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31 de janeiro de 2019

Big Brother Brasil 119

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Você do futuro, peço um pouco de sua atenção! O ano é 2019.

Um dólar vale em torno de R$ 3,80; o salário mínimo de fome no Brasil subiu de R$ 954 para R$ 998 no governo Bolsonaro (R$ 8 abaixo do valor previsto no orçamento de 2019); carros elétricos ainda são raros; os políticos mantêm gordos salários e avantajados benefícios; as ações da Vale despencaram após o criminoso desastre em Brumadinho (MG) – enquanto escrevo, inúmeros corpos seguem soterrados nos rejeitos de minério de ferro –; o homem ainda não pisou em Marte; ovo faz bem à saúde; banha de porco é mais saudável que óleo de soja; o lanche prensado de Maringá segue sendo o melhor do planeta; e o Big Brother Brasil (BBB) chega à sua 19ª edição.

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Vivemos numa época em que youtubers são tão populares entre os jovens quanto os poetas foram em outra época. Isso talvez explique o fato de termos grandes livrarias em recuperação judicial, editoras demitindo, jornais fechando as portas e bibliotecas vazias. Enquanto isso, os "heróis mais vigiados do Brasil" garantem fabulosa audiência à principal emissora de TV do País. São 18 anos consecutivos de BBB, sendo que o primeiro ano contou com duas edições.

Dia desses, um grupo de cientistas descobriu que é possível diagnosticar alzheimer antes do surgimento da doença. Outros pesquisadores chegaram à conclusão que beber café diariamente pode prevenir alguns tipos de câncer. Para você, que vive num futuro em que alzheimer e câncer provavelmente sejam doenças curáveis, isso pode não parecer grande coisa, mas para nós, meros mortais do passado, são fatos a serem comemorados.
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Do ponto de vista tecnológico, os avanços são inegáveis. Meus avós, por exemplo, só viram energia elétrica e água encanada quando já eram adultos. Nem fogão a gás tinham. Contudo, apesar das inovações, em alguns momentos temos a impressão de ter retrocedido à Idade Média. Você, caro leitor do futuro, pode acreditar que o povo do meu tempo acabou de eleger um presidente que mede negros por arroba e que não empregaria mulher com o mesmo salário de homem? E, pasme, milhares de mulheres votaram nele! Procura aí nos livros de história para confirmar. O cidadão se chama Jair Bolsonaro, e tem um vice general mais esperto que ele. Como estamos vivendo a história, não faço ideia de como ela vai terminar, mas a impressão é de que são poucas as chances de um final feliz.

9 de abril de 2010

Entrevista com Cobain

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"Quando Toddy chamar seu nome acene para o público e vá ao encontro do entrevistador, okay?", disse a assessora, enquanto retocava a maquiagem da mais recente celebridade do País. Cobain não participou do reality show Big Brother, mas havia se tornado conhecido da noite para o dia. Foi dormir anônimo, e acordou com pedidos de entrevista ao telefone. Chamou uma amiga jornalista – e ex-namorada, claro – para ajudá-lo a lidar com a situação e com o assédio da imprensa. Tornara-se famoso, por acaso.

Cobain era o entrevistado da noite no Toddy Show, programa que se tornara campeão de audiência no horário nobre, liderado por John Toddy, um apresentador de humor sarcástico e perguntas ácidas. Composto por três blocos, o programa normalmente tinha três entrevistados. Contudo, Toddy falaria apenas com Cobain naquela noite. O mundo queria saber mais sobre o moreno de 1,82m de altura, que conquistava as mais belas mulheres até nas muitas vezes que, sem carro, teve de ir à pé ou de carona para as baladas.

A fama veio após o lançamento do livro "Cobain e o Universo Feminino", que revela romances de um galã e dá dicas de como entender mais bem as mulheres. "Quando compreendidas e amadas, mesmo na TPM, elas fazem tudo o que eles querem (na cama)", diz trecho do livro, que se tornou best seller mundial em menos de um ano após seu lançamento. Averso a entrevistas e se sentindo pressionado a revelar a identidade do protagonista, Luiggi Oliveira contou em entrevista exclusiva à revista semanal "Tudo" quem era Cobain e como o conhecera. Feito isso, o escritor se isolou em sua casa na Serra Gaúcha e Cobain, não teve mais sossego.


— Vou receber agora aquele que talvez seja o maior galã desde Don Juan. Vem pra cá Cobain — anunciou John Toddy, seguido de música de entrada de seu sexteto.
— Depois que Luiggi Oliveira revelou seu verdadeiro nome, você prefere ser chamado apenas de Cobain. Por quê?
— Nossa, como estou nervoso. Se ficasse assim com as mulheres ainda seria virgem — disse Cobain, arrancando risos da plateia. Era sua primeira entrevista em rede nacional e ele, ainda confuso com tamanho assédio, esperava agradar.
— Queria eu ser mais tímido diante das câmeras e ter tanta facilidade com as mulheres.
— Não há segredo, você só precisa dizer o que elas querem ouvir. E ser romântico e atencioso na dose certa.

— É possível manter esse nível de conquistador sempre? Por exemplo, no fim de semana agora acontece a Atchuca, uma das maiores raves do País. Você consegue se dar bem nesse tipo de festa?
— Vixi, faz tempo que não vou a uma rave. Hoje em dia deve ser bem diferente. No meu tempo não existia "emos", por exemplo — disse o bem apessoado, seguido de mais risos da plateia.
— O que rola numa rave, além de "emos"?
— Rola de tudo: música tecno, várias tribos de gente, de hippies a playboys, muita "bala" e muito "doce" — disse, referindo-se ao uso de entorpecentes ilícitos. — Muito energético também. Tem uma galera que faz swing, que é um malabarismo com foto e cordas e não orgia sexual, claro — acrescentou o entrevistado.

— Você quer dizer que em rave fica todo mundo noiado? — perguntou Toddy, que insistia no assunto ao ouvir de seu diretor que a audiência havia disparado.
— No meu tempo, cerca de 85% usavam algum tipo de droga, infelizmente.
— Fiquei sabendo que essas festas às vezes duram dias. Como isso é possível Cobain?
— Então Toddy, quando você está numa festa que não tem hora pra acabar, afastada da cidade, com bebida, comida, drogas e opções para sexo... cheio de gente, por que ir embora?

— Como o oportunista Cobain se comportaria na festa deste fim de semana?
— Não vou a essa festa, mas vou traçar um perfil psicológico do Cobain (risos). Ele é um cara que se dá bem com as mulheres, certo? Sai com mulheres que os outros geralmente nem chegariam. Quero dizer, sai com mulheres casadas e noivas, isso pra não falar naquelas que têm namorado. Então, ele é um cara que analisa as meninas, que sabe conversar com elas e encontra as lacunas que elas querem.


— Mesmo em uma rave?
— O tempo todo. Agora, como conselheiro amoroso, faço isso também profissionalmente.
— Como conselheiro, que dica você tem a quem quer se dar bem numa rave sem usar drogas, e que quer deixar a festa direto para um motel?
— Quanto mais sóbrio você estiver, melhor. É isso que posso dizer. Estando sóbrio, você tem condições de chegar na menina na hora certa.

Com a audiência bombando, John Toddy encerra o primeiro bloco e chama o intervalo comercial. Cobain, já mais relaxado, é aconselhado por sua assessora. Em sua primeira aparição em horário nobre, e em rede nacional, o galã conquista sorrisos e audiência.

Não saia daí, nem mesmo para estourar pipocas. Voltamos em segundos com Cobain, o novo Don Juan... (pausa) que merda isso aqui. Oooo direção, a gente está economizando no ar-condicionado por acaso? Deixa mais frio isso aí!
Você acha que me saí bem? — perguntou Cobain.
Claro, mas vê se conta mais detalhes sórdidos, para apimentar a entrevista. Aliás, acho que aquela minha assistente de palco ali está de olho em você.
— Eu sei, já combinei uma volta com ela assim que sair do teu programa.
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