esquecido desse jeito — eu disse a Carvalho.
— Nem sei. Prefiro ouvir jazz e ler livro a ver o Corinthians — respondeu Carvalho, sendo interrompido por Romero.
— Vocês não gostam de fanta uva?
— Não.
— Não.
— Por que não?
— Porque prefiro café — disse.
— Porque é bebida de criança — disse Carvalho. — Ou de bambi, e você é corintiano — acrescentou.

Para onde levar o cidadão, era essa a questão que pairava no ar. Para o albergue? Para a delegacia? Ou seria melhor ligar para o Conselho Tutelar? Muitas ideias surgiam quando, ao longe, notamos o amigo Rodrigo Parra se aproximar, com sua bike. Também jornalista, e fanático pelo Timão, Parra haveria de saber o que fazer.

— Parra, nos ajude por favor. Não sabemos o que fazer com este jogador — eu disse.
— Romero, o que você está fazendo aqui com um palmeirense? — perguntou Parra.
— Tomando fanta uva.
— Certo, deu para notar. Mas você não deveria ter viajado com o time? — tornou a perguntar Parra.

Nos instantes seguintes, Romero repetiu toda a história da má sorte do abandono, e tornou a chorar. Parra acalmou o jogador e tranquilizou a todos com sua resposta.

— Eu sei onde ele mora. Vou levá-lo para casa — disse.
— Ufa — respondi.
— Ainda bem. Como você vai levá-lo? — questionou Carvalho.
— No quadro da magrela, onde mais — respondeu Parra.

Em alguns cantos do país, o quadro da bike se chama "varão". Logo, Parra levou Romero para casa no varão. Acordei a rir disso, no sofá, horas depois do fim do jogo, pasmo pelo sonho bizarro que acabara de ter. Tomei um copo d'água, tornando a rir da situação do Romero, e fui para a cama acompanhar a esposa e o felino no descanso noturno. Não é todo dia que se tem um pesadelo desses com o time rival.


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16 de março de 2018

"Orfeu e Violeta" entre os mais vendidos

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COMPRE AQUI
Primeiro livro do jornalista autor deste blog, "Orfeu e Violeta: E outras histórias lá de Pato Branco" superou todas as expectativas em seu lançamento. E superar expectativas quando se trata de venda de livros é algo quase tão difícil quanto ganhar na loteria.

O livro digital, com 24 crônicas ambientadas em Pato Branco, chegou a liderar o ranking de e-books mais vendidos pela Amazon, na categoria crônicas. Considerando apenas os lançamentos, permanece como best-seller nessa categoria desde segunda-feira (12).

Parte da façanha se deve à ampla divulgação nas redes sociais, com amigos compartilhando a novidade, e com o ótimo destaque dado por veículos de comunicação. Clique nos links para ver as reportagens que já foram publicadas:

O destaque alcançado pelo livro, já em sua primeira semana após o lançamento, só foi possível graças a esse apoio na divulgação de "Orfeu e Violeta". Por isso, preciso reforçar o agradecimento aos amigos que prestigiaram e apoiaram a publicação.

"Orfeu e Violeta" no Diário do Sudoeste, de Pato Branco (PR),
jornal onde o autor iniciou sua carreira como jornalista


COMO LER?
O livro é baixado diretamente no Kindle do comprador ao preço de apenas dois cafezinhos, com venda exclusiva pela Amazon

Contudo, a venda não se limita aos proprietários do leitor de livros digitais da Amazon. É possível ler o e-book em qualquer smartphone, em tablets e no PC.

Para ler "Orfeu e Violeta" no celular ou tablet, basta baixar o aplicativo Kindle (gratuito) na App Store, Google Play ou Windows Store, dependendo do seu aparelho. Para acessar o aplicativo, basta digitar o mesmo login e senha usado para a compra do livro na Amazon.

No PC é ainda mais fácil, porque não é preciso baixar nada. Conectado à internet, acesse o site ler.amazon.com.br para ler "Orfeu e Violeta" que você já comprou. Usando o mesmo login e senha de sua conta da Amazon, o livro aparecerá em sua biblioteca. 

Muito simples. Se ainda assim não conseguir, fale comigo (autor) pelo whats 47 99761-8505.


11 de outubro de 2014

Não ao "rouba, mas faz"

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Nunca fui adepto do "rouba, mas faz", expressão que lembra Maluf e outros fichas sujas. E nunca vou ser, apesar de críticas até de pessoas próximas, que discordam do meu posicionamento. Se sou honesto, tenho o direito de exigir isso da classe política.

Quem renova o mandato de governos corruptos não pode se dar ao luxo de ficar indignado com os altos impostos do Brasil; com a saúde precária; com brasileiros morrendo na fila por falta de atendimento e até de medicamentos; com o amigo que tem problema grave de saúde e leva meses para conseguir uma consulta médica; com a escola pública de péssima qualidade, que não serve para os filhos de senadores e deputados, por exemplo; com o filho que ficou sem merenda na escola porque alguém desviou recursos; com o salário (ou o que chamam de salário) dos professores; com o juiz que mandou soltar bandidos porque não tinha vaga no sistema carcerário; etc.

Quem dá um contrato assinado em branco (o voto) para que um governo corrupto continue no poder não pode se indignar com nada disso, porque toda a fortuna que é desviada para a conta de políticos ladrões, corruptos, e seus comparsas seria o suficiente para resolver todos esses problemas e outros que não listei. E se listasse, não caberiam num livro.

Político, corrupto ou não (a minoria), ama o voto mais do que qualquer coisa. Alguns, mais do que sua própria mãe. Político precisa do seu voto para ficar ou chegar ao poder. Se pararmos de votar em governos com escândalos de corrupção, se dermos o recado nas urnas de que não importa o que tenham feito de bom, se tiverem desviado dinheiro público não terão nosso voto; forçaremos os políticos a adotarem postura mais honesta conosco e com o dinheiro dos nossos impostos.

A política do "rouba, mas faz" tem de acabar, e isso só vai ocorrer com a renovação constante e sem piedade dos governantes e legisladores. Errar na escolha e eleger político que, mais tarde, mostra-se corrupto é humano. Errar de novo e manter um corrupto (ou alguém que não seja, mas parabeniza um colega de governo, corrupto, pelos "bons serviços prestados") no poder é burrice.

Tenhamos em mente que o que determinado governante faz por nós é obrigação, não um favor. E se o faz tirando proveito, direta ou indiretamente, de esquemas de corrupção, não merece nosso voto. Nós pagamos os políticos muito bem para que eles nos representem. São nossos empregados, pagos com nosso dinheiro. E empregados desonestos a gente demite por justa causa.

Se reciclagem é o caminho para um mundo sustentável, também o é para um sistema políticos mais honesto... ou menos nojento.
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28 de novembro de 2013

Curiosidades

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Redes sociais envolvem seus usuários em uma relação de amor e ódio. Bom percentual do conteúdo nelas compartilhados são fúteis e descartáveis, mas quem consegue ficar sem dar uma bisbilhotada, de vez em quando, na linha do tempo para ver a última dos amigos?

O Facebook é tal como garimpo. Em meio a muita lama e pedras há algumas pequenas pepitas de ouro – bons conteúdos, produtivos, interessantes, com humor refinado. Ao clicar "curtir" em um deles, entretanto, acabei me comprometendo.

Um amigo havia escrito uma lista de curiosidades sobre ele. Achei interessante e "curti", sem me dar conta do teor da brincadeira. Quem curtisse, teria de relatar curiosidades na rede, conforme número recebido pelo amigo curtido. Este que vos "fala" recebeu o número 15 e fez sua parte.

1- Sou viciado em café. E o primeiro passo é reconhecer o vício;

2- Tal como o amigo advogado Leonardo Pacheco, que me apresentou essa brincadeira e me intimou a apresentar 15 curiosidades sobre mim, tenho medo de panela de pressão. E por isso não cozinho feijão;

3- Fiz curso de datilografia em máquina de escrever Olivetti e, desde então, não preciso mais olhar para o teclado;

4- Sou metodista (denominação protestante), mas cursei a pré-escola e o antigo primeiro grau em instituições católicas;

5- Meu primeiro vídeo game foi um Atari 2600 (quem nasceu depois dos anos 80 e não faz ideia do que é isso, clique aqui);

6- Escrevo cartas e coleciono cartões postais. Os mais inusitados que recebi foram postados da Groenlândia e de Galápagos, mas ainda não recebi nenhum da Ásia;

7- Desde 2000 me correspondo por cartas com uma amiga húngara de Budapeste, chamada Liana. Ainda não a conheci pessoalmente;

8- Cuido bem do meu coração com um bom vinho tinto e meu prato favorito é feijoada;

9- Cursei um ano de Tecnologia em Automação Industrial, no antigo Cefet-PR, antes de desistir dos cálculos para estudar Jornalismo;

10- Meu primeiro trabalho como jornalista, antes mesmo de terminar a faculdade, foi como repórter estagiário de esportes no Diário do Sudoeste, de Pato Branco, em 2003. E meu chefe, à época, era sobrinho de Renato Russo;

11- Gosto de estudar idiomas. Falo inglês e italiano e tentei aprender alemão e francês (até o momento, sem sucesso);

12- Disputei competições de tênis de mesa e, ao modo Barrichello, fui duas vezes vice-campeão da faculdade;

13- Meu maior hobby é viajar, conhecer novas culturas e gente diferente. Realizei um dos sonhos de infância aos 29 anos, ao conhecer Machu Picchu;

14- Casei antes dos 25 e me divorciei bem antes dos 30. Se arrependimento matasse, não estaria aqui participado dessa brincadeira;

15- Não quero me curar do meu vício.
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