27 de outubro de 2009
Para conhecer a audiência
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Acompanho diariamente – desde que fui relocado da editoria de Política do impresso para o site, no início de 2009 – as estatísticas de acessos de O Diário Online. A ferramenta para verificar a audiência é o Google Analytics, a mesma que desde julho passei a utilizar em meus três blogs: Café com Jornalista, LF na Alemanha e este, de crônicas.
Graças ao Analytics, agora posso acompanhar de onde vem minha audiência; quantos acessos tenho por dia, semana e mês; quais as crônicas mais lidas e quanto tempo os leitores permenacem em cada uma delas; além de pormenores como o navegador utilizado pelos leitores – no caso do Blog do LF, em agosto, 57% das visitas se deram via Firefox, contra 30% do Explorer e 10% do Chrome.
Agosto foi o primeiro mês completo de meu blog no Analytics, que revelou 1.015 acessos únicos de um total de 1.629 visualizações de páginas. Para minha surpresa, 794 dessas visualizações ocorreram na página do texto "Fusca para todos, até para loucos", justamente uma de minhas postagens teste, sem pretensão alguma de agradar a audiência. Enquanto isso, a página de entrada do blog teve 403 visualizações, o que representa apenas 50,7% do número de acessos do texto do Fusca.
Foi então que descobri quanto o Analytics pode ser interessante. Com essa ferramenta, soube que grande parte dos acessos no texto do Fusca vem da pesquisa de imagens do Google. Para tirar a prova, digitei "Fusca" no Google Imagens para ver que (pasmem) uma das fotos publicadas Blog do LF surge na primeira página da pesquisa. De duas... duas: o blog está bem ranqueado e o brasileiro ainda curte muito o velho Volkswagen Fusca.
Sabe aquele caso de mídia (cada vez mais recorrente) em que a grande reportagem, com fatos apurados com isenção, com denúncias embasadas por boas fontes, com grande relevância social, por algum motivo perde em audiência para o assunto banal e sensacionalista? O mesmo acontece com minhas principais crônicas frente àquela postagem com imagens dos Fuscas mais bizarros. Isso quem me diz é o Analytics.
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Acompanho diariamente – desde que fui relocado da editoria de Política do impresso para o site, no início de 2009 – as estatísticas de acessos de O Diário Online. A ferramenta para verificar a audiência é o Google Analytics, a mesma que desde julho passei a utilizar em meus três blogs: Café com Jornalista, LF na Alemanha e este, de crônicas.
Graças ao Analytics, agora posso acompanhar de onde vem minha audiência; quantos acessos tenho por dia, semana e mês; quais as crônicas mais lidas e quanto tempo os leitores permenacem em cada uma delas; além de pormenores como o navegador utilizado pelos leitores – no caso do Blog do LF, em agosto, 57% das visitas se deram via Firefox, contra 30% do Explorer e 10% do Chrome.
Agosto foi o primeiro mês completo de meu blog no Analytics, que revelou 1.015 acessos únicos de um total de 1.629 visualizações de páginas. Para minha surpresa, 794 dessas visualizações ocorreram na página do texto "Fusca para todos, até para loucos", justamente uma de minhas postagens teste, sem pretensão alguma de agradar a audiência. Enquanto isso, a página de entrada do blog teve 403 visualizações, o que representa apenas 50,7% do número de acessos do texto do Fusca.
Foi então que descobri quanto o Analytics pode ser interessante. Com essa ferramenta, soube que grande parte dos acessos no texto do Fusca vem da pesquisa de imagens do Google. Para tirar a prova, digitei "Fusca" no Google Imagens para ver que (pasmem) uma das fotos publicadas Blog do LF surge na primeira página da pesquisa. De duas... duas: o blog está bem ranqueado e o brasileiro ainda curte muito o velho Volkswagen Fusca.
Sabe aquele caso de mídia (cada vez mais recorrente) em que a grande reportagem, com fatos apurados com isenção, com denúncias embasadas por boas fontes, com grande relevância social, por algum motivo perde em audiência para o assunto banal e sensacionalista? O mesmo acontece com minhas principais crônicas frente àquela postagem com imagens dos Fuscas mais bizarros. Isso quem me diz é o Analytics.
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9 de outubro de 2009
"Orfeu e Violeta", a melhor segundo os leitores
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"Orfeu e Violeta", que já liderava o ranking da mais comentadas deste blog, foi eleita a melhor crônica na avaliação dos leitores. O conto, que discorre sobre o encontro entre um jovem de Pato Branco e uma bela moça de Realeza num ônibus a caminho de Maringá, obteve 7 pontos, contra 4 pontos de "Uma linda mulher" – a segunda crônica mais lembrada.
Ao votarem em seus textos preferidos, os amigos contribuíram com a seleção das 12 melhores crônicas do Blog do LF, que vão compor um livreto mais adiante. Na fase decisiva, jornalistas convidados vão avaliar as 17 mais bem classificadas até o momento. Veja quais são elas no Café com Jornalista.
A pontuação corresponde à somatória da primeira fase (número de comentários) com a segunda fase (pontos dados pelos leitores).
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"Orfeu e Violeta", que já liderava o ranking da mais comentadas deste blog, foi eleita a melhor crônica na avaliação dos leitores. O conto, que discorre sobre o encontro entre um jovem de Pato Branco e uma bela moça de Realeza num ônibus a caminho de Maringá, obteve 7 pontos, contra 4 pontos de "Uma linda mulher" – a segunda crônica mais lembrada.
Ao votarem em seus textos preferidos, os amigos contribuíram com a seleção das 12 melhores crônicas do Blog do LF, que vão compor um livreto mais adiante. Na fase decisiva, jornalistas convidados vão avaliar as 17 mais bem classificadas até o momento. Veja quais são elas no Café com Jornalista.
A pontuação corresponde à somatória da primeira fase (número de comentários) com a segunda fase (pontos dados pelos leitores).
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7 de outubro de 2009
As curvas de Maringá
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Ao voltar de São Paulo, a reflexão de sempre: como Maringá é arborizada! E como tem mulheres bonitas – tanto quanto (ou até mais do que) árvores. A constatação é espontânea de tal modo que se torna impossível não repeti-la toda vez que retorno a essa cidade abundante em verde, flores e curvas.
Nas passadas sem pressa rumo à cafeteria preferida, a natureza deu-me as boas-vindas com uma casca de semente de sibipiruna, que deve ter deixado em meu rosto a marca do impacto. Sibipirunas que, na primavera, decoram Maringá em verde e amarelo, com pequenas flores que liberam uma resina grudenta, o terror dos para-brisas dos veículos. "Antes as flores e as cascas de sibipiruna do que as pombas", pensei.
As boas-vindas, Maringá parcelou em duas vezes, a segunda delas "paga" já na cafeteria do shopping. Livre da dieta do açúcar, bebia um café expresso com creme e chocolate, meio amargo, e lia "Traçando New York", livro de Luis Fernando Verissimo recém-comprado num sebo. Na mesa mais afastada do balcão e mais próximo da janela, concentrado na leitura e no café, perdi a majestosa chegada de Liana – suponho que tenha sido majestosa e não tenho a mínima ideia do nome verdadeiro da moça.
Aparentava 1,60m de altura, 20 anos, menos de 50kg, do tipo intelectual embora nada nerd. Tinha cabelos longos, lisos e ruivos que se esforçavam para tocar sua cintura – uma cinturinha para apreciar sem moderação –, e ainda pele clara, olhos verdes e esbeltas coxas, valorizadas pelo shorts curto, porém, comportado. Pediu um café gelado e sacou da bolsa um livro com marca-texto que indicava uma leitura nas páginas finais.
Uma linda jovem, que curte um bom livro regado a café, na livraria com música ao vivo... ahhhh!... uma miragem, um oásis no deserto escaldante. Fiquei com sede, ou melhor, encantado. Esqueci Verissimo e concentrei minha atividade cerebral numa estratégia de aproximação. Precisava ser notado e, mais, causar boa impressão.
Duas rápidas e discretas trocas de olhares me carregaram da coragem necessária para avançar contra os "inimigos": o risco de um fora e o receio de nunca mais tornar a vê-la (caso não tomasse uma iniciativa). Notei que ela estava na mesa 28, com número escrito em fonte igual a que indicava, na passagem, o portão de embarque (também 28) no Terminal da Barra Funda, em São Paulo, um dia antes.
"É um sinal, só pode", alertou minha mente, cobrando-me ação. "Pense em alguma coisa, rápido", insistiu. "E se ela se levantar, for embora e você nunca mais tornar a vê-la?". Minha mente estava certa e eu, se não acatasse seu incentivo, poderia vir a lamentar por algo que deixei de fazer.
Sujeito daqueles que crê que nada acontece por acaso, nem mesmo a repetição da fonte do número 28, tive de agir, sem ser inconveniente. A moça estava concentrada na leitura (ou bem fingia estar), talvez tanto quanto meus olhos estavam nela, e no shorts dela. Optei pela clássica estratégia do bilhete, que no futebol seria correspondente à formação 4-4-2, um tanto defensiva, sem ser retranqueira. No bilhete, assinado com meu endereço de MSN, escrevi:
Como é raro, hoje, mulheres irem ao shopping para ler um bom livro e beber café! Mais raro, ainda, é encontrar com essas mulheres, lindas como você. Gostei de ti e quero te conhecer, mas não quis atrapalhar a leitura.
Corri à papelaria ao lado comprar um pequeno envelope. Depositei o bilhetinho nele e, com os dedos cruzados, pedi a um dos atendentes da livraria que entregasse a "encomenda" à ruiva da mesa próxima à janela. "Não vejo nenhuma ruiva perto da janela", disse o rapaz, para minha surpresa.
A estratégia havia falhado, a moça não estava mais na mesa. Com os óculos bem calibrados, vi o "oásis" na fila do caixa, do outro lado da loja, aguardando para pagar a conta. O único plano B seria pegar a fila e, na primeira oportunidade, puxar conversa. Foi o que fiz. Ela respondeu o tímido "oi" com um "oiiii" sorridente e meigo, olhando-me nos olhos, com seus perolados olhos verdes. Num lapso de falta de reação de minha parte e para fazer valer o imbecil ditado de que "alegria de pobre dura pouco", o atendente lançou o aviso em bom tom: "próximooo!"
E Liana pagou a conta no caixa 1, enquanto eu acertava meu café (e o envelope do plano do bilhete) no caixa 3. Na demora do equipamento em ler meu cartão de crédito, ela foi embora sem que eu notasse, sem que eu soubesse seu verdadeiro nome, sem me dar a chance de entregar o bilhete. Saí dali, dei algumas voltas nos quatro pisos do shopping e não mais a vi.
Dentre tantas lindas maringaenses, a ruiva – de cintura bem definida e cabelos esvoaçantes – destacou-se de todas aos meus olhos. Ao menos naquele dia, eram dela as mais belas curvas da cidade. Na expectativa de vê-la passar, aguardei em vão no banco de concreto em formato de onça-pintada, em frente à entrada principal do shopping. A mesma onça que já testemunhou inúmeros inícios de namoro, desta vez, não pôde fazer nada, senão servir de consolo.
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Ao voltar de São Paulo, a reflexão de sempre: como Maringá é arborizada! E como tem mulheres bonitas – tanto quanto (ou até mais do que) árvores. A constatação é espontânea de tal modo que se torna impossível não repeti-la toda vez que retorno a essa cidade abundante em verde, flores e curvas.
Nas passadas sem pressa rumo à cafeteria preferida, a natureza deu-me as boas-vindas com uma casca de semente de sibipiruna, que deve ter deixado em meu rosto a marca do impacto. Sibipirunas que, na primavera, decoram Maringá em verde e amarelo, com pequenas flores que liberam uma resina grudenta, o terror dos para-brisas dos veículos. "Antes as flores e as cascas de sibipiruna do que as pombas", pensei.
As boas-vindas, Maringá parcelou em duas vezes, a segunda delas "paga" já na cafeteria do shopping. Livre da dieta do açúcar, bebia um café expresso com creme e chocolate, meio amargo, e lia "Traçando New York", livro de Luis Fernando Verissimo recém-comprado num sebo. Na mesa mais afastada do balcão e mais próximo da janela, concentrado na leitura e no café, perdi a majestosa chegada de Liana – suponho que tenha sido majestosa e não tenho a mínima ideia do nome verdadeiro da moça.
Aparentava 1,60m de altura, 20 anos, menos de 50kg, do tipo intelectual embora nada nerd. Tinha cabelos longos, lisos e ruivos que se esforçavam para tocar sua cintura – uma cinturinha para apreciar sem moderação –, e ainda pele clara, olhos verdes e esbeltas coxas, valorizadas pelo shorts curto, porém, comportado. Pediu um café gelado e sacou da bolsa um livro com marca-texto que indicava uma leitura nas páginas finais.
Uma linda jovem, que curte um bom livro regado a café, na livraria com música ao vivo... ahhhh!... uma miragem, um oásis no deserto escaldante. Fiquei com sede, ou melhor, encantado. Esqueci Verissimo e concentrei minha atividade cerebral numa estratégia de aproximação. Precisava ser notado e, mais, causar boa impressão.
Duas rápidas e discretas trocas de olhares me carregaram da coragem necessária para avançar contra os "inimigos": o risco de um fora e o receio de nunca mais tornar a vê-la (caso não tomasse uma iniciativa). Notei que ela estava na mesa 28, com número escrito em fonte igual a que indicava, na passagem, o portão de embarque (também 28) no Terminal da Barra Funda, em São Paulo, um dia antes.
"É um sinal, só pode", alertou minha mente, cobrando-me ação. "Pense em alguma coisa, rápido", insistiu. "E se ela se levantar, for embora e você nunca mais tornar a vê-la?". Minha mente estava certa e eu, se não acatasse seu incentivo, poderia vir a lamentar por algo que deixei de fazer.
Sujeito daqueles que crê que nada acontece por acaso, nem mesmo a repetição da fonte do número 28, tive de agir, sem ser inconveniente. A moça estava concentrada na leitura (ou bem fingia estar), talvez tanto quanto meus olhos estavam nela, e no shorts dela. Optei pela clássica estratégia do bilhete, que no futebol seria correspondente à formação 4-4-2, um tanto defensiva, sem ser retranqueira. No bilhete, assinado com meu endereço de MSN, escrevi:
Como é raro, hoje, mulheres irem ao shopping para ler um bom livro e beber café! Mais raro, ainda, é encontrar com essas mulheres, lindas como você. Gostei de ti e quero te conhecer, mas não quis atrapalhar a leitura.
Corri à papelaria ao lado comprar um pequeno envelope. Depositei o bilhetinho nele e, com os dedos cruzados, pedi a um dos atendentes da livraria que entregasse a "encomenda" à ruiva da mesa próxima à janela. "Não vejo nenhuma ruiva perto da janela", disse o rapaz, para minha surpresa.
A estratégia havia falhado, a moça não estava mais na mesa. Com os óculos bem calibrados, vi o "oásis" na fila do caixa, do outro lado da loja, aguardando para pagar a conta. O único plano B seria pegar a fila e, na primeira oportunidade, puxar conversa. Foi o que fiz. Ela respondeu o tímido "oi" com um "oiiii" sorridente e meigo, olhando-me nos olhos, com seus perolados olhos verdes. Num lapso de falta de reação de minha parte e para fazer valer o imbecil ditado de que "alegria de pobre dura pouco", o atendente lançou o aviso em bom tom: "próximooo!"
E Liana pagou a conta no caixa 1, enquanto eu acertava meu café (e o envelope do plano do bilhete) no caixa 3. Na demora do equipamento em ler meu cartão de crédito, ela foi embora sem que eu notasse, sem que eu soubesse seu verdadeiro nome, sem me dar a chance de entregar o bilhete. Saí dali, dei algumas voltas nos quatro pisos do shopping e não mais a vi.
Dentre tantas lindas maringaenses, a ruiva – de cintura bem definida e cabelos esvoaçantes – destacou-se de todas aos meus olhos. Ao menos naquele dia, eram dela as mais belas curvas da cidade. Na expectativa de vê-la passar, aguardei em vão no banco de concreto em formato de onça-pintada, em frente à entrada principal do shopping. A mesma onça que já testemunhou inúmeros inícios de namoro, desta vez, não pôde fazer nada, senão servir de consolo.
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20 de setembro de 2009
ZERO Açúcar
No mês em que abdiquei de sorvete, iogurte, chocolate e pão de mel – meus doces favoritos –, vi me abandonarem 2 quilos e 700 gramas. Sinal de que os outros 83 quilos, que permanecem comigo, são mais fiéis. Mantiveram-se leais a mim mesmo com a decisão abrupta de cortar o açúcar inclusive do cafezinho. Cortar o café com açúcar foi, aliás, o desafio mais torturante dessas três semanas.
Nos 30 dias mais longos de minha vida, a pergunta recorrente foi: "por que você está fazendo isso?" Quando alguém menos polido fazia a pergunta, mudavam as palavras, não o sentido: "Pra que essa viadagem de cortar o açúcar?" Difícil explicar.
– Porque sim – seria a resposta mais apropriada ou menos cansativa. Contudo, essa não é uma justificativa que se dê, não a adultos. Se devo alguma explicação, que seja ela para aqueles que por curiosidade (ou loucura) acompanharam a saga nada doce, mas com final feliz, em minha página no microblog.
A primeira razão dessa abstinência, e talvez a única plausível, foi a perda de peso. Fiz o sacrifício – que alguns obesos se negariam a fazer, embora precisem – para comprovar que açúcar engorda e que, sendo assim, a falta dele emagrece. Dei um tempo nas atividades físicas, mantive a mesma alimentação, não cortei frituras nem gorduras, limitando-me à privação dos doces. Assim, se emagrecesse, a "culpa" seria da falta de açúcar. Foram quase 3 quilos e, como disse Patrícia de Cássia no Twitter, teria sido mais, casos os exercícios tivessem sido mantidos.
Com a privação "tuitada" dos doces, outra ideia era ampliar o número de seguidores no microblog. Confirmada a teoria de que, na internet, há público para tudo, a marca de 100 seguidores foi superada, perfazendo mais do que o dobro de um mês atrás. O terceiro motivo vai de encontro com o "Yes, we can!" do presidente norte-americano Barack Obama. Certa noite, na cozinha de minha casa, uma ex-namorada, fumante, observou que eu comia muito chocolate e que isso poderia fazer mal à minha saúde. Indignado por ouvir aquilo de alguém dada ao cigarro, exclamei:
– Tábom, vou dar um tempo com o chocolate por um mês, mas quero ver tu fazer o mesmo e parar de fumar – disse, em tom de desafio. Fui além, cortei todo tipo de açúcar (sacarose), levando por três semanas a sofrível vida de um diabético. Experimentei alguns produtos diet, sempre dando graças a Deus pelo perfeito funcionamento de meu pâncreas.
A ex-namorada, não tornei a ver, mas alguma coisa me diz que ela não deixou de fumar, nem por um dia sequer. Sentindo-me vitorioso, e mais magro ao 30º dia, penso no doce gosto do triunfo. No domingo, quando eu – metodista – separo para agradecer a Deus por ter saúde e paz, terei meu momento de fé na companhia de um chocolate com avelãs, ou de um café irlandês com creme e borda de chocolate, ou de um sorvete de passas ao rum, ou um pão de mel com café expresso. Ou, ainda, na companhia de alguém que goste disso tudo e que possa tudo isso sem brigar com a balança. Atenção, alguém-que-gosta-disso-tudo, quero te conhecer melhor!
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18 de setembro de 2009
Seleção das melhores crônicas do LF
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Incentivado por colegas de redação, lancei oficialmente este blog de crônicas em 28 de novembro de 2008, data de uma postagem teste com fotos da Groenlândia (não me peçam para explicar o porquê da Groenlândia). Desde então, foram 49 postagens (contando com esta)... crônicas, em sua grande maioria.
Algumas poucas já ilustraram páginas de jornais, porém, a grande maioria ficou presa ao virtual. Desse detalhe, surgiu a ideia de dar "vida" a alguns dos textos publicados neste blog. As 12 melhores crônicas, com data anterior a 18 de setembro, vão compor um livreto "artesanal" – como será e qual o propósito? Prometo explicar mais adiante – ao final de um processo de seleção que incluirá três etapas.
A primeira etapa já foi realizada e resultou nas 25 melhores crônicas do blog, na opinião do próprio autor. A segunda etapa, lançada agora, consiste da votação dos leitores (ler regras abaixo dos links) em seus textos preferidos. Dessa votação, em pontuação acumulativa com a primeira etapa, restarão 17. Na terceira e última fase, cinco jornalistas darão nota a cada uma dessas 17, elegendo, assim (e considerando o desempenho das fases anteriores) as 12 melhores crônicas deste blog.
Classificadas pelo número de comentários (ao lado do respectivo título), até esta data, e por avaliação do autor, as 25 melhores crônicas estão abaixo relacionadas:
Setembro
001 Um tweet de Ana Paula / 11
002 Vinte dias com Angela / 6
003 Uma linda mulher / 8
Agosto
004 Namorei a Paulista / 9
005 Enfim, habilitado! / 11
Julho
006 Um pesadelo com Michael Jackson / 8
007 Graças a Pink Floyd / 10
008 A turma da 6ª Série / 6
Junho
009 Cobain e o universo feminino / 10
010 A lucidez de Barack Pandeiro / 7
Maio
011 Azar no jogo... / 8
012 Canáááááááários! / 10
Abril
013 Sensação na calada da noite / 5
014 Do que as mulheres gostam / 7
015 O Polo Norte, o bilhete e o fim das férias / 5
Março
016 O melhor bolo de aniversário / 4
Fevereiro
017 Um orkut para Daibert / 7
018 O apóstolo e os fugitivos / 6
019 Vinte e tantos mais um / 7
020 O que MacGyver faria? / 4
021 O universo hiper-realista de Gabriel T. / 8
022 Para marcar a mente e o coração / 6
Janeiro
023 Orfeu e Violeta / 13
024 Uma "diliça" de madrugada / 10
Dezembro
025 Uma reportagem e um colega para não esquecer / 3
Como votar
Os leitores devem deixar sua opinião nesta postagem, em comentário assinado com o nome completo e cidade de origem. Opiniões anônimas ou repetidas, neste caso, serão desconsideradas. O votante deve escolher sua crônica favorita (citando corretamente o título ou o número) e, além disso, nominar outras três de sua preferência.
As crônicas apontadas como favoritas receberão 3 pontos. As crônicas preferidas (aquelas outras três) terão peso 1. Os pontos serão somados ao número de comentários obtidos por cada crônica até esta data. A avaliação do leitor poderá ser feita até 30 de setembro, uma quarta-feira. Após essa data, não serão permitidos novos comentários.
Um dos participantes será presenteado, mediante sorteio, com cópia do livreto de crônicas deste blog. Não é nada demais, mas é uma singela maneira de agradecer o incentivo dos seletos leitores do Blog do LF. Sem o apoio de todos que leem - e comentam - certamente eu já teria desistido.
Votem e divulguem esta seleção!
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Incentivado por colegas de redação, lancei oficialmente este blog de crônicas em 28 de novembro de 2008, data de uma postagem teste com fotos da Groenlândia (não me peçam para explicar o porquê da Groenlândia). Desde então, foram 49 postagens (contando com esta)... crônicas, em sua grande maioria.
Algumas poucas já ilustraram páginas de jornais, porém, a grande maioria ficou presa ao virtual. Desse detalhe, surgiu a ideia de dar "vida" a alguns dos textos publicados neste blog. As 12 melhores crônicas, com data anterior a 18 de setembro, vão compor um livreto "artesanal" – como será e qual o propósito? Prometo explicar mais adiante – ao final de um processo de seleção que incluirá três etapas.
A primeira etapa já foi realizada e resultou nas 25 melhores crônicas do blog, na opinião do próprio autor. A segunda etapa, lançada agora, consiste da votação dos leitores (ler regras abaixo dos links) em seus textos preferidos. Dessa votação, em pontuação acumulativa com a primeira etapa, restarão 17. Na terceira e última fase, cinco jornalistas darão nota a cada uma dessas 17, elegendo, assim (e considerando o desempenho das fases anteriores) as 12 melhores crônicas deste blog.
Classificadas pelo número de comentários (ao lado do respectivo título), até esta data, e por avaliação do autor, as 25 melhores crônicas estão abaixo relacionadas:
Setembro
001 Um tweet de Ana Paula / 11
002 Vinte dias com Angela / 6
003 Uma linda mulher / 8
Agosto
004 Namorei a Paulista / 9
005 Enfim, habilitado! / 11
Julho
006 Um pesadelo com Michael Jackson / 8
007 Graças a Pink Floyd / 10
008 A turma da 6ª Série / 6
Junho
009 Cobain e o universo feminino / 10
010 A lucidez de Barack Pandeiro / 7
Maio
011 Azar no jogo... / 8
012 Canáááááááários! / 10
Abril
013 Sensação na calada da noite / 5
014 Do que as mulheres gostam / 7
015 O Polo Norte, o bilhete e o fim das férias / 5
Março
016 O melhor bolo de aniversário / 4
Fevereiro
017 Um orkut para Daibert / 7
018 O apóstolo e os fugitivos / 6
019 Vinte e tantos mais um / 7
020 O que MacGyver faria? / 4
021 O universo hiper-realista de Gabriel T. / 8
022 Para marcar a mente e o coração / 6
Janeiro
023 Orfeu e Violeta / 13
024 Uma "diliça" de madrugada / 10
Dezembro
025 Uma reportagem e um colega para não esquecer / 3
Como votar
Os leitores devem deixar sua opinião nesta postagem, em comentário assinado com o nome completo e cidade de origem. Opiniões anônimas ou repetidas, neste caso, serão desconsideradas. O votante deve escolher sua crônica favorita (citando corretamente o título ou o número) e, além disso, nominar outras três de sua preferência.
As crônicas apontadas como favoritas receberão 3 pontos. As crônicas preferidas (aquelas outras três) terão peso 1. Os pontos serão somados ao número de comentários obtidos por cada crônica até esta data. A avaliação do leitor poderá ser feita até 30 de setembro, uma quarta-feira. Após essa data, não serão permitidos novos comentários.
Um dos participantes será presenteado, mediante sorteio, com cópia do livreto de crônicas deste blog. Não é nada demais, mas é uma singela maneira de agradecer o incentivo dos seletos leitores do Blog do LF. Sem o apoio de todos que leem - e comentam - certamente eu já teria desistido.
Votem e divulguem esta seleção!
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8 de setembro de 2009
Um tweet de Ana Paula
O dia em que O Diário superou a marca de mil seguidores no Twitter – uma sexta-feira que, embora chuvosa, clamava por um happy hour com os amigos – trouxe-me a recordação de um momento de êxtase no microblog que é febre mundial. ELA havia escrito para mim. Depois daquilo, tive a certeza: nenhuma rede social na internet se compara ao Twitter na capacidade de proporcionar um diálogo aberto entre pessoas normais e celebridades.
Em meu já não tão confortável sofá, estava só. Lia algum dos livros de Luis Fernando Verissimo – embora não me recorde ao certo qual – e o envolvente texto espantava para longe de mim o peso da solidão. Uma caneca de café e um cobertor, sobre as pernas, aqueciam o corpo. Numa dessas webradios, a voz de Laura Pausini me fazia companhia e aquecia o coração. O sono começava a cansar os olhos quando, por volta das 2h30, o inconfundível alerta de mensagem do MSN interrompeu a leitura.
Da tão distante Rio Branco, a amiga Aleta Dreves trazia boas novas. Há muito não teclava com a ex-colega da faculdade de Jornalismo que, hoje professora universitária, faz-me acreditar na existência do Acre. Logo na primeira mensagem, sem suspense, veio a surpresa:
— Eita, até a Ana Paula Arósio leu tua crônica, que chique — disse, referindo-se à então última postagem de meu blog, intitulada "Azar no jogo..."
— Leu nada! — respondi, no impulso, certo de que Aleta queria me pregar uma peça.
— Ela disse no Twitter, entendi que estava falando do teu blog — esclareceu a amiga.
— Sério mesmo? — questionei, agora, quase acreditando no que lera no MSN. Havia encontrado a atriz favorita, aquela que para mim é parâmetro de beleza feminina, no Twitter.
— Ela disse no Twitter, entendi que estava falando do teu blog — esclareceu a amiga.
— Sério mesmo? — questionei, agora, quase acreditando no que lera no MSN. Havia encontrado a atriz favorita, aquela que para mim é parâmetro de beleza feminina, no Twitter.
Na crônica sobre minha reprovação no teste de moto, escrevi sobre o delicioso sonho que tivera com Ana Paula Arósio. Com "reply" para ela, publiquei um tweet com link para aquela crônica. De qualquer forma, não esperava uma resposta da musa.
— @LF_jornalista obrigada pelo carinho Cardoso. Desejo-lhe sucesso, achei muito bom seu texto, lúcido e cativante. Um abraço! — escreveu @anapaula_arosio, em tweet testemunhado por alguns poucos. Ainda bem que há testemunhas, porque o citado perfil foi excluído do Twitter e o recado, por consequência, deletado.
Recado que acarretou uma séria de dúvidas. Teria ela lido minha crônica ou sido apenas gentil? Tratava-se mesmo da musa ou seria um fake (falso perfil) se passando por ela? Num primeiro momento, preferi crer que era a própria e que a crônica havia sido lida por ela, da primeira palavra ao ponto final.
— Se soubesse que Ana Paula Arósio escreveria para mim, nem teria lamentado a reprovação no teste para moto... um sonho isso! — tuitei, enquanto garantia a Aleta que não conseguiria dormir, não naquela noite.
— Seja sincera Aleta, tu achas mesmo que é ela — perguntei, pelo MSN.
—Claro que é a gostosa da Ana Paula Arósio — respondeu a amiga jornalista, para sepultar de vez a possibilidade de ser visitado pelo sono naquela noite.
— Pronto LF, agora tu não dormes mais de emoção —, brincou a jornalista.
Contei o que se passara a meus pais e irmãos. Também para alguns amigos, embora parte deles ainda desconhecesse o Twitter. Entre os colegas de trabalho, dois dos mais chegados acharam graça, certos de que eu teria me deixado enganar por um fake. O irmão caçula, João Paulo, teve a mesma impressão.
— @LF_jornalista não sei não se a AP Arósio é original. Mas seria bom se fosse. Eu mesmo tenho o Neymar me seguindo, mas é fake — tuitou @joaocoliveira, em "ótima" comparação. Quem é que queria saber de Neymar naquele momento.
A mais bela e talentosa atriz brasileira havia escrito para mim – assim preferia crer – e poucos além de Aleta e eu próprio pareciam acreditar. Ana Paula Arósio parou de tuitar; um fake não teria parado. Dias depois, os tweets de @anapaula_arosio cessaram e, meses depois, o perfil foi deletado do Twitter. Infelizmente, um forte indício de que poderia ser um farsante.
Independentemente daquela mensagem ter sido ou não escrita por ela, e de minha crônica ter agradado ou não, melhor seria conhecer a bela atriz pessoalmente. Precisarei escrever um best seller para que isso aconteça? Quem sabe. Se essa for a condição, eu escrevo.
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4 de setembro de 2009
Vinte dias com Angela
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Era inverno. Pelo que sugere a estação, devia estar frio, mas, na prática, o calor daquele início de tarde, em Maringá, permitia ficar a vontade com pouca roupa. O desconforto não estava no clima, tampouco no pagode de quinta que tocava no alto-falante da rodoviária e, sim, no atraso em quase duas horas do ônibus da linha Palmas-TO/Santa Maria-RS. Foi na longa espera, de causar raiva, que Angela notou Francisco pela primeira vez.
Quase 30, quase 1,80m, quase careca, quase desmaiado de sono - pela insônia da noite anterior -, Chico nunca teve panca de galã. Era do tipo que, com alguma frequência, passava despercebido nas festas. Porém, de jeans, camiseta, boné, óculos escuro e, sobretudo, tênis All Star, ele pareceu interessante aos olhos dela. Há pesquisas que afirmam que uma mulher, quando não está comprometida, repara da cabeça aos pés em até sete homens que a atraem, todo dia. Por sorte - no dicionário dele "destino" e no dela, "acaso" - Chico havia entrado na lista de bem-apessoados na avaliação da moça com não mais de 20, cinturinha de modelo, cabelos curtos e pele lisa.
A troca de olhares, do tipo capaz de causar frio no estômago e calor abrupto em outras partes, aconteceria instantes mais tarde e eles, solteiros, aproveitariam cada instante da oportunidade concedida pelo acaso - ou pelo destino. Se a vida fosse como no cinema ou nas novelas, pelo início da história, Francisco e Angela passariam por dificuldades para ficar juntos e, no final, viveriam felizes para sempre. Na vida real, não foi isso que a história reservou para eles, não em uma trama que envolve também um sujeito chamado Humberto - guarde bem esse nome!
Chico não costuma ser um cara apressado, mas o sono que tanto o torturava o fez ser o primeiro a despachar a mala para, o quanto antes, tomar seu lugar na poltrona 3 do ônibus. Já havia se acomodado quando decidiu buscar água no final do corredor, antes de cair no sono. Ao se levantar, seus olhos brilharam para Angela, que se sentaria na poltrona 4, ao lado da sua. Ele custava a acreditar na bondade divina. Toda vida teve problemas com "vizinhos" de viagem e, desta vez, parecia que a sorte estava a fim de compensá-lo. Angela ajeitava a mochila no bagageiro interno quando ouviu a pergunta:
- Vou ali ao fundo buscar água, posso trazer para ti também? - disse Chico, certo de que ela aceitaria e, mais, que gostaria da atitude. Ser gentil com aquela desconhecida jovem foi mais que um ato de cavalheirismo, em uma situação como aquela foi uma oportunidade, bem aproveitada, de quebrar o gelo.
Ela aceitou e, pelo sorriso ainda inibido, demonstrou ter curtido a atitude. Gaúcha, atraída a Maringá pelos estudos na universidade estadual, notou algo familiar no sotaque de Chico. Neto de gaúchos e repórter do maior jornal de Maringá, ele passaria o fim de semana em sua terra natal, Pato Branco, no sudoeste do Paraná. Uma cidade de colonização gaúcha que, bem por isso, é mais apegada aos costumes do Rio Grande do Sul do que do próprio Paraná.
Em férias na universidade, Angela passaria um mês na longínqua Alegrete, tão distante de tudo que um pouco além - bem pouco - fica o Uruguai. Ao lado dela, o sono de Chico passou de repente e ambos conversaram desde o copo d'água até o desembarque na "Capital do Sudoeste", que é a figura de linguagem utilizada pelos "nativos" para autoproclamar Pato Branco capital de alguma coisa. Nas 11 horas de viagem do trecho - que passaram como se fossem 2 horas - a estudante de Biologia e o repórter só interrompiam o bate-papo mediante apropriados e uníssonos "chiiiiiii" dos outros passageiros. Fora os dois, num ônibus sem televisores e sem filme para ajudar a passar o tempo, os demais queriam dormir.
Da turma do "chiiiiiii", quem não conseguiu pegar no sono ao menos ouviu boas histórias. Angela e Chico foram ecléticos e não economizaram saliva. Falaram sobre estudos, trabalho, religião, família, amigos, saudades da família e dos amigos, da cidade-natal, relacionamentos anteriores, sexo, drogas e rock and roll. Bate-papo que incluiu peculiaridades culinárias, como o fato de ambos gostarem de fígado de galinha e, mais que isso, saberem cozinhar o prato ainda tão pouco apreciado. O assunto sobre o preparo do fígado foi, de longe, o que mais recebeu pedidos de silêncio. Quando eles falaram de sexo e relacionamentos, porém, ninguém no ônibus se manifestou. Curiosidade, talvez.
Na afinada troca de palavras, o tom de voz e os olhares trocados na penumbra sinalizavam que o encontro daquele casal - unido por uma força maior ou por força nenhuma - teria um segundo tempo, de muitos gols. Na primeira despedida, nada de beijo, apenas um olhar prolongado e silencioso, repleto de boas e "más" (no melhor sentido da palavra) intenções. No desembarque em Pato Branco, numa madrugada de céu estrelado, com temperatura na casa dos 10°C, o indiscreto motorista perguntou:
- E aí, companheiro, pegou o telefone da moça? - Chico respondeu com um desinibido sorriso, de modo a dispensar as palavras. Angela ouviu o que dissera o motorista, de dentro do ônibus, enquanto observava o repórter apanhar sua bagagem. Também sorriu, embora um pouco envergonhada, menos pela curiosidade do motorista, mais por notar que todos os demais passageiros estavam em silêncio. Ou dormiam ou, acordados, tinham ouvido pormenores da conversa.
O jovem de Pato Branco havia esquecido de pedir o telefone da guria de Alegrete. O que na geração de seus pais teria sido um problema, na deles era um mero detalhe. Chico tomou nota do endereço de email, do MSN e do orkut de Angela, tudo para se certificar de que eles não perderiam contato. A bela de corpo delgado abanou com a mão esquerda assim que o ônibus partiu, já na expectativa de receber o primeiro email - que não demoraria a ser enviado.
Angela nunca acreditou em simpatias, porém, o encontro no ônibus a deixou pensativa. Seria possível que, mesmo com sua falta de fé, uma simpatia desse certo? No dia de Santo Antônio, na paróquia homônima em Maringá, a gaúcha comprara 12 pedaços de bolo para ela, as primas e os tios, com quem mora desde que ingressou na universidade, três anos antes. Reza a lenda que encontrar uma medalhinha de Santo Antônio no bolo significa - para as solteiras - namorado à vista. Das fatias que comprara, Angela comera três e, apenas esses, continham as ditas medalhinhas no recheio.
Já em Alegrete, recordou-se do recorde da Paróquia Santo Antônio, que agora lhe pertencia e do qual preferia não se orgulhar: três pedaços de bolo, três medalhinhas. E se, por acaso, a simpatia providenciasse a ela um namorado trilegal? Tentando se manter incrédula, seguiu trocando emails com Chico, todos os dias, até o dia em que seus olhares tornassem a se encontrar.
O reencontro foi em um banco de concreto com formato de onça-pintada, diante da entrada principal de um shopping de Maringá. Trocaram mimos - lembrancinhas, como se diz no Rio Grande -, beijos não. Não ali, diante de um conglomerado de lojas, de uma plateia de desconhecidos, da onça inanimada. Não antes de um passeio a dois, pelas ruas arborizadas da cidade. Não sem antes brindar o momento com chope gelado e música ao vivo. Sob a bênção de um céu estrelado, sem Lua, mas com outra longa e descontraída conversa, ele a acompanhou até a casa dos tios.
Chico sabia que seria correspondido. Angela sabia que bastava se virar de costas para ele, para ser abraçada e beijada no pescoço, antes do presumível beijo de cinema. Foi o primeiro grande momento de um romance que, já foi dito, não terminaria com o batido "e viveram felizes para sempre" e que teria ainda a figura de Humberto - repito: guarde bem esse nome!
Combinaram de ir ao parque, na tarde seguinte, caso fizesse sol. Contudo, a previsão era de chuva. E do céu derramou água, mas Chico foi ao encontro de sua gaúcha, com seu possante 1.0, mesmo assim. Questionou o que faria, pois chovia, e recebeu de Angela a melhor resposta:
- Com o tempo ruim assim, já era o passeio no parque - disse a bióloga.
- O que você sugere? - questionou o rapaz.
- A gente poderia ver um filme em sua casa - respondeu Angela, sem delonga. Para Chico, que morava sozinho, a ideia foi brilhante.
A gaúcha e o paranaense não combinavam em muita coisa, aliás, combinavam bem pouco. Ele, cristão protestante; ela, católica nada praticante. Ele, sonhador; ela, pés no chão. Ele, favorável à liberalização da maconha, embora nunca tivesse experimentado; ela, contrária à descriminalização, ainda que conhecesse os efeitos da Cannabis. As diferenças eram gritantes, mas um bom filme, sem pressa, eles curtiam muito assistir juntos. No segundo grande momento, beberam vinho. Bom esclarecer, não era um vinho qualquer.
Certa vez, na redação do jornal, Chico foi presenteado por Humberto - olha ele aí -, seu editor, com um chileno Santa Helena. Uma retribuição a um vinho que trouxera para o amigo de uma vinícola que visitara durante as férias, na Serra Gaúcha. Em uma comprometida troca de olhares, e admirado com a beleza de Angela, o pato-branquense se lembrou da sábia recomendação de Humberto.
- Deguste esse vinho com alguém especial, que faça por merecer cada gole - disse o experiente editor. Pela intensidade do encontro, Chico não tinha dúvidas: Angela fizera por merecer cada gota do fruto da videira. E foram vários goles, de modo a faltar tempo para o filme, no sentido literal da palavra. Quem dera durasse para sempre, porém, aos dois, nenhum ditado serviu tão bem quanto este: "os dispostos se atraem e os opostos se distraem". A gaúcha e o paranaense eram como água e óleo e, por consequência, não estavam verdadeiramente atraídos, mas, sim, se distraindo.
Tal como na noite do primeiro beijo, 20 dias depois, estavam novamente numa mesa de bar, frente a frente, mas já não tão próximos. Desta vez, o encontro era para desmanchar o namoro. No meteórico romance, Angela não se sentia como Julieta, tampouco Francisco como Romeu. Faltava a paixão genuína, o "combustível" sem o qual não é possível chegar ao amor. Deveriam insistir no namoro e desistir da busca pelo verdadeiro amor? A pergunta que não quis calar, calou sem dó o relacionamento recém-iniciado.
Angela se foi, sem dizer adeus. Chico, em busca de consolo, foi contar a história a Humberto. Experientes escritores, como ele, entendem bem os dramas da vida e do coração e, por isso, têm a palavra certa para quando um romance acaba.
- Você aproveitou bem o vinho, naquela noite? - quis saber Humberto. Ainda cabisbaixo, Chico respondeu que sim, que o vinho não tinha sido em vão. - É isso que importa. Levanta a cabeça e vai beber outro vinho, com outra companhia especial - sentenciou o amigo editor.
Feliz por ter conhecido Angela, e sem saber onde está sua Julieta, Chico levantou a cabeça, pensou no próximo vinho, e tocou o barco. Mais decidida do que ele no término do namoro, Angela seguiu com uma dúvida cruel: seria o amor de anos antes o Romeu que ela viu ir embora, sem se despedir? Ambos, em caminhos distintos, ajudados pelo destino - ou pelo acaso -, seguem em busca de uma paixão genuína, para escrever uma história que termine com "felizes para sempre".
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Era inverno. Pelo que sugere a estação, devia estar frio, mas, na prática, o calor daquele início de tarde, em Maringá, permitia ficar a vontade com pouca roupa. O desconforto não estava no clima, tampouco no pagode de quinta que tocava no alto-falante da rodoviária e, sim, no atraso em quase duas horas do ônibus da linha Palmas-TO/Santa Maria-RS. Foi na longa espera, de causar raiva, que Angela notou Francisco pela primeira vez.
Quase 30, quase 1,80m, quase careca, quase desmaiado de sono - pela insônia da noite anterior -, Chico nunca teve panca de galã. Era do tipo que, com alguma frequência, passava despercebido nas festas. Porém, de jeans, camiseta, boné, óculos escuro e, sobretudo, tênis All Star, ele pareceu interessante aos olhos dela. Há pesquisas que afirmam que uma mulher, quando não está comprometida, repara da cabeça aos pés em até sete homens que a atraem, todo dia. Por sorte - no dicionário dele "destino" e no dela, "acaso" - Chico havia entrado na lista de bem-apessoados na avaliação da moça com não mais de 20, cinturinha de modelo, cabelos curtos e pele lisa.
A troca de olhares, do tipo capaz de causar frio no estômago e calor abrupto em outras partes, aconteceria instantes mais tarde e eles, solteiros, aproveitariam cada instante da oportunidade concedida pelo acaso - ou pelo destino. Se a vida fosse como no cinema ou nas novelas, pelo início da história, Francisco e Angela passariam por dificuldades para ficar juntos e, no final, viveriam felizes para sempre. Na vida real, não foi isso que a história reservou para eles, não em uma trama que envolve também um sujeito chamado Humberto - guarde bem esse nome!
Chico não costuma ser um cara apressado, mas o sono que tanto o torturava o fez ser o primeiro a despachar a mala para, o quanto antes, tomar seu lugar na poltrona 3 do ônibus. Já havia se acomodado quando decidiu buscar água no final do corredor, antes de cair no sono. Ao se levantar, seus olhos brilharam para Angela, que se sentaria na poltrona 4, ao lado da sua. Ele custava a acreditar na bondade divina. Toda vida teve problemas com "vizinhos" de viagem e, desta vez, parecia que a sorte estava a fim de compensá-lo. Angela ajeitava a mochila no bagageiro interno quando ouviu a pergunta:
- Vou ali ao fundo buscar água, posso trazer para ti também? - disse Chico, certo de que ela aceitaria e, mais, que gostaria da atitude. Ser gentil com aquela desconhecida jovem foi mais que um ato de cavalheirismo, em uma situação como aquela foi uma oportunidade, bem aproveitada, de quebrar o gelo.
Ela aceitou e, pelo sorriso ainda inibido, demonstrou ter curtido a atitude. Gaúcha, atraída a Maringá pelos estudos na universidade estadual, notou algo familiar no sotaque de Chico. Neto de gaúchos e repórter do maior jornal de Maringá, ele passaria o fim de semana em sua terra natal, Pato Branco, no sudoeste do Paraná. Uma cidade de colonização gaúcha que, bem por isso, é mais apegada aos costumes do Rio Grande do Sul do que do próprio Paraná.
Em férias na universidade, Angela passaria um mês na longínqua Alegrete, tão distante de tudo que um pouco além - bem pouco - fica o Uruguai. Ao lado dela, o sono de Chico passou de repente e ambos conversaram desde o copo d'água até o desembarque na "Capital do Sudoeste", que é a figura de linguagem utilizada pelos "nativos" para autoproclamar Pato Branco capital de alguma coisa. Nas 11 horas de viagem do trecho - que passaram como se fossem 2 horas - a estudante de Biologia e o repórter só interrompiam o bate-papo mediante apropriados e uníssonos "chiiiiiii" dos outros passageiros. Fora os dois, num ônibus sem televisores e sem filme para ajudar a passar o tempo, os demais queriam dormir.
Da turma do "chiiiiiii", quem não conseguiu pegar no sono ao menos ouviu boas histórias. Angela e Chico foram ecléticos e não economizaram saliva. Falaram sobre estudos, trabalho, religião, família, amigos, saudades da família e dos amigos, da cidade-natal, relacionamentos anteriores, sexo, drogas e rock and roll. Bate-papo que incluiu peculiaridades culinárias, como o fato de ambos gostarem de fígado de galinha e, mais que isso, saberem cozinhar o prato ainda tão pouco apreciado. O assunto sobre o preparo do fígado foi, de longe, o que mais recebeu pedidos de silêncio. Quando eles falaram de sexo e relacionamentos, porém, ninguém no ônibus se manifestou. Curiosidade, talvez.
Na afinada troca de palavras, o tom de voz e os olhares trocados na penumbra sinalizavam que o encontro daquele casal - unido por uma força maior ou por força nenhuma - teria um segundo tempo, de muitos gols. Na primeira despedida, nada de beijo, apenas um olhar prolongado e silencioso, repleto de boas e "más" (no melhor sentido da palavra) intenções. No desembarque em Pato Branco, numa madrugada de céu estrelado, com temperatura na casa dos 10°C, o indiscreto motorista perguntou:
- E aí, companheiro, pegou o telefone da moça? - Chico respondeu com um desinibido sorriso, de modo a dispensar as palavras. Angela ouviu o que dissera o motorista, de dentro do ônibus, enquanto observava o repórter apanhar sua bagagem. Também sorriu, embora um pouco envergonhada, menos pela curiosidade do motorista, mais por notar que todos os demais passageiros estavam em silêncio. Ou dormiam ou, acordados, tinham ouvido pormenores da conversa.
O jovem de Pato Branco havia esquecido de pedir o telefone da guria de Alegrete. O que na geração de seus pais teria sido um problema, na deles era um mero detalhe. Chico tomou nota do endereço de email, do MSN e do orkut de Angela, tudo para se certificar de que eles não perderiam contato. A bela de corpo delgado abanou com a mão esquerda assim que o ônibus partiu, já na expectativa de receber o primeiro email - que não demoraria a ser enviado.
Angela nunca acreditou em simpatias, porém, o encontro no ônibus a deixou pensativa. Seria possível que, mesmo com sua falta de fé, uma simpatia desse certo? No dia de Santo Antônio, na paróquia homônima em Maringá, a gaúcha comprara 12 pedaços de bolo para ela, as primas e os tios, com quem mora desde que ingressou na universidade, três anos antes. Reza a lenda que encontrar uma medalhinha de Santo Antônio no bolo significa - para as solteiras - namorado à vista. Das fatias que comprara, Angela comera três e, apenas esses, continham as ditas medalhinhas no recheio.
Já em Alegrete, recordou-se do recorde da Paróquia Santo Antônio, que agora lhe pertencia e do qual preferia não se orgulhar: três pedaços de bolo, três medalhinhas. E se, por acaso, a simpatia providenciasse a ela um namorado trilegal? Tentando se manter incrédula, seguiu trocando emails com Chico, todos os dias, até o dia em que seus olhares tornassem a se encontrar.
O reencontro foi em um banco de concreto com formato de onça-pintada, diante da entrada principal de um shopping de Maringá. Trocaram mimos - lembrancinhas, como se diz no Rio Grande -, beijos não. Não ali, diante de um conglomerado de lojas, de uma plateia de desconhecidos, da onça inanimada. Não antes de um passeio a dois, pelas ruas arborizadas da cidade. Não sem antes brindar o momento com chope gelado e música ao vivo. Sob a bênção de um céu estrelado, sem Lua, mas com outra longa e descontraída conversa, ele a acompanhou até a casa dos tios.
Chico sabia que seria correspondido. Angela sabia que bastava se virar de costas para ele, para ser abraçada e beijada no pescoço, antes do presumível beijo de cinema. Foi o primeiro grande momento de um romance que, já foi dito, não terminaria com o batido "e viveram felizes para sempre" e que teria ainda a figura de Humberto - repito: guarde bem esse nome!
Combinaram de ir ao parque, na tarde seguinte, caso fizesse sol. Contudo, a previsão era de chuva. E do céu derramou água, mas Chico foi ao encontro de sua gaúcha, com seu possante 1.0, mesmo assim. Questionou o que faria, pois chovia, e recebeu de Angela a melhor resposta:
- Com o tempo ruim assim, já era o passeio no parque - disse a bióloga.
- O que você sugere? - questionou o rapaz.
- A gente poderia ver um filme em sua casa - respondeu Angela, sem delonga. Para Chico, que morava sozinho, a ideia foi brilhante.
A gaúcha e o paranaense não combinavam em muita coisa, aliás, combinavam bem pouco. Ele, cristão protestante; ela, católica nada praticante. Ele, sonhador; ela, pés no chão. Ele, favorável à liberalização da maconha, embora nunca tivesse experimentado; ela, contrária à descriminalização, ainda que conhecesse os efeitos da Cannabis. As diferenças eram gritantes, mas um bom filme, sem pressa, eles curtiam muito assistir juntos. No segundo grande momento, beberam vinho. Bom esclarecer, não era um vinho qualquer.
Certa vez, na redação do jornal, Chico foi presenteado por Humberto - olha ele aí -, seu editor, com um chileno Santa Helena. Uma retribuição a um vinho que trouxera para o amigo de uma vinícola que visitara durante as férias, na Serra Gaúcha. Em uma comprometida troca de olhares, e admirado com a beleza de Angela, o pato-branquense se lembrou da sábia recomendação de Humberto.
- Deguste esse vinho com alguém especial, que faça por merecer cada gole - disse o experiente editor. Pela intensidade do encontro, Chico não tinha dúvidas: Angela fizera por merecer cada gota do fruto da videira. E foram vários goles, de modo a faltar tempo para o filme, no sentido literal da palavra. Quem dera durasse para sempre, porém, aos dois, nenhum ditado serviu tão bem quanto este: "os dispostos se atraem e os opostos se distraem". A gaúcha e o paranaense eram como água e óleo e, por consequência, não estavam verdadeiramente atraídos, mas, sim, se distraindo.
Tal como na noite do primeiro beijo, 20 dias depois, estavam novamente numa mesa de bar, frente a frente, mas já não tão próximos. Desta vez, o encontro era para desmanchar o namoro. No meteórico romance, Angela não se sentia como Julieta, tampouco Francisco como Romeu. Faltava a paixão genuína, o "combustível" sem o qual não é possível chegar ao amor. Deveriam insistir no namoro e desistir da busca pelo verdadeiro amor? A pergunta que não quis calar, calou sem dó o relacionamento recém-iniciado.
Angela se foi, sem dizer adeus. Chico, em busca de consolo, foi contar a história a Humberto. Experientes escritores, como ele, entendem bem os dramas da vida e do coração e, por isso, têm a palavra certa para quando um romance acaba.
- Você aproveitou bem o vinho, naquela noite? - quis saber Humberto. Ainda cabisbaixo, Chico respondeu que sim, que o vinho não tinha sido em vão. - É isso que importa. Levanta a cabeça e vai beber outro vinho, com outra companhia especial - sentenciou o amigo editor.
Feliz por ter conhecido Angela, e sem saber onde está sua Julieta, Chico levantou a cabeça, pensou no próximo vinho, e tocou o barco. Mais decidida do que ele no término do namoro, Angela seguiu com uma dúvida cruel: seria o amor de anos antes o Romeu que ela viu ir embora, sem se despedir? Ambos, em caminhos distintos, ajudados pelo destino - ou pelo acaso -, seguem em busca de uma paixão genuína, para escrever uma história que termine com "felizes para sempre".
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